Zhan Ketuan, outrora co-fundador da Bitmain que voltou ao comando da empresa no início deste mês, quer solucionar um conflito interno da companhia com uma recompra de ações.

Em uma carta no domingo, Zhan, que como maior acionista da Bitmain possui 36% de suas ações, ofereceu a recompra de ações do co-fundador rival Wu Jihan.

A recompra de parte da empresa coloca um valor de mercado para Bitmain de 4 bilhões de dólares, maior que o valuation da Alpargatas ou cerca de duas vezes maior que da Usiminas.

Isso porque a avaliação está significativamente abaixo da alta do mercado vista em 2018, onde a mineradora foi avaliada em US$ 14,5 bilhões em uma rodada pré-IPO.

Segundo os dados mais recentes da B3, a Engie, a maior geradora privada de energia do Brasil, possui um valor de mercado de US$ 9,1 bilhões, cerca de 67% do que a Bitmain já chegou a valer.

Atualmente Wu controla cerca de 20% da Bitmain e outros três membros fundadores possuem cerca de 15% no total. Apenas 10% das ações pertencem a investidores externos.

Resolução de um conflito interno na Bitmain?

A oferta de buy back de Zhan vem em um esforço para promover negociações que possam acabar com as divisões que estão destruindo a empresa desde que Zhan voltou à empresa depois de ter sido deposto por Wu em outubro passado.

Além de causar divisão entre os funcionários, a luta pelo poder está colocando em risco os processos de fabricação de mineradores da empresa. Provavelmente por isso o valor de mercado da companhia está em queda livre.

A carta de Zhan foi em resposta a uma declaração de domingo no site oficial da Beijing Bitmain, que é controlada por Wu, dizendo que sua entidade controladora de Hong Kong cortou a cadeia de fornecimento de processadores de chips para sua fábrica em Shenzhen.

“A Bitmain Hong Kong suspendeu por enquanto o fornecimento de chips para a Century Cloud Core, que agora é controlada pelos parentes de Zhan, até termos a garantia, por meio de negociação com os parentes de Zhan, de que eles estão comprometidos em proteger o interesse dos clientes da Bitmain e da empresa como um todo”, diz o comunicado.

A Bitmain Technologies Limited em Hong Kong é o centro de vendas e compras offshore da Bitmain para hardware de mineração de criptomoeda. O negócio de fabricação da mineradora de bitcoin depende de chips de computação fornecidos por empresas de semicondutores.

Desde o retorno de Zhan à empresa, ele assumiu o controle da Century Cloud Core, a fábrica de embalagens e o armazém da Bitmain em Shenzhen, e interrompeu as remessas para os clientes.

Em sua carta, Zhan respondeu que, se necessário, ele compraria chips diretamente via Beijing Bitmain, mesmo que isso causasse uma grande perda para a empresa como um todo.

Ele ainda acusou Wu de, entre outras coisas, forjar uma resolução aprovada por uma alegada “assembléia de acionistas” em novembro passado na entidade holding da Bitmain nas Ilhas Cayman.

Aparentemente, a reunião nunca foi realizada porque “vários outros acionistas, incluindo Zhan Ketuan como maior participante, nunca receberam um aviso dessa reunião”, afirmou Zhan.

A Beijing Bitmain Technology Ltd. é uma subsidiária integral da Bitmain Technologies Ltd., sediada em Hong Kong, que, por sua vez, é de propriedade integral da entidade controladora final, a BitMain Technologies Holding, que foi incorporada nas Ilhas Caymans, mas também registrada em Hong Kong.

Quando expulsou Zhan em outubro do ano passado, Wu entrou com o governo de Hong Kong para remover o nome de Zhan como diretor do conselho da holding Cayman.

Os dois lados agora têm um processo legal em andamento nas Ilhas Cayman com relação a disputas sobre o poder de voto de Zhan em 60% na Bitmain.

Veja também: Deslizamentos de terra destroem fazendas de mineração de Bitcoin