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Como o governo do PT prejudicou os caminhoneiros

Já tem dois ou três dias que estou escutando o crescimento de boatos sobre uma suposta nova greve dos caminheiros, quase exatamente 1 ano depois daquela que ocorreu em maio de 2018. Eles reinvindicam melhores condições de trabalho e combustíveis mais baratos. O problema é que o buraco é mais em baixo.

As desgraças econômicas feitas durante o governo do PT até hoje assombram o Brasil. Entendo o ódio que a população brasileira sente por ele, afinal, suas políticas afetaram negativamente a vida de milhões de pessoas, causando desemprego e endividamento.

Não vou comentar sobre os muitos erros grotescos cometidos por ela, não quero que esse artigo se transforme em uma epopéia. Gostaria de lembrar de apenas um: o Procaminhoneiro. Esse programa é basicamente a estupidez encarnada e uma política demagoga e barata, é uma hecatombe.

Procaminhoneiro: a hecatombe rodoviária

Procaminhoneiro, estabelecido em 2006, é uma iniciativa do BNDES para a redução de juros e aumento de prazo para a aquisição de veículos novos ou usados (com até 15 anos de fabricação).

Ou seja, quem quiser, poderia financiar até 100% do caminhão pagando juros menores com um prazo maior. Sabe o que isso significa? O governo inundou o mercado de frete com novos caminhões e empresas prestadoras desse tipo de serviço.

Em 2013, a venda de caminhões bateu recorde no Brasil. Foram anos seguidos do crescimento da frota. Em quase todos os anos, ela cresceu mais do que o próprio setor de fretes e transportes, segundo dados do IBGE. O gráfico abaixo mostra o crescimento.

Em números absolutos, nossa frota de caminhões quase que dobrou. Saímos de 1,5 milhão para um pouco mais de 2,5. Como você viu no gráfico acima, só em 3 anos o mercado cresceu mais que a frota. No gráfico abaixo, é possível ver o crescimento da nossa frota de caminhões em 16 anos.

Mas se o número de caminhões cresce mais do que o serviço, então o que acontece? Simples: o preço dos fretes diminui e o lucro dos caminhoneiros também. Quanto mais gente oferecendo um serviço, maior a concorrência e mais barato esse serviço se torna. Os lucros diminuem até que sobrem os mais eficientes.

É a economia! Sempre foi.

É a economia básica, fria e imutável. Tentar desafiar isso é tentar jogar contra a lei da gravidade. Não funciona, ela sempre vence. Aqui tem um guia básico sobre economia.

Dessa forma, aquele pequeno caminhoneiro autônomo acabou sendo engolido por grandes transportadoras que escalam sua capacidade de transporte e diminuem custos. O governo, através de um populismo barato e demagogo, conseguiu provocar uma distorção gigantesca nesse mercado.

Mas essa é só uma parte do problema. Ainda tem os preços administrados pelo governo. A Dilma segurou o preço da gasolina e do Diesel para se reeleger em 2014. Isso foi feito às custas da quase destruição da Petrobrás. Em 2015, a presidenta soltou os preços e os combustíveis tiveram um reajuste pesado.

Se a receita dos fretes não estava boa, os custos aumentaram brutalmente. Muitos caminhoneiros passaram a ter prejuízo. Agora, o reajuste dos combustíveis é feito da maneira correta: flutuando de acordo com os preços praticados do mercado.

Bolsonaro, assutado com uma nova greve, ligou na Petrobrás para tentar evitar o reajuste do Diesel, que precisava ser feito. Em um primeiro momento colou, mas depois ele foi convencido a mudar de ideia. Depois disso, os caminhoneiros passaram a ameaçar uma greve.

Por que a gasolina não fica mais barata?

Os caminhoneiros argumentam que o preço da gasolina foi reduzido nas refinarias, mas o efeito foi pouco sentido nas bombas. É um argumento honesto. A resposta para isso é simples: estrutura de distribuição e impostos. Antes de chegar aos postos, ela vai da refinaria para as distribuidoras, passa pelos postos e chega ao consumidor final.

45% da gasolina brasileira é composta por tributos, além disso, os postos e as distribuidoras têm de tirar a margem de lucro deles, ninguém trabalha de graça. Por esse motivo, as reduções de preço na refinaria são menos sentidas quando chegam nas bombas.

O congelamento de preços não pode ser uma alternativa minimamente decente. A menos que você queira destruir o fluxo de caixa da Petrobrás, que já não anda bem das pernas desde a última vez que isso aconteceu.

Uma solução

Se o governo fosse minimamente esperto, não daria mais crédito ainda para os caminhoneiros, como foi anunciado durante a semana. Isso é querer curar a ressaca com mais cachaça: não funciona e não tem lógica.

Bolsonaro ao tentar intervir no preço do Diesel tomou uma decisão: melhor a Petrobrás cair 4% do que o Ibovespa cair mais de 10% com uma nova greve dos caminhoneiros.

Obviamente que deixar que as coisas se resolvam sozinhas seria a solução mais dolorosa, embora racional, mas na realidade as coisas não funcionam assim. Existem inúmeras variáveis que impedem que essa decisão seja tomada, ou o governo age, ou ele age.

Uma solução a curto prazo seria: caso o governo não queira deixar chegar a esse ponto, o que ele pode fazer é comprar uma boa parte desses caminhões e utilizá-los para alguma atividade mais útil ou destruí-los. A solução não é mais caminhões, continuar subsidiando caminhoneiros, uma hora o ajuste chega.

O governo precisa tirar caminhões do mercado, não colocar mais. Se ele não o fizer, o tempo e a razão, que sempre se mostraram aliados do mercado – o farão mais tarde a um custo muito elevado. O grande ajuste sempre chega.

Alem de retirar caminhões do mercado, o governo precisa abrir mão dos altíssimos impostos sobre a gasolina. Não é possível que a gasolina produzida aqui seja mais barata no Paraguai. O leviatã é insaciável e precisa de mais dinheiro.

Obviamente que o problema de transportes no Brasil é estrutural. Começou quando Juscelino Kubitscheck, um dos piores presidentes da história junto ao Getúlio Vargas, decidiu pela opção do transporte rodoviário, que é um dos menos escaláveis do mundo.

As políticas de crédito, subsídio e benefícios ajudaram a distorcer todo um setor, induzindo muitos caminhoneiros ao erro. O PT prejudicou milhares de caminhoneiros e o pior, eles não sabem disso.

Sobre o criador de conteúdo

Economista em formação, escritor por vocação. Gosto de fazer investimentos, penso a longo prazo, mas não abro mão de fazer alguns trades. Trabalhei como Community Manager por 1 ano, representando a Foxbit e estou no mercado de criptomoedas desde 2016, mais especialmente no Bitcoin.

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