Coingoback

O triunfo de Jair Bolsonaro nas urnas foi inegável. Bolsonaro conquistou a cadeira presidencial com muitos méritos: conseguiu reunir um grande apoio popular através de lives no Facebook com uma campanha extremamente barata.

Foi uma vitória épica, porque ele teoricamente era um cara sem perspectiva nenhuma, sem tempo de TV e sem alianças, que mesmo assim conseguiu subir a rampa do Planalto.

Isso deve ser levado em consideração, porque foi um apoio completamente orgânico que em tese deveria fortalecer o Capitão para a promoção das suas reformas liberalizantes da economia.

O povo escolheu Jair Bolsonaro para dirigir o país por 4 anos. Mas não podemos negar: o mercado, os investidores, compraram o Bolsonaro para levar Paulo Guedes, o superministro que teoricamente vai dar um choque de liberdade econômica na economia.

O problema

Sei que ainda é muito cedo para tecer críticas ao governo Bolsonaro. Ele ainda pode surpreender a todos e conseguir, através de seu governo, conduzir o Brasil de volta ao progresso econômico.

Sua equipe econômica tem bons nomes como Paulo Guedes, Adolfo Sachsida, Joaquim Levy no BNDES e Campos Neto no Banco Central. O discurso também é correto: desalavancar os bancos públicos e restaurar a responsabilidade fiscal com a reforma da previdência.

Mas só uns nomes com bons discursos não são capazes de salvar um governo com uma centena de nomes. Até o momento, o começo da “nova era” se mostrou confuso e completamente desordenado na comunicação e nas atitudes.

Não há nenhum alinhamento de comunicação entre ministros e diferentes setores do governo. Nem mesmo o seu vice-presidente fala a mesma língua, fora as seguidas gafes de ministros e do próprio presidente e seus filho.

Bolsonaro já começa a sentir a pressão política e a amolecer seu discurso anti-político. Sua base política começa a dispersar e aqueles que se aproveitaram do “fenômeno bolsonaro” começam a ver que o “Mito” também sangra.

As contradições internas

Todo aquele discurso liberal da campanha vem entrando em contradição: libera a economia, mas aumenta o imposto sobre o leite, rompe com a política tradicional, mas oferece embaixada para manter ministro, dá um choque de gestão, mas deixa a reforma da previdência mais branda.

Sim, flexibilizar a reforma da previdência. Bolsonaro já começa a esboçar um recuo na idade mínima de aposentadoria para mulheres. Se você não sabe a importância dessa reforma, lhe darei uma explicação rápida:

Nossa previdência funciona como uma pirâmide, de forma que quem está trabalhando agora sustenta quem está aposentado hoje. O governo repassa seus descontos para pagar a pensão daqueles que estão aposentados.

O problema é que as pessoas estão vivendo mais e estão tendo menos filhos, o que causa a inversão da base da pirâmide, tornando ela insustentável, aumentando o rombo das contas públicas.

A previdência é o maior gasto do governo hoje. Seu rombo já é de R$ 195,2 bilhões só no começo desse ano. Sem uma reforma contundente, o país tem baixíssimas chances de se recuperar economicamente.

A reforma modifica a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres e iguala funcionários públicos e políticos, que hoje respondem pela maior parte da verba destinada a ela.

A reforma é o que importa

Com esse recuo do Bolsonaro, para deixá-la mais “flexível”, o Ibovespa passou a cair. Os investidores estão começando a perder a fé de que uma reforma eficaz, que resolva o problema, será aprovada.

Além disso, muitos duvidam que a reforma vai passar de primeira do jeito que está. O capitão não tem a base necessária de Deputados para aprová-la sem a necessidade de favores, negociação de cargos e modificação de alguns pontos da reforma.

Setores da elite do militarismo começam a se posicionar contra a reforma da previdência e Deputados condicionam a votação com a inclusão dos militares no projeto. Eles (os militares) são responsáveis por grande parte do rombo da previdência.

Bolsonaro disse em reunião que estava disposto a negociar pontos da reforma. Sua fala conseguiu derrubar o Ibovespa em quase 2% no dia 28/02. Os investidores estão apostando na reforma para que o Brasil possa ter mais segurança fiscal e orçamentária, possibilitando investimentos a longo prazo.

O presidente tem que colaborar, só a equipe do Paulo Guedes, por melhor que ela seja, não será capaz de salvar a economia brasileira. A prioridade para o Brasil não é discutir moralidade, é não morrer de fome daqui a 5 anos.


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