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Gasolina e Bitcoin: Efeitos da escassez Economia

Gasolina e Bitcoin: Efeitos da escassez

Entenda o impacto da escassez na precificação de produtos e do Bitcoin

Rafael Lemos
Rafael Lemos

Nos últimos dias, estamos vivenciando no Brasil um cenário atípico devido à greve dos caminhoneiros, que resultou na diminuição do abastecimento de diversos produtos e, consequentemente, uma elevação no preço destes bens e serviços. A razão deste comportamento é que a oferta do mercado não está sendo suficiente para suprir toda demanda.

Vamos criar, neste texto, um paralelo entre a atual situação do Brasil e o comportamento previsto para alguns criptoativos, mais precisamente o Bitcoin.

Lembro que na minha primeira aula do curso de economia fui ensinado a respeito da lei da oferta e demanda. Este é o ponto de partida para qualquer análise de mercado ou estudo econômico. Utilizarei estes gráficos para ilustrar o raciocínio do post.

oferta e demanda escassez

Fonte: https://www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2719

O gráfico acima é bem simples, e a intuição por trás também. No eixo X temos a quantidade e no eixo Y temos o preço do bem. O mercado encontrará um preço e quantidade de equilíbrio, que será determinado pelo encontro da curva de oferta com a curva de demanda. Este é o ponto ótimo, onde não há excesso ou escassez no mercado, então podemos dizer que todo mundo sai feliz.

O problema é que a economia passa por cenários atípicos que podem quebrar essa igualdade. No caso da greve dos caminhoneiros, houve uma queda do lado da oferta (retração da oferta), representado por um deslocamento da curva S para esquerda no gráfico, como pode ser visto na imagem abaixo.

escassez bitcoin gasolina

Fonte: Khan Academy

A retração da oferta é vista no gráfico acima, quando a oferta sai de S0 e vai para S1, se igualando à demanda antiga D0 no ponto E1, com um preço mais alto e quantidade menor do que a anterior (E0). Ou seja, a retração da curva de oferta causou um aumento no preço de mercado deste bem (vamos supor que seja a gasolina), já que há uma oferta disponível menor no mercado, necessitando que haja um aumento no preço para que seja encontrada uma nova igualdade.

Por conta do aumento do preço da gasolina, há uma retração também na curva de demanda (saindo de D0 para D1). Esta retração da curva de demanda é explicada porque há uma quantidade menor de pessoas que estejam dispostas a pagar mais caro pela gasolina, seja porque não têm condições financeira ou simplesmente acham que o custo não vale mais a pena. Esta retração da curva de demanda ocasiona uma nova igualdade no gráfico, que é o ponto E3, onde a curva S1 e D1 se encontram.

Tá, mas qual a relação com o Bitcoin?

Como pudemos constatar, uma retração na curva de oferta, mantido o comportamento padrão da curva de demanda, leva a um aumento do preço de mercado deste bem. A causa disso é a escassez, a falta de recursos suficientes para suprir a demanda. No caso do Bitcoin, ele é um ativo que possui a oferta travada em 21 milhões de unidades, o que por si só já é um grande atrativo.

Somado à escassez do Bitcoin, outro fator joga em favor das pessoas que adquirem o criptoativo pensando no longo prazo (holders), o chamado Halving.

O processo de extração/emissão de novas unidades de Bitcoins é feito através da mineração, em forma de recompensa ao minerador que primeiro validar um novo bloco de transações. O Halving é uma regra do protocolo Bitcoin que reduz esta recompensa pela metade a cada 210 mil novos blocos validados (aproximadamente de 4 em 4 anos).

Halving: O que muda para investidores e mineradores?

Em outras palavras, o Halving é como se a cada 4 anos a quantidade de gasolina nos postos reduzisse pela metade. Imagine os impactos deste cenário.

Este comportamento de retração da curva de oferta do Bitcoin é o que garante esta característica deflacionária da criptomoeda criada por Satoshi Nakamoto, e para muitos um ótimo modo de conservar seu capital e proteger-se de instabilidades políticas/econômicas, além de moedas fiat inflacionárias.

Por que alocar parte do seu capital em bitcoin?

Rafael Lemos
Rafael Lemos

Estudante de Economia, com grande interesse por finanças. Dedico boa parte do meu tempo a projetos relacionados à Criptoeconomia. Atualmente trabalho na Foxbit, na produção de conteúdo.