A recente polêmica entre Bolsonaro e Macron trouxe à tona os desejos colonialistas franceses sob a Amazônia. Mas o que poucas pessoas sabem é que a França tem seus mais obscuros desejos realizados nas suas “antigas” colônias, sob o sutil controle monetário de Paris, os países africanos são espoliados e jogados na pobreza.

Nesse artigo vamos conhecer as políticas monetárias obscuras de Macron. Uma história cheia de intrigas, assassinatos e guerras.

África, o jardim dos franceses

Soldado francês em guarda na cidade de Bangui, República Centro-Africana
Soldado francês em guarda na cidade de Bangui, República Centro-Africana

Mesmo depois dos países africanos ganharem independência dos franceses há décadas, Paris ainda exerce uma enorme pressão nesses Estados.

Para se ter uma ideia da extensão e influência dos franceses nas suas antigas colônias, eles estiveram envolvidos em TODOS os conflitos armados e golpes dos últimos 10 anos.

Do golpe no Gabão, até as lutas contra terroristas do ISIS no Mali, pode ter certeza que há um dedo francês por lá.

A mais recente intervenção liderada pelos franceses aconteceu em 2011 na Costa do Marfim. Eles depuseram o antigo governante a tiro de canhões por não seguir a cartilha francesa. Hoje a Costa do Marfim é o principal fornecedor de chocolate e café para a França;

Mas se você acha que a intervenção armada é inaceitável, bom, é porque ainda não viu a intervenção monetária e o seu rastro de sangue.

A Escravidão Monetária

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A França detém o controle monetário de 14 países africanos e 160 milhões de pessoas. Por uma série de acordos, a França obrigou esses países a guardar 50% de suas reservas financeiras internacionais em Paris (no tesouro francês) e emitir uma moeda chamada de Franco CFA.

Só em recursos das reservas internacionais dos países africanos a França acumula todo ano ~500 bilhões de Euros. Os países africanos só podem utilizar 15% dessa reserva, se eles quiserem mais terão que pagar juros pelo seu próprio dinheiro com taxas definidas pelos franceses.

O sistema francês funciona para dois blocos econômicos, se dividindo entre o CFA Ocidental e CFA Central. Ou seja, duas moedas “garantidas” pela França.

West CFC Franc | Fonte: Visual Politik

Como assim garantidas?

Em troca da soberania financeira, a França iria garantir uma moeda estável e a convertibilidade fixa entre francos (agora Euros) e CFA.

Porém a parte do acordo francês nunca foi realmente cumprida. Em diversas situações na história o CFA perdeu força e a França nada fez.

O que de fato o CFA significa para os países Africanos?

Repare que todos os países que adotam essa moeda são pobres e completamente subservientes ao domínio francês.

Os Bancos Centrais desses países não têm autonomia para ditar suas políticas econômicas. Sendo o CFA conversível diretamente ao Euro, acontece uma grande fuga de capitais, diminuindo os recursos disponíveis para crédito.

Sem poupança, as indústrias não conseguem se desenvolver. Muito menos o setor de extração e agropecuário, cujos monopólios foram concedidos a empresas francesas.

Na Argélia, a França tem o monopólio do comércio de gás. em Mali, os franceses conseguem Urânio fácilmente, e em outras nações as companhias de Paris têm vantagens, como disse o pesquisador Meera Venkatachalm da Universidade de Mumbai:

“As companhias francesas detém um quase monopólio dos recursos estratégicos das economias francófonas. Exemplos incluem eletricidade, comunicação, infraestrutura, aeroportos e portos.”

As companhias francesas levam para casa cerca de 1,6 bilhões de euros, basicamente atuando no setor primário. Alguns dos recursos, como o Urânio são essenciais e estratégicos para o país de Macron.

exportações da África para França
Exportações de países da zona CFA para a França

Uma história de sangue por liberdade monetária

Muitos governantes da zona CFA tentaram se livrar da influência francesa, porém Paris usou dos mais sórdidos métodos para se manter no controle.

Em 1963 na recém independente República do Congo, Sylvanus Olympio (o primeiro presidente do país), negociava a retirada dos franceses do país, que era colônia francesa.

De Gaule (presidente francês) impôs o pagamento de “débitos coloniais” equivalentes a 40% de toda riqueza gerada pelo pequeno país e imposição do sistema CFA, em troca, os franceses iriam sair pacificamente de lá;

Olympio não gostou dessas imposições e resolveu sair da zona do CFA e imprimir sua própria moeda. Três dias depois, um legionário francês chamado Etienne Gnassingbe assassinou Olympio e ganhou $612 como recompensa.

No Mali, o primeiro presidente do país também sofreu um golpe ao se retirar do CFA Francês, outra vez um legionário francês liderou a tomada de poder.

França no terceiro mundo

Os países que usam o Franco CFA continuam extremamente pobres, a elite política e industrial francesa se aproveita da superioridade militar para garantir acesso exclusivo a recursos estratégicos.

Macron tenta aumentar a influência francesa na África por meio da língua (soft power) e usando de empréstimos para garantir favores às empresas francesas.

Enquanto a França continuar com suas políticas coloniais, os países africanos francófonos não têm esperanças de desenvolvimento.

Segundo Jacques Chirac, primeiro ministro francês de 1947 a 1976, a França depende da África:

“Sem a África, a França seria um país de terceiro mundo”