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Nem Bolsonaro e nem Haddad são capazes de salvar economia Economia

Nem Bolsonaro e nem Haddad são capazes de salvar economia

Bolsonaro e Haddad não são capazes de salvar a economia agora.

Lucas Bassotto
Lucas Bassotto

Enquanto o país se divide em uma disputa política de dois extremos, nossa economia permanece estagnada. De um lado, Fernando Haddad defende uma retomada do crescimento econômico com intervenção no mercado de crédito e aumento de gastos do governo. Do outro, Bolsonaro defende um estado menos intervencionista na economia e maior abertura comercial. A verdade é que nem Bolsonaro e nem Haddad são capazes de salvar nossa economia agora.

A questão é que os candidatos parecem viver uma ilusão de controle no viés econômico do país. Atualmente, mudanças radicais na política econômica vigente se tornaram mais difíceis, seja por conta da composição na Câmara dos Deputados e Senado, mas principalmente por conta da economia internacional e situação atual das contas públicas.

Guerra comercial entre EUA x China aumenta incerteza

Em agosto os acirraram-se os ânimos entre Trump e Xi Jinping, presidente da China. O governo americano anunciou um pacote de US$ 100 bilhões em tarifas sobre produtos chineses. A China, por outro lado, prometeu retaliações e atacou com um aumento de tarifas sobre produtos americanos. O lado ruim é que esse embate pode frear o crescimento chinês e americano, as duas economias mais importantes do mundo.

Os impactados por isso são os países exportadores, como nós, que já fomos beneficiados pelo crescimento chinês nos anos 2000. Os chineses são fiéis compradores de nossas commodities e, uma desaceleração do crescimento da economia chinesa diminui essa demanda por nossas exportações.

Isso impacta diretamente nossa recuperação econômica, que já é lenta e pode levar ainda mais tempo para acontecer. Trump já demonstrou insatisfação com o fechado mercado Brasileiro. Caso Haddad queira fechar mais ainda o mercado e desvalorizar o câmbio para proteger nossa indústria, poderá provocar insatisfação da maior economia do mundo. Já sabemos que Trump não ameaça, ele faz.

Banco central americano sobe juros

O FED continua subindo juros, o que ajudou a derrubar Dow Jones e Nasdaq. A fuga de dólares para o exterior se torna quase que inevitável. Afinal, os títulos públicos americanos se tornam mais seguros para os investidores.

Isso pode fazer a cotação do dólar subir na economia brasileira, fazendo com que seja inevitável que o Banco Central suba os juros aqui também. Uma subida nos juros atrasa a recuperação da economia brasileira, nem Bolsonaro e nem Haddad conseguem controlar isso.

Isso inviabiliza o plano do Fernando Haddad em relação a induzir uma queda na taxa de juros. Ele pode até conseguir o fazer no curto prazo, entretanto, isso aumentaria a inflação e a cotação do dólar. Na verdade, reduzir a taxa de juros artificialmente poderia levar a uma recessão econômica com inflação, o que seria péssimo para o momento.

Só aumentar gasto não adianta

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Fonte: Tesouro Nacional

A imagem acima é um quadro dos ativos e passivos da União, isto é, do governo federal. Quem assumir a presidência assume o Brasil com uma dívida de 6,9 trilhões apenas com 1,2 trilhões de ativos financeiros em caixa. Mesmo que o governo privatize tudo o que for possível e venda seus imóveis, ainda restará uma dívida de 2,5 trilhões de Reais.

Bolsonaro defende um corte de gastos, sinalizando isso em sua votação da PEC 97, que propõe um limite no aumento de gastos do governo. Por mais que Paulo Guedes seja renomado, não há muito o que se fazer diante de um cenário como esses. O governo deveria parar a emissão de titulos públicos para ao menos frear o crescimento da dívida.

Por outro lado, Fernando Haddad promete um aumento de gastos. O candidato do Partido dos Trabalhadores parece desconhecer tal dívida, que está à mostra no site do Tesouro Nacional. Prometer um crescimento financiado com aumento de crédito e gastos do governo pode funcionar no curto prazo, por 1 ou 2 anos.

Contudo, essa política vai trazer consequências nefastas para a economia brasileira, ainda piores que a crise de 2015. Não existe mais espaço para crescimento econômico via endividamento, porque as contas públicas estão péssimas. Baixar os juros na caneta também não vai funcionar, porque o dólar vai subir para compensar o juros baixo. Restando aos brasileiros a perda do poder de compra no exterior e internamente com a alta da inflação.

Nem Bolsonaro e nem Haddad salvam agora

Além disso, a disputa no Congresso Nacional ficou ainda mais acirrada para ambos os lados. Qualquer mudança mais radical na economia, que tenha que ser feita através de uma PEC, deverá caminhar lentamente. A vida de Bolsonaro talvez seja um pouco mais fácil caso ele obtenha o apoio da bancada do centro, entretanto, o centrão não deverá apoiar medidas extremas. Bolsonaro pode decepcionar seu eleitor mais radical ao longo de seu mandato.

Fernando Haddad encontrará uma vida mais dura no Congresso e no Senado. Apesar do PT ter a maior bancada, o caminho das propostas será mais travado do que o seu rival, que viu sua bancada crescer exponencialmente nessa eleição. Nem Bolsonaro e nem Haddad terão um governo fácil e os brasileiros deverão se acostumar com turbulências.

Caso nenhum candidato tome medidas extremas, a recuperação será lenta e dolorosa para a maioria dos brasileiros, não por opção.

O que acontece com o dólar?

O que acontece com o dólar se o seu candidato vencer

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Lucas Bassotto
Lucas Bassotto

Sou Lucas Bassotto, graduando em Economia. Um grande entusiasta do mundo da criptoeconomia. Atualmente trabalho na Foxbit produzindo conteúdo.