Guilherme Boulos, candidato a prefeito da cidade de São Paulo, mostrou toda sua genialidade ao sugerir a resolução do deficit da previdência com uma solução simples. 

Em entrevista para o Estadão, o candidato do PSOL afirmou ter a solução para um dos maiores problemas do país, a previdência pública.

“Sabe porque que a previdência do serviço público se torna deficitária? Porque não se faz concursos, porque pra previdência se equilibrar você tem que ter gente contribuindo e não só gente recebendo. Então você tem mais gente se aposentando e como não se faz concursos você tem menos gente contribuindo pra previdência pública.”

– disse o candidato Guilherme Boulos.

O rombo público de São Paulo

Boulos fala do déficit previdenciário municipal, o SPPrev (São Paulo Previdência), que ficou com um saldo negativo de R$9,7 bilhões entre janeiro e maio deste ano.

A situação ficaria ainda mais insustentável se uma reforma não tivesse sido efetuada em 2018, na qual os trabalhadores públicos tiveram que contribuir mais e deixaram de ganhar novas aposentadorias acima do teto de R$ 5,6 mil. 


Quer ganhar Bitcoins?
A gente te ajuda nisso.
Abra uma conta grátis!


 

Com a reforma, a prefeitura conseguiu economizar cerca de R$400 milhões e mesmo assim o executivo afirmou que o caixa da maior cidade da América do Sul estava tão apertado que esse valor não daria sequer para ser direcionado a novas obras.

“O sistema que existia é um sistema que foi criado no passado, quando a gente tinha muitos servidores na ativa que financiavam a aposentadoria de quem não estava mais trabalhando. Isso era possível quando tinha dez, 15 na ativa para cada inativo. Só que hoje temos um sistema que é 1 para 1. São 120 mil trabalhadores na Prefeitura e 120 mil aposentados e pensionistas. Então, o sistema não se paga mais”, afirmou Bruno Covas, prefeito de São Paulo.

Guilherme Boulos está certo!

Para quem não entendeu como funciona a previdência municipal, deixaremos bem claro em uma imagem:

O ganhador do prêmio Nobel de economia Paul Samuelson descreveu o sistema da Previdência Social como um esquema de pirâmide:

“A Previdência Social é diretamente baseada no que tem sido chamado de a oitava maravilha do mundo – juros compostos. Uma nação em crescimento é o maior jogo Ponzi já inventado. E isso é um fato, não um paradoxo.” – Economista ganhador do Prêmio Nobel Paul Samuelson, 1976 

Acontece que a população brasileira tem menos filhos e máquina pública já não tem como expandir como antigamente. Dessa forma, o esquema no qual antes 15 trabalhadores pagavam para 1 aposentado, agora é apenas 1 trabalhador pagando para outro. 

Boulos está correto, para um sistema de pirâmide continuar prosperando ele precisa de mais pessoas. Explicamos isso e como surgiu o primeiro esquema de pirâmide em um dos nossos podcasts:

Entretanto, a solução não vai na raiz do problema: o gasto público e o próprio design do sistema. 

“Prêmio nobel de economia para ele. Monstro”, diz Ulrich

Ironicamente, o economista Fernando Ulrich comentou sobre o tema, mas ainda não explicou os óbvios motivos da solução de Boulos não funcionar:

Primeiramente, contratar mais funcionários elevaria o gasto da cidade e obviamente dificulta a situação fiscal. O dinheiro dos novos funcionários será pago por alguém e, geralmente, esse é você meu caro pagador de impostos. 

Além de pagar a previdência, os cidadãos vão gastar ainda mais para sustentar uma máquina pública complexa e pouco efetiva. E no final, de onde vão arranjar mais pessoas para pagar as antigas? Não seria melhor dar dinheiro diretamente para os funcionários em vez de continuar o esquema de pirâmide e deixar essa conta para nossos filhos e netos?

Veja também: Guilherme Boulos pode criar mais sem tetos em São Paulo com sua proposta


BitPreço, o maior marketplace da América Latina. Compare os preços das principais exchanges do Brasil e mundo, e compre Bitcoin, Ethereum e USDT pelo melhor preço sempre.

Crie sua conta grátis agora!