Falsificações de moedas foram usadas em inúmeras guerras na tentativa de destruir a confiança por meio da inflação. Ninguém, porém, chegou mais próximo disso que os nazistas.

Cerca de 3 ou 4 dias era o necessário para que o que custava $1 virasse $2 durante o auge da hiperinflação alemã, em 1923.

Sufocada por dívidas da primeira guerra, a República de Weimar deu início a uma impressão desenfreada de notas do Marco alemão para adquirir moeda forte e quitar as dividas.

Durante o episódio, a inflação alemã chegou a 20,3% diários, com um pão que custasse $250 marcos em janeiro, chegando a custar $200 bilhões em dezembro do mesmo ano.

O colapso econômico e social seria diminuído com a implementação do “marco forte”, lançado em 1924 e atrelado a terras agrícolas.

O desastre na gestão da moeda alemã foi, de certa maneira, um dos pontos centrais na estrada que sedimentaria a ascensão nazista ao poder.

Cerca de 15 anos depois, porém, Joseph Goebbels, o ministro da propaganda, ouviria de Arthur Nebe, chefe do departamento de investigação criminal do Reich, um plano que, fazendo-se valer do mesmo experimento, seria utilizado para destruir a economia do Reino Unido, e destituir a Libra do posto de moeda global.

Goebbels levaria o plano pessoalmente a Hitler, que por sua vez ignorou o alerta (para surpresa de ninguém), de seu ministro da economia de que o plano se tratava de uma “violação das leis internacionais”.

Dessa maneira, 18 dias após o início da segunda guerra mundial, os nazistas começariam seu plano. Começava a “Operação Andreas”.

Foram 7 meses até que os falsificadores pudessem produzir uma nota virtualmente indistinguível.

Para começar, focaram em produzir notas de 5 libras, a mais comum em circulação.

Foi preciso quebrar o código Alpha numérico, por meio de uma análise criptográfica de notas produzidas ao longo dos 20 anos anteriores, além de replicar o papel utilizado, que adotava algodão, e não celulose.

O plano original era, como tudo que vinha do Reich, megalomaníaco, com previsão de produzir 30 bilhões de libras. Em 18 meses, entretanto, seriam apenas 3 milhões.

A primeira operação do tipo seria então encerrada, mas não pela baixa produção, e sim pela sua descoberta por parte de espiões britânicos que alertaram o Banco da Inglaterra.

Por um breve período o banco central inglês imprimiria notas de emergência, azuis e com um fio de metal que criaria uma nova barreira de segurança.

Em 1942, 2 anos após as primeiras experiências, Himmler retomaria o plano, mas com objetivos distintos: imprimir libras para financiar o esforço de guerra nazista.

Reunindo 152 prisioneiros judeus, Himmler daria início a operação. O grupo terminaria por produzir cerca de 8,2 milhões de notas, no valor de 134 mil libras, ou 15% de tudo que havia em circulação no Reino Unido. Em valores de hoje isso equivale a 7 bilhões de libras.

Já sem planos de bombardear Londres, as notas tiveram uso distinto. Cerca de 100 mil libras foram utilizadas para financiar o resgate de Benites Mussolini, por exemplo.

Mussolini havia sido deposto pelo Grande Conselho do Fascismo, e preso por ordens do rei italiano Vitor Emanuel. Por ordens de Hitler cerca de 12 paraquedistas alemães fariam a missão de resgate no local apontado por informantes pagos com as notas falsificadas.

A preocupação com os detalhes, que chegavam a 150 medidas de segurança, era extrema. Um grupo de 50 prisioneiros judeus tinha por objetivo garantir que as notas tivessem um aspecto de usadas, incluindo sujeira e desgaste manual.

Após o final da guerra, enormes quantias de dinheiro falsificado foram queimadas por oficiais alemães, ou despejadas em lagos.

Em 1959 um grupo de mergulhadores encontrou cerca de 700 milhões de libras no lago Toplitzsee. O Banco da Inglaterra então recolheu todas as notas de valor acima de de 5 libras e emitiu novas.

Durante anos as notas falsificadas continuaram circulando na economia. Parte delas serviu para financiar a imigração de judeus para a Palestina,

Entretanto, falsificação não é uma questão recente.

Em 1806 Napoleão Bonaparte ordenou a falsificação de rublos russos. Algumas décadas antes, americanos também falsificavam notas inglesas durante a guerra de independência.

O caso anedótico mais surrealista, porém, fica com os japoneses, que em 1941 capturaram máquinas de produção de notas do Yuan chinês. O governo japonês, entretanto, obrigou os soldados a levar as máquinas para Tokyo e continuar a produção por lá.

Durante o período da viagem, a inflação já havia corroído o Yuan, tornando inútil a produção com as placas de 10 Yuans que haviam sido capturadas.

Casos como estes são comuns pois a guerra é comandada pela economia, e nada possui um peso tão relevante em destruir a confiança em uma economia do que destruir a confiança na própria moeda.

O poder sobre o dinheiro é sobretudo um poder que depende de confiança, ou como dizia Nathaniel Rothschild, “Dê-me o poder de determinar a oferta de dinheiro em uma economia e não me importa quem faz as leis”.

Ao longo da história, casos de destruição massiva de riqueza por meio de impressão descontrolada de dinheiro se tornaram lugar comum. Desde a crise do terceiro século no império romano ao Brasil na segunda metade do século 20.

Em momentos como o atual onde o banco central americano coloca 22% de todos os dólares já feitos na história em um único ano, convém prestar atenção na história.

Artigo publicado originalmente no BlockTrends.


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