Gasolina é útil mas não a beberia

Olá caro leitor!

De antemão, peço desculpas pelo excesso de ironia neste texto. Você pode incomodar-se se quiser ou absorvê-la e tornar a leitora mais leve.

Hoje, falaremos um pouco sobre intervencionismo, gasolina, crise econômica na Argentina, aumento de preço da Netflix e controle de preços. Sim! Tudo isso cabe em um texto de forma harmônica, então sente-se, relaxe e boa leitura!

Nem só de vinho viverá o homem

Que a Argentina está em crise a anos isso não é novidade. Como todo bom país socialista, as incríveis e inteligentes medidas intervencionistas (quando o governo mete o dedo onde não deve) como o congelamento de preços e alta carga de impostos, criaram um pandemônio que tem feito muito bem a toda a população.

O presidente Argentino, Mauricio Macri, anunciou na quarta-feira, 17/04, o controle de preços de sessenta itens da da básica, mais serviços públicos como o transporte e uma linha especial de crédito a microempreendedores.

Por fim, um programa de quitação de dívidas com a Receita Argentina. A medida de congelamento durará até outubro, período em que acontecerão novas eleições presidências e que Macri, com um incrível milagre de Deus pretende ser reeleito.

A economia argentina é uma das mais quebradas do mundo, apesar de orgulhosamente não admitirem. Fazem isso também com a escravidão que juram de pés juntos não ter acontecido, quando na verdade dizimaram todos os negros do país.

Recentemente, apelaram para o FMI (Fundo Monetário Internacional) em uma nova dívida que fez com que sua moeda caísse pela metade em valor. O efeito foi tão devastador que jogou a inflação para mais de 40%, quase dez vezes mais do que o esperado para o Brasil até o final do ano.

Empréstimos como esse são o resultado de um lindo histórico de boa gestão, onde o governo ano após ano criou um sistema de encarceramento dos resultados do trabalho do cidadão e fortaleceram a máquina estatal.

Com uma das maiores cargas de impostos do mundo, a Argentina entrou para o ranking da Heritage Foundation como um dos países mais caros para se viver. Claro, se você ganha em peso argentino. Se foi para lá curtir as férias com algumas centenas de dólares você provavelmente será rei interino.

A inspiração

O intervencionismo Argentino tem raízes fortes. Foi inspirado no modelo Russo de gestão onde o estado em sua benevolência revogou e controlou praticamente tudo e a todos.

Os preços, os bens, os serviços, o mercado. Tudo era controlado pelo governo. Até os sapatos eram regulados e seguiam um padrão de cor e tamanho.

Imagine você, caro leitor, acordar pela manhã para trabalhar, calçar o sapato do governo, comer a comida que o governo permitiu, usar o transporte que o governo quer e ir para o trabalho que o governo te ordenar. SERIA UMA MARAVILHA!

Quem não quer uma estabilidade como essa, não é mesmo?

Pessoas morreram de frio, famílias não tinham o que comer, faltava tudo porque tudo era do governo e o mercado não existiu por um tempo. Uma das mais avassaladoras medidas fora o controle de preços e veremos abaixo como isso funciona.

Controle de Preços

O exemplo de Mises no livro “As seis lições” diz respeito ao leite. Em uma lógica simples ele mostra como o controle de preços do leite geraria uma reação em cadeia que faria mais mal do que bem. Vou honrosamente plagiá-lo e converter o objeto de estudo no serviço de streaming da Netflix.

Recentemente o preço do serviço aumentou. Tão útil quanto o programa do Gregório Duvivier, um escarcéu se formou em torno do assunto e grupos histéricos protestaram em redes sociais.

Não vou discutir aqui os motivos do aumento, mas, suponhamos que ele não acontecesse.

Existe um custo para que o serviço chegue até o seu celular, pc ou TV. Justo ou injusto, o objetivo do preço é cobrir todos os custos necessários para que você consumidor tenha o acesso.

Como, por exemplo, o envio de dados, a produção de conteúdo, contratos, energia elétrica, mão de obra qualificada etc. Tudo tem seu preço e a cada um compete cobrar o quanto considera justo pelo serviço que presta.

Considere então que, por exemplo, o custo da internet aumente. No geral mesmo! Internet mais cara porque blá blá blá…

Uma vez que o serviço de streaming utiliza esse recurso, três medidas de imediato poderiam acontecer:

A primeira medida, o ajuste ao novo cenário aumentando o preço do produto para se adequar à nova realidade. A segunda, manter os preços mas diminuir a qualidade do serviço. E a terceira, assumir o ônus arcando com o prejuízo.

Um parêntese aqui: o leite de caixinha que você toma é uma porcaria se comparado a leite de verdade. Experimente um leite de fazenda mesmo, recém ordenhado, que perceberá a diferença entre ele e a soda pasteurizada que tomamos.

Voltando ao Netflix… A atitude mais provável é a de adaptar-se e aumentar o preço do produto (Sabemos que os impostos não diminuirão, o que seria a melhor solução).

Bem provável mesmo, uma vez que a tecnologia corre em um ritmo de sístole e diástole barateando-se e encarecendo-se a à medida que é absorvida pelo mercado.

Imagine então se um decreto vindo de cima dissesse que o preço da assinatura da Netflix deveria ser congelado em digamos, R$16,90 sob a alegação de que o novo preço mais alto não é inacessível a determinada classe social. Parece bom, não? Um governo que se preocupa com os menos favorecidos e que quer que todos tenham acesso ao serviço.

Agora o serviço está mais barato mas lembre-se que a internet continua mais cara. Quem manda na Netflix dirá então: governo, sua atitude está me dando prejuízo pois eu ainda pago caro pelo serviço de internet.

O pai governo dirá então: calma filha! Vamos também congelar o preço da internet. Os provedores estão irados agora, porque o que está mais caro em relação ao cenário é o preço do cabo de fibra ótica.

Mais uma vez o governo intervém e congela na canetada o preço do cabo de fibra ótica, o que faz com que o preço dos insumos passem a ficar mais caros no novo cenário. E assim vai.

Agora produz-se menos matéria prima porque diminuiu a produção de cabos, para manter menos serviços de internet, para entregar menos velocidade a Netflix, para manter o preço da assinatura baixa, para que mais consumidores tenham acesso ao serviço.

No final, como o serviço se tornou escasso pelo fato de toda a produção ser prejudicada em função do congelamento de preços, nem os novos clientes terão acesso ao serviço, nem os clientes antigos continuarão tendo acesso, já que todo o processo agora é inviável e gera perdas constantes para toda a cadeia de produção.

Voltemos ao título para concluir o texto

Mises disse isso ao ser questionado sobre o do governo ser algo bom ou ruim e ele diplomaticamente respondeu: “a gasolina me parece boa, útil para muitas coisas, mas não me atreveria a bebê-la”.

Essa visão um tanto minarquista indica claramente que a melhor forma de o estado ser eficiente é não metendo o bedelho no que não lhe compete. Para ser mais específico, a melhor forma de o estado ser eficiente é fazendo apenas o que lhe compete.

Como o estado é mantido pela população, que seja então a própria população a definir qual será a atuação do mesmo. Ainda sobre o Minarquismo mas com um cunho religioso, “biblicamente falando” o estado existe se não apenas para punir os criminosos e louvar os bons.

Somente isso e nada mais.

Sobre o criador de conteúdo

Prazer, eu sou o Ronaldo, estudante de Processos Gerenciais, entusiasta de criptoeconomia e amante de política. Vou trazer nesta coluna, uma visão um pouco diferente sobre política com muita cultura pop.

Comentário

  • Druziani
    23 de abril de 2019

    Minarquismo é uma utopia. O estado tende, por inércia, a inchar, até uma hora que já se tornou um monstro, ou seja, é como um tumor maligno.

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