O governo da Argentina está se apressando em importar notas de dinheiro, enquanto a casa da moeda do país luta para acompanhar o crescimento das emissões do Banco Central e a inflação superior a 40%.

A Casa de Moeda da Argentina está importando cédulas de dinheiro pela primeira vez em cinco anos e também está impulsionando suas compras de papel usado para fazer as notas, segundo fontes da Bloomberg.

O ritmo da emissão monetária acelerou nos últimos meses, à medida que o Banco Central cria pesos que o governo usa para pagar por seus planos de auxílios emergenciais. O banco transferiu 1,3 trilhão de pesos (R$ 97,95 bilhões) para o governo até agora este ano.

Economistas expressaram receio de que os planos de estímulo sejam financiados apenas pela impressão de dinheiro, o que acrescentaria combustível à inflação descontrolada.

O valor nominal das notas e moedas em circulação aumentou 80% este mês em relação ao ano anterior. O ritmo no qual os preços dos bens de consumo estão subindo aumenta a necessidade de dinheiro das famílias.

Impressão em capacidade máxima

Atualmente, a casa da moeda opera com 100% de capacidade pela primeira vez desde 2015 e intensificou as compras de matérias-primas para suas notas do exterior, disseram as fontes à Bloomberg, pedindo para não serem identificadas porque as discussões eram privadas.

As fontes acrescentaram que a Crane Currency da Suécia está fornecendo papel para imprimir notas de 1.000 pesos, enquanto a Goznak, estatal da Rússia, está fornecendo papel para notas de 200 pesos.

Também há um pedido internacional em andamento para importar 250 milhões de notas no valor de 500 pesos cada, de acordo com o jornal local Diário da República.

Um porta-voz da casa da moeda argentina disse que, se essa proposta for bem-sucedida, não haverá falta de cédulas. Um porta-voz do Banco Central da Argentina disse que a instituição não está vendo nenhum problema causado por notas bancárias insuficientes.

A capacidade da casa da moeda de atender à demanda de dinheiro do país foi prejudicada no início do ano, quando o governo descartou um plano para começar a imprimir notas de 5.000 pesos pela primeira vez, optando por se concentrar nas notas de alta denominação já existentes (200, 500 e 1.000 notas de peso).

O projeto para a nota de 5 mil pesos foi concluído em março, mas foi arquivado, de acordo com a assessoria de imprensa da Casa da Moeda. Se uma nota de 5.000 pesos estivesse em circulação, a casa da moeda poderia facilmente fornecer ao país notas suficientes, acrescentaram as pessoas.

Talvez, a nova moeda de R$200,00 anunciada ontem pelo governo brasileiro sirva para evitar esse tipo de crise futuramente, visto que há ainda milhões de brasileiros na fila para o saque de auxílios assim como na argentina.

Veja também: Banco Central do Brasil anuncia cédulas de R$ 200

A Casa de Moeda da Argentina tem acordos de fornecimento com o Brasil e o Chile, mas ambas as opções foram consideradas muito caras.