A antiga maior empresa de bitcoins no Brasil não começou grande, o Atlas Quantum teve um começo simples, mas que foi essencial para que ela se tornasse o colosso que foi. Nessa divulgação exclusiva, vamos revelar como um programador quebrado conseguiu levantar milhões em bitcoins e erguer o Atlas.

As revelações aqui feitas são de um ex-funcionário do projeto Atlas, que trabalhou para Rodrigo Marques (CEO da Atlas) quando a empresa estava dando seus primeiros passos.


Continuaremos as revelações com tudo que foi vazado no canal do Telegram Cointimes Leaks, pois diferente do Facebook, ele entrega o conteúdo para 100% dos assinantes. Fique ligado também por lá.


Rodrigo Marques, a mente por trás de tudo

Rodrigo era um talentoso programador, que inclusive desenvolveu um aparelho de atendimento para surdos na década de 90:

Em 2011 ele diz ter conhecido o Bitcoin e minerado 11 criptomoedas. Sua aventura com Bitcoin não parou na mineração. Ele foi para Honduras tentar abrir uma exchange:

“A ideia era criar uma corretora para facilitar as negociações dos trabalhadores, usando o que o Bitcoin tem de melhor: a capacidade acabar com intermediários desonestos e onerosos.“, diz o blog do Atlas.

Quando ele voltou de Honduras em 2015 após fracassar em empreender com um negócio de Bitcoin, acabou se casando e teve uma filha.

Morando em um bairro afastado de São Paulo e dependendo da mãe, Rodrigo começou a planejar o Atlas.

Carregando o Atlas nas costas

Atlas é o titã mitológico grego que foi condenado por Zeus a carregar os céus nas costas. Geralmente ele é referenciado como a representação do excesso de incumbências e tarefas na vida.

No caso da empresa Atlas Quantum, a referência não é tanto do mito grego em si e sim da obra “A Revolta de Atlas”. O livro escrito pela objetivista Ayn Rand conta a história de empresários contra o governo (não vou dar spoilers), a obra é essencial para qualquer liberal ou libertário.

E é nesse meio liberal e libertário que a história do nosso titã começa.

Em 2015 o movimento Students for Liberty (Estudantes pela Liberdade – EPL) estava em alta no Brasil, eles tinham dinheiro, pessoas jovens e muitas delas envolvidas com Bitcoin. O grupo começou a atuar no Brasil em 2010 para dar aos estudantes um contraponto ao pensamento socialista dominante nas universidades e escolas.

Era tudo que Rodrigo precisava para dar o pontapé inicial. Mas para participar do EPL (ele não entrou no EPL, mas se relacionava com membros do grupo) ele precisava de dinheiro para ir às reuniões, fazer viagens e pagar cafés. E dinheiro era algo que Rodrigo não tinha.

E é aí que entra o investidor que figurativamente carregou o Atlas por muitos meses, Dino Etcheverry.

Dino é um espanhol madrilenho dono de uma rede de lojas de calçados, um empresário bem sucedido que já empreendeu na área de games e hoje tem duas empresas relacionadas a tecnologia do blockchain.

Dino Etcheverry Foxbit
 Dino Etcheverry

Dino foi convencido por Marques que o projeto Atlas seria um sucesso. Eles abriram o Atlas nos Estados Unidos, usando o endereço em Portland, Oregon.

documento do atlas vazado
Documento vazado por ex-funcionário.

O endereço do documento vazado acima leva a um galpão, que serve de endereço para várias empresas.

Provavelmente um endereço comercial. É muito comum você vê esse tipo de postura das empresas, só serve para receber cartas.

galpão sede do Atlas Quantum nos EUA
 Sede da Atlas Quantum nos Estados Unidos.

Em pouco tempo todas as despesas de Rodrigo estavam sendo bancadas por Dino. Com esse dinheiro, Rodrigo conseguiu entrar e ter influência no EPL.

Diversas fontes revelaram que Rodrigo tentava convencer os membros mais ricos do EPL a aportarem no Atlas. Mas apesar das várias tentativas, ele não obteve sucesso:

“O Rodrigo vivia em Porto Alegre tentando conversar com os amigos do Fabrício [Sanfelice], então quem pagava essas viagens era o Dino, pois o Rodrigo não tinha um tostão furado”, disse um ex-funcionário.

A revolta do Atlas Quantum: Pagamentos atrasados

Agora dentro do EPL, Rodrigo começou a fazer um processo de seleção, e a promessa de um salário de US$ 2.000,00 por mês atraiu muitos jovens. Como o Atlas não tinha sede, os funcionários selecionados trabalhariam em casa. Uma boa proposta para um país em crise.

Mas o grande problema é que Rodrigo não tinha como pagar 2 mil dólares. Dino não aportava dinheiro diretamente no Atlas, ele pagava as viagens do Rodrigo, que tentava desesperadamente achar novos investidores.

Marques foi honesto, ele disse para os recém contratados que ele não teria o dinheiro do salário por 2 meses. Contrato fechado, o Atlas tinha seus primeiros funcionários.

Porém, mesmo após os dois meses combinados, Rodrigo continuou sem pagar seus funcionários. Um ex-funcionário vazou de forma anônima que Marques prometia que o pagamento seria feito após a entrada de um grande investidor.

Por 12 meses foram só promessas, os funcionários que saíram receberam uma promessa de pagamento em papel:

“Ele deu um papel, uma espécie de ‘convertible notes’ e só depois que o Atlas teve sede é que a gente conseguiu resgatar o dinheiro.”

Apesar de dizer que não tinha dinheiro, os funcionários suspeitavam que o “grande investidor” já teria aportado dinheiro no Atlas e Rodrigo estava só enrolando os funcionários.

O que Rodrigo fazia com o dinheiro do investidor? E dos pequenos investidores que começaram a entrar no Atlas?  O que aconteceu com Dino?

Continuaremos as revelações dessas perguntas e mais tudo que nos foi vazado no canal do Telegram Cointimes Leaks.