Em um cenário de crescimento dos crimes digitais, o consumidor demonstra maior confiança em instituições financeiras do que em autoridades públicas para se prevenir ou buscar apoio contra golpes e fraudes.
É o que revela o relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2025, conduzido em mais de 40 países pela organização sem fins lucrativos Global Anti-Scam Alliance (GASA), com uma versão exclusiva em que os pesquisadores reuniram os dados de mil brasileiros entrevistados.
Para os respondentes no Brasil, bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas (1º lugar) estão mais bem preparados para oferecer respostas diante das fraudes, especialmente em aspectos como educação sobre golpes (59%), facilidade de denúncia (58%) e suporte às vítimas (52%). Autoridades de proteção ao consumidor aparecem em 2º lugar na percepção, enquanto a polícia e governo ocupam o 5º e 6º lugares, respectivamente.
A média global, enquanto isso, mostra que as companhias de seguro estão em 1º lugar na preferência do consumidor para prevenir ou resolver golpes digitais. Bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas ficam em 2º lugar e, em 3º, a polícia.
“O relatório mostra que confiança não se constrói apenas com discurso. A segurança de dados é um componente estratégico para gerar competitividade. O cliente quer saber não apenas quem fala sobre segurança, mas quem está preparado para cuidar do assunto e resolve o problema quando um golpe acontece. Com o tempo, ele vai dar preferência à relação exatamente com as organizações que têm mais condições de coibir as fraudes. Quem souber orientar o consumidor a se proteger tende a criar ambientes mais seguros e construir melhores relacionamentos com o cliente”, destaca Renata Salvini, diretora do capítulo Brasil da GASA.
Uma rede internacional contra o golpe digital
Em comum, as instituições mais bem classificadas pelos consumidores possuem recursos como bloqueio de transações suspeitas, canais acessíveis de atendimento e iniciativas contínuas de educação do cliente.
A GASA atua globalmente para fomentar o compartilhamento de dados entre empresas e instituições, buscando acelerar a identificação de ameaças e reduzir o tempo de resposta a fraudes.
“Precisamos de mecanismos que reforcem esse aprendizado e a capacidade de proteção de forma constante, acompanhando a evolução das táticas dos golpistas. Para isso, promovemos três eventos internacionais por ano, investimos em estudos, organizamos comitês e facilitamos a conexão para que executivos troquem experiências e aperfeiçoem diariamente seus métodos. Embora as ferramentas tecnológicas sejam importantes, cultura corporativa e conhecimento fazem a diferença na prevenção dos crimes”, completa.
Na comparação entre Brasil e o cenário externo, os dados revelam um quadro heterogêneo, que reforça a importância da troca de informações entre os países.
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