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As exchanges estão manipulando seus volumes? Mercado

As exchanges estão manipulando seus volumes?

As exchanges estão manipulando seus volumes? Se sim, por que elas fazem isso?

Lucas Bassotto
Lucas Bassotto

Muitas pessoas verificam a liquidez de uma exchange observando o seu volume de negociação nas últimas 24h e este tem sido o parâmetro adotado desde. Contudo, a métrica do volume é extremamente frágil quando analisamos os dados mais a fundo. Será que deveríamos medir a liquidez de uma exchange por volume?

Esqueça o preço e volume, olhe o livro de ofertas

A maneira mais eficaz de verificar a liquidez de uma exchange é observando seu livro de ofertas e a profundidade de cada oferta presente nele. Vamos a um exemplo prático que ilustra melhor o argumento proposto.

Se eu te fizer uma pergunta: o preço do Bitcoin na Exchange 1 está R$15.000 e na exchange 2 está R$15.001. Em qual das duas o preço de um Bitcoin está mais barato? Suponha que as duas possuem taxa 0.

Apesar de a resposta parecer um pouco óbvia, na verdade, não teríamos como responder essa pergunta sem olhar os livros de ofertas das duas exchanges. Explico abaixo.

Pode ser que a primeira oferta do livro na exchange 1, tenha uma quantidade insignificante de Bitcoins sendo ofertados a R$15.000. E pode ser que logo depois, as próximas ofertas não sejam tão atrativas assim, como na imagem abaixo.

volume das exchanges
Volume da Exchange 1

Se você comprar 1 Bitcoin, inteiro nesse livro de ofertas da exchange 1, você pagará uma média de R$15.144,55 por Bitcoin. Geralmente exchanges sem liquidez sofrem desse problema, porque o livro fica parado e os preços ficam defasados rapidamente, você acaba pagando mais caro do que pensaria.

Por outro lado, se você comprar na Exchange 2, pagará em média R$15.025,84 por Bitcoin. Isso se dá porque o livro tem uma boa profundidade nas ofertas, ou seja, uma boa quantidade de bitcoins sendo ofertados a um determinado preço.

livro de ofertas mostra o verdadeiro volume das exchanges
Volume da exchange 2

Poderíamos dizer que a exchange 2 possui maior liquidez e um preço menor do que primeira. Contudo, a maioria dos tickers de consulta de preço irá apontar a primeira como a que possui o Bitcoin mais barato, quando, na verdade, aquela informação não é verdadeira.

Quando o volume pouco importa

O volume para algumas exchanges virou uma métrica de marketing, conforme explorado mais detalhadamente em um post do Cryptowatch. Algumas delas inflam seu volume para dizer que possuem muitos clientes negociando bitcoins em sua plataforma. Elas esperam atrair novos clientes com essa estratégia, afinal, se muita gente está usando, deve ser bom.

Mas como elas inflam seu volume? Na verdade, não é muito difícil fazer isso. Bastaria ter duas contas com taxas zeradas que pertencem ao dono da exchange e dois robôs para realizarem operações de alta frequência. Em um livro de baixa liquidez, bastaria ficar uma conta vendendo para a outra através do uso da API e pronto, ela facilmente teria um dos maiores volumes do país.

Um outro ponto é: volume negociado não quer dizer volume presente no livro de ofertas. Nem sempre uma exchange que teve 200 BTCs diários de volume terá os mesmos BTCs presentes no livro de ofertas. Pode ser que naquele momento, apenas 15 Bitcoins estejam sendo negociados. Ou seja, é preciso olhar o livro de ofertas e as últimas negociações.

O tráfego e a relevância importam

Também é bom olhar o tráfego das exchanges, isto é, a quantidade de acessos que elas obtêm em um determinado espaço de tempo, seja ele dia, semana ou mês. Sua relevância também deve ser analisada, podendo ser feita através do Google Trends. Quanto mais citações ela tiver na internet, maior relevância ela terá.

Uma exchange que negociou 2000 bitcoins em 1 mês terá menos tráfego, isto é, relevância na internet, do que uma que negociou apenas 500 bitcoins? Se a mesa de operações primeira exchange for executada no livro de ofertas, pode até fazer sentido que isso aconteça. Caso as duas não tenham uma mesa de operações, isso seria altamente improvável.

Vamos a um exemplo prático: a Okex, segundo o Coinmarketcap, tem um volume superior ao da Binance nas últmas 24h. Contudo, esse padrão também se repetiu durante o mês de dezembro.

volume das exchanges segundo coinmarketcap
As 6 maiores exchanges em termos de volume. Fonte: Coinmarketcap

Entretanto, a Okex teve quase 20 vezes menos acessos do que a Binance no mesmo período. Um post já havia alertado para essa discrepância de manipulação de volume. A Okex, inclusive, também foi citada no estudo mais detalhado. Observe a imagem abaixo:

volume das exchanges quando analisamos o tráfego delas
Fonte: Similarweb

Por que eu deveria me importar com isso?

Quando exchanges inflam artificialmente seu volume, elas tornam seus negócios mais atrativos sem que tenham volume o suficiente para isso. Um grande investidor poderia ser levado a comprar criptomoedas nessas exchanges e pagar um preço muito mais caro do que deveria, por conta de um livro de ofertas vazio.

Existe ainda o outro lado da moeda: o wash trade. Esse é um processo pelo qual um negociador compra e vende uma security com o objetivo de fornecer informações enganosas ao mercado. Em algumas situações, os wash trades são executados por um negociante e uma corretora que estão em conluio entre si, e outras vezes os negócios de lavagem são executados por investidores atuando tanto como comprador quanto como vendedor do security.

Ou seja, a prática de washtrading engana o mercado e investidores em informação privilegiada a negociar um ativo que, na prática, não seria tão atrativo assim. Contudo, um grande volume manipulado mostra que muitas pessoas estão comprando e vendendo. Por esse raciocínio: se muitas pessoas estão negociando, deve ser um bom investimento, logo, vou colocar um dinheiro nisso.

Os washtraders lucram nessa jogada quando o preço do ativo que estão negociando começam a subir e eles atuam para liquidar suas posições, provocando uma venda em pânico e diminuindo consideravelmente a liquidez do mercado.

Conclusão

A verdade é que o volume histórico pouco importa no momento da negociação. Ao realizar uma compra ou uma venda, o negociante deve olhar sempre ao livro de ofertas, analisar sua profundidade e o spread entre os preços para fazer a melhor compra ou venda.

Nem sempre as exchanges com maior volume possuem o livro de ofertas mais movimentado ou atrativo, isso faz com que as negociações saiam mais caras do que deveriam quando comparamos com o restante do mercado. Além disso, o volume é um número facilmente manipulável e pouco confiável, que deve ser tratado com cuidado.

Além de fazer a análise do livro de ofertas, sempre procure informações sobre o tráfego e relevância da exchange. Corretoras com maior tráfego e relevância tendem a ter um maior volume. Se todos os fatores: livro de ofertas, tráfego e relevância estiverem convergindo, então é natural que aquele volume exibido na exchange seja confiável.

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Lucas Bassotto
Lucas Bassotto

Sou Lucas Bassotto, graduando em Economia. Um grande entusiasta do mundo da criptoeconomia. Atualmente trabalho na Foxbit produzindo conteúdo.

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