Quando conversamos com as pessoas sobre criptomoedas, uma das principais afirmações que existem por parte dos mais conservadores é “o dinheiro nunca será digital.” Essa frase é baseada na ideia de que um dado em um computador nunca será tão confiável quanto um dado em um pedaço de papel.

Para essas pessoas, tenho uma péssima notícia: essa frase é anacrônica e essa mentalidade já está no passado. 

Atualmente, não existe apenas o Bitcoin como um ativo de valor digital. Para se ter uma ideia, 93% de todo o dinheiro do mundo existe apenas na forma de “zeros e uns” nas bases de dados dos principais bancos do mundo.

Em nosso primeiro artigo semanal, eu irei explicar para você por que o dinheiro é digital e como essa demanda latente já existe e está sendo suprida por projetos como a Libra do Facebook e o Yuan digital, além de mostrar como isso tudo irá afetar o Bitcoin. 

Bem-vindos ao Mercurius Research #01.

Cerca de quinze anos atrás, a ideia de digitalização do dinheiro era algo irreal. Possuir uma moeda que pudesse ser enviada de forma instantânea e simples para qualquer local do mundo a qualquer momento com uma baixa taxa era algo improvável.

Em 2008, o início desse sonho irreal começo a se tornar palpável com a criação do Whitepaper do Bitcoin. Onze anos depois, a primeira criptomoeda global por uma empresa de tecnologia foi sugerida pelo Facebook: a Libra. Por fim, em 2020, temos o lançamento do primeiro CBDC (Central Bank Digital Currency) de uma grande economia, o Yuan Digital, e essa possibilidade improvável da digitalização do dinheiro passou a se tornar real.

Mas, existe demanda para essa digitalização ocorrer?

Para responder essa pergunta, primeiro é necessário entender a demanda latente que já existe por meio de pagamentos digitais. 

Um estudo realizado em abril de 2020 pelo The Economist, mostrou que 64% das pessoas utilizam mais os meios de pagamentos digitais (como cartão de crédito online e tokens) do que físicos para realizar suas compras. Sendo que, dos entrevistados, 83% afirmaram que gostariam de ter mais opções para realizar suas compras de forma digital. 

Essa demanda pela digitalização do dinheiro está sendo liderada pelos mais jovens, conforme constatou um estudo do Deutsche Bank, que aponta que 76% dos Millennials do Reino Unido preferem meios de pagamento diferentes do dinheiro físico (como cartões de crédito ou wallets). Além disso, os Millennials possuem 2,5 vezes mais interesse em criptomoedas (Bitcoin) do que as demais gerações.

Essa pesquisa apenas comprova que a adoção da digitalização do dinheiro não teria nenhuma resistência nos próximos anos, o que possivelmente te deixou apenas com uma dúvida:

 Então por que a digitalização ainda não está acontecendo?

Bem, na verdade essa adoção já está ocorrendo, apenas não de forma tão descentralizada como o ideal (ainda). Segundo o relatório do Bank for International Settlements (BIS), mais de 80% dos países do mundo estudam desenvolver suas próprias criptomoedas. Alguns países já estão em fase de teste como a China e a França, outros já possuem sua própria moeda como a Suécia (e-Krona), sendo importante lembrar que até os EUA está analisando essa possibilidade.

Não apenas existe uma iniciativa estatal rumo à digitalização, como as grandes empresas de tecnologia também estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais, como a Libra que anunciou sua versão 2.0 em abril desse ano e o Alibaba que utilizará o Yuan digital em sua plataforma de pagamentos (Alipay). Apenas essas duas empresas juntas já atingem mais de 3 bilhões de pessoas, um número muito superior ao de usuários de criptomoedas que, hoje, é estimado em 50 milhões de pessoas.

Mas com essas novas criptomoedas, será o fim do Bitcoin?!

Muito pelo contrário, as Central Bank Digital Currency e as criptomoedas de empresas de tecnologia são as melhores maneiras de existir um crescimento rápido do Bitcoin e do mercado de criptomoedas como um todo.

Conforme apontado pelo The Economist, as pessoas ainda não possuem uma grande confiança em criptomoedas descentralizadas como o Bitcoin.

Percebemos que as vantagens do Bitcoin em relação a essas outras iniciativas de moedas digitais, como a grande privacidade que a criptomoeda descentralizada possui e a inexistência de um intermediário que possa alterar o ativo ou sua emissão (governo), ainda não são o foco para a maioria das pessoas.

Essa falta de percepção ocorre porque, para essas pessoas, investir em criptomoedas descentralizadas é muito complexo, não seguro e pode ser até ilegal.

Todas essas objeções não existiriam caso os entrevistados tivessem utilizado criptomoedas ao menos uma vez. Bem, é aí que entram os CBDCs. A grande maioria das pessoas confia muito no governo, e empresas como o Facebook possuem um alcance e uma penetração muito maior do que a própria rede do Bitcoin atualmente.

Após esse primeiro contato com as criptomoedas centralizadas, esses mitos envolvendo as criptomoedas serão quebrados. 

Entretanto, os problemas relacionados à centralização serão potencializados com o governo e empresas controlando ainda mais as transações financeiras, o que será uma excelente oportunidade para as moedas descentralizadas (como o Bitcoin) crescerem.

O futuro do dinheiro será digital, mas esse futuro já começou, com a evolução e amadurecimento do Bitcoin, a criação de CBDCs e de projetos como a Libra, não perca essa oportunidade.

E caso você queira saber mais sobre o Bitcoin e sobre a revolução digital, nós da Mercurius Research preparamos um estudo de mais de 100 páginas sobre o ativo, confiram!

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