Muitas pessoas que possuem uma grande experiência no mercado de criptomoedas ainda possuem dificuldades de compreender a relação entre o btc e a mineração, perguntas como como funciona a mineração?”, “quais os riscos que os mineradores podem trazer ao btc?” ,“onde estão os mineradores?” entre outras, são muito comuns entre a comunidade das criptomoedas.

Pensando em responder todas essas dúvidas, hoje irei fazer uma análise mais aprofundada do mercado de mineração, elemento fundamental do mercado de criptomoedas.

Para isso iremos explicar como ocorre a mineração de criptomoedas e depois todo o sistema por trás desse processo.

Me chamo Orlando Telles, e sou responsável pela área de Research da Mercurius. Caso tenha qualquer dúvida que queira tirar comigo é só me chamar.

Por se tratar de um tema complexo, produzimos também um vídeo de 8 minutos para te ajudar na compreensão do conteúdo, confira:

Como minerar um btc?

Como já comentamos, o Bitcoin possui um sistema por trás dele (a Blockchain).

Esse sistema é responsável por armazenar, de forma transparente e segura, todas as informações de transações da rede.

Mas como esse sistema sabe que uma transação é verdadeira ou não?

Para saber se uma transação é verdadeira ou não, toda a vez que uma pessoa deseja validar uma serie transações do btc e anexá-la à Blockchain, ela precisa resolver um problema matemático muito complexo proposto pela Blockchain (que só pode ser realizado por super computadores e exige a realização de milhares de cálculos por segundo).

Então, quando alguém consegue resolver esse problema, essa pessoa ganha o direito de anexar aquele conjunto de transações na rede do BTC, mas antes ela deve mostrar a solução do problema para 50% +1 da rede e provar que, de fato, ela possui a resposta correta (proof of work) e com isso ela ganha esse direito de anexar uma informação da Blockchain.

Agora você deve estar se perguntando: “o que isso tem a ver com a mineração?”

Eu acabei de descrever o processo de mineração pois, basicamente, a pessoa que consegue anexar essas novas transações na rede do BTC recebe duas recompensas: as taxas de transações (aquelas que você paga quando deseja transacionar algum BTC) e a Coinbase (um subsidio da rede que dá a pessoa “novos Bitcoins” criados naquele momento).

Evidente que essas recompensas são muito atrativas para diversas pessoas, logo elas começam a competir entre si para validar as transações e anexar essas a rede.

Esse é o ecossistema dos mineradores, basicamente, eles são os responsáveis por validar e movimentar toda a rede do Bitcoin.

Como ocorre isso?

Como você imagina que é uma fazenda de mineração de btc?

A resposta é que ela é mais ou menos como a imagem acima, uma grande quantidade de ASIC (equipamentos especializados em mineração de Bitcoin) ligados 24 horas consumindo milhares de Kw de energia.

Para você ter uma noção, o custo elétrico médio de uma fazenda de mineração chega na região dos 1 milhão de dólares por mês.

Todo esse consumo tem a finalidade de manter milhares de máquinas ligadas que estão tentando resolver problemas matemáticos para validar (minerar) as criptos.

É evidente que uma operação em escala industrial como essa, com uma grande dependência de energia elétrica não poderia ficar em qualquer local do mundo e nem pode ser desenvolvida com grande facilidade.

Onde estão os mineradores?

Os mineradores de criptomoedas acabam se concentrando em regiões do mundo muito especificas que possuem um baixo custo energético, condições favoráveis para adquirir o equipamento e para a manutenção desse.

Por esse motivo, hoje mais de 65% dos mineradores estão concentrados na China, mais especificamente na região de Xinjiang (possui 35% da Hash Rate do BTC), em que há uma grande abundância de energia elétrica de baixo custo, através de hidrelétricas e a possibilidade de resfriamento das máquinas de forma mais simples.

Distribuição da Hash Rate pelo mundo

E após ver essa distribuição sei exatamente o que você está pensando: “não há algum risco nessa concentração na China?”

Riscos associados a mineração

Essa concentração existente na China implica que qualquer pequena alteração nessa região (em especial em Xinjiang), seja por questões climáticas ou questões regulatórias, deixaria a rede do Bitcoin exposta de maneira severa (sim, o BTC possui um risco sistêmico). Algo, inclusive, que já ocorreu nesse ano, dado que a região está sofrendo com uma grande inundação que causou a redução da Hash Rate do BTC em quase 20% em uma única semana.

Impactos das enchentes na China na Hash Rate

Fica claro que é fundamental entender o que está por trás de toda a infraestrutura do Bitcoin para tomar a melhor decisão o possível e saber os reais riscos dos criptoativos (que podem não ser só virtuais), inclusive já abordamos esse tema em um dos nossos relatórios da Bitcoin Starter.

Como dica final: estude e entende todo o ecossistema envolvendo o BTC isso será fundamental para tomar as melhores decisões dos seus investimentos, inclusive ainda teremos outras análises sobre a mineração do BTC, aprofundando ainda mais sobre o tema.

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