As ações ordinárias da Petrobras caíram 8,54%, negociadas abaixo de R$ 30 por papel. Já as preferenciais recuaram 7,75%, perto de R$ 25 por ação. Apesar do forte tombo, os papéis da Petrobras ainda acumulam valorização de mais de 15% no ano.

A companhia desistiu na véspera do aumento de 5,74% no do preço do diesel nas refinarias. O recuo na decisão da companhia ocorreu após uma determinação do presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou que não defende práticas “intervencionistas” nos preços da estatal, mas pediu uma justificativa baseada em números, alegando que o aumento era superior à inflação projetada.

O movimento ocorre diante de uma recente insatisfação de caminhoneiros em razão dos valores do diesel e dos fretes. No ano passado, a categoria organizou uma greve histórica por causa da alta do combustível mais consumido no país, o que abalou a Petrobras, culminando com a renúncia do então presidente Pedro Parente.

Bolsonaro faz uma escolha

Ao intervir no preço do Diesel, Bolsonaro pretende evitar uma nova paralisação dos caminhoneiros, que causou grandes transtornos na economia em 2018. Naquela ocasião, a inflação aumentou, o Ibovespa apresentou uma forte queda e o preço da gasolina disparou.

Bolsonaro preferiu escolher uma leve queda no Ibovespa (que já vinha em tendência de baixa) a uma nova paralisação dos caminhoneiros, que poderia ser ainda pior do que a que ocorreu em 2018. Ainda assim, não é recomendado que governos façam esse tipo de intervenção.

O mercado acha que Bolsonaro “Dilmou” e esboçou mais desconfiança ainda em relação à gerência da Petrobrás. Vale lembrar que o controle dos preços administrados trouxe péssimas consequências para a economia brasileira após a eleição de 2014.

O Ibovespa, índice da bolsa de valores brasileira, fecha em baixa, cotado a 92 mil pontos, com uma queda de 1,89%.