Os pagamentos instantâneos são o presente-futuro das transações financeiras no mundo. É uma relação complexa, com muitos agentes grandes envolvidos e muitas correntes de estudos tanto contrários quanto favoráveis a mudanças drásticas nas lógicas do mercado de pagamentos.  O que falta para uma solução tão prática se tornar parte da nossa rotina? Bem, é o cenário que vamos entender aqui.

Uma pesquisa do Banco Central de 2018 mostrou que 96,1% das pessoas preferem usar papel-moeda no dia a dia, o que representa 66% do total de circulação de dinheiro no país. Ao mesmo tempo porém, o número de smartphones ativos no Brasil é superior à quantidade de habitantes: de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, são 220 milhões de aparelhos para 207,6 milhões de brasileiros. Os assuntos parecem não estar relacionados, mas encontram uma conexão quando falamos de pagamentos instantâneos.

Essa evolução na forma de pagar produtos e serviços troca o dinheiro ou os cartões (de crédito ou débito) pelos dispositivos eletrônicos, como os smartphones, para concretizar as transações através da internet. A maior diferença deste meio de pagamento online com os modelos em vigor no Brasil é que a transferência é imediata. Além disso, dependendo do caso, não há necessidade de intermediação bancária, uma vez que outras empresas podem assumir a gestão do processo.

Assim, a mesma popularidade de aplicativos como o Facebook e o WhatsApp, que alcança pessoas de diversas camadas sociais, poderia ser conquistada por este método de pagamento. Na China, por exemplo, o modelo é quase regra nacional. O país pulou a etapa dos cartões e passou do dinheiro para os pagamentos online em apenas três anos. Hoje, até artistas de rua recebem a contribuição dos apoiadores por esta tecnologia. É que, por lá, o papel-moeda já é visto com certa estranheza.

Além do gigante asiático, outros países estão trabalhando para a concretização dos pagamentos instantâneos. Em 2017, mais de 30 bancos e cooperativas de crédito dos Estados Unidos lançaram uma solução para reduzir o processamento de cheques e pagamentos anualmente. No mesmo ano, a Austrália começou a utilizar o seu New Payments Platform. Em novembro de 2018, o Banco Central da União Europeia foi quem começou a operar sua solução para pagamentos imediatos própria, nomeada de TIPS (TARGET Instant Payment Settlement).

Ou seja, o mundo está atento a essa necessidade. E, sim, falamos necessidade porque as demandas do dia a dia contemporâneo já trazem vários aspectos que podem ser melhorados no âmbito das transações financeiras e dos pagamentos online com um modelo mais moderno de transferência de recursos. Sobre os benefícios, vamos ver mais adiante. Agora, precisamos voltar a falar do Brasil.

Os meios de pagamentos instantâneos no Brasil

Por aqui, essa discussão ― felizmente ― não está tão distante. Embora os números do próprio Banco Central demonstram a preferência dos brasileiros pelo dinheiro físico, inevitavelmente um meio de pagamento online deve ser implementado por questões de eficiência operacional. E todo mundo tem muito a ganhar com isso.

Diante dessa realidade, desde o início do último ano, a autoridade monetária tem realizado reuniões com instituições bancárias e de pagamento, entidades governamentais e fintechs para buscar um modelo adequado para o Brasil. O objetivo é que a solução de pagamentos instantâneos brasileira seja interoperável (ou seja, que permita envio de valores entre contas correntes e cartões de crédito, mesmo de instituições diferentes) e tenha universalidade de dispositivos, multicanalidade, segurança, praticidade e instantaneidade.

Além disso, há a preocupação com o nível de controle das operações. Essa regulação precisa fiscalizar as atividades, mas sem inviabilizar a criação de novos negócios, como startups focadas nesse tipo de serviço. Desse modo, o público fica desobrigado de se vincular a instituições bancárias para conseguir fazer as movimentações ― como, aliás, já acontece na China.

Outra preocupação do Banco Central é com o custo dessas transações. A intenção é que a taxa seja reduzida, inferior ao que é cobrado hoje para fazer uma TED ou um DOC, e que esta tecnologia seja utilizada para pagamentos instantâneos tanto entre pessoas (transações P2P ― person to person) quanto entre pessoas e estabelecimentos comerciais (transações P2B ― person to business) e entre estabelecimentos (transações B2B ― business to business), além de transações envolvendo órgãos governamentais.

As vantagens dos pagamentos instantâneos

Todos os envolvidos no processo de transferência dos recursos podem colher benefícios com essa tecnologia. Uma vantagem comum é a possibilidade de efetuar pagamentos a qualquer hora e em qualquer dia e ter a compensação finalizada no instante seguinte.

Da parte dos consumidores, um dos principais benefícios é a comodidade de não precisar carregar dinheiro consigo, o que traz mais segurança. Somado a isso, há a facilidade de inserir créditos no cartão de crédito, ou seja, transferir recursos para o cartão tanto do próprio beneficiário quanto de um terceiro. E as próprias transferências de pessoa para pessoa poderão ser realizadas com total mobilidade, baixo custo e instantaneidade, facilitando em situações de urgência.

As instituições financeiras, por sua vez, ganham porque têm o potencial de alavancar novas oportunidades de negócio, fortalecendo o relacionamento com os clientes. A bancarização dos brasileiros também aumentaria, mesmo que essas novas tecnologias acabassem com a dependência dos bancos. Afinal, de acordo com especialistas, ainda que outras empresas venham a disputar este filão de mercado, até por disponibilidade de infraestrutura são os bancos que devem liderar o movimento de pagamentos online.

Para as empresas e órgãos públicos, a eficácia do faturamento eletrônico pode ser ampliada. O controle de fluxo de caixa e o gerenciamento dos tributos ficam mais facilitados, pois tudo é registrado eletronicamente. Dessa maneira, o governo também consegue melhorar a fiscalização e combater a corrupção e a lavagem de dinheiro com mais facilidade.

Para os e-commerces, o risco das operações pode diminuir de forma bem acentuada. Com uma infraestrutura pensada para a segurança das transações, os temidos chargeback e tentativas de fraude e autofraude reduziriam. Sem contar a alavanca de crescimento dos negócios online que seria possibilitada com a tecnologia de pagamento imediato!

Vale lembrar que muitas pessoas deixam de utilizar e-commerce justamente por não utilizarem cartões (o que corresponde a aproximadamente 60% da população brasileira). Com o pagamento online, naturalmente as pessoas veriam menos diferença em transações físicas e eletrônicas. Como a compensação é imediata, as lojas também ganham com isso e a independência dos bancos para intermediação dos processos daria margem para redução dos custos.

E é justamente por essa imensidão de possibilidades trazidas pelos pagamentos instantâneos que a Wirecard acompanha com bastante atenção todo esse processo. É nosso hábito, como solução de pagamentos eletrônicos, estarmos atentos a possibilidades que melhorem os resultados dos lojistas e garantam mais segurança aos consumidores. É por este motivo que este assunto desperta tanto interesse em nós.

Por isso, estamos trabalhando juntamente a todos que estiverem dispostos a construir soluções mais facilitadoras para todos. E você, como espera ser beneficiado com esse novo universo de possibilidades?