Uma vez já foi uma das 10 maiores economias do mundo; as dívidas da Itália se amontoaram a ponto de dependerem dos empréstimos de países vizinhos e do Banco Central Europeu para lidar com atuais déficits.
O Primeiro Ministro Giuseppe Conte enfrenta a situação onde o governo emite empréstimos públicos e acumula dívidas que se aproximam de 140% do PIB atual.
O BCE, por sua vez, passou a restringir alguns gastos, para evitar endividamento excessivo do país.
“Tudo depende de garantias no nível Europeu para evitar uma reação do mercado. O Banco Central Europeu está pronto para realizar as compras necessárias?”
Pietro Reichlin, professor de economia da Universidade Luiss
Para combater a crise e as emergências da Saúde, estarão injetando aproximadamente €50 bilhões (ou R$287 bilhões) na economia. Isso aumentará os empréstimos a até 135% do PIB, mais que o dobro da proporção da Alemanha.

“A economia local pode recuar 6% neste ano, com o consumo das famílias caindo 6,8% e os investimentos brutos nas empresas caindo 10,6%”, informa relatório da Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria).
Além disso, a agência da União Européia Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) possivelmente poderá garantir créditos aprimorados para auxiliar o governo.
O possível fim de um bloco?
Porém, o medo de muitos políticos, empresários e banqueiros é o da Itália fragmentar o bloco econômico com seus elevados endividamentos generalizados, por consequência da crise.
“Níveis de dívida pública muito mais altos se tornarão uma característica permanente de nossas economias e serão acompanhados pelo cancelamento da dívida privada”.
“A alternativa, uma destruição permanente da capacidade produtiva e da base fiscal, seria muito mais prejudicial”.
Ex-presidente italiano do BCE, Mario Draghi, em artigo de opinião para o Financial Times
Por conseguinte, o BCE sucateou limites de compras de títulos para o programa de emergência de 750 bilhões de euros.
“Sem ajuda e garantias das instituições europeias, a Itália provavelmente já estaria em uma crise de dívida soberana.
Felizmente, o BCE manifestou claramente sua disposição de extinguir quaisquer incêndios no mercado de títulos do país com o Programa de Compra de Pandemia.
Além disso, o ESM fornece um pano de fundo para amenizar as preocupações dos investidores.”
David Powell, comentarista de economia do Bloomberg
De acordo com o ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti, acredita que os membros mais ricos do euro (como Alemanha e Holanda) deveriam se inscrever na emissão conjunta de dívidas para ajudar os países mais pobres nos tempos difíceis.
Em entrevista ao Sky TG24, ele disse que a alternativa pode ter consequências graves. “Eles precisam escolher entre permitir o nascimento de títulos em euros ou permitir que o BCE morra”, disse ele.
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