Em um artigo publicado dia 30 de novembro e assinado pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, ela conta a história do dinheiro e defende o euro digital como o futuro para o continente.

Para isso, ela sentiu a necessidade de fazer duras críticas ao Bitcoin e outras alternativas digitais. Lagarde afirma que criptoativos carecem de liquidez, são altamente voláteis e especulativas e, portanto, não servem como dinheiro.

Segundo ela, um euro digital, por outro lado, “pode ser necessário para assegurar o acesso ao dinheiro garantido por banco central aos europeus e manter a soberania monetária”.

A verdadeira história do dinheiro fiduciário

Lagarde inicia o artigo explicando a história do dinheiro, mas com alguns detalhes importantes deixados de fora.


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“Um dos motivos pelos quais o dinheiro surgiu pela primeira vez foi para superar as limitações e ineficiências da troca direta. À medida que as economias se tornaram mais especializadas, o comércio tornou-se ainda mais essencial e um meio de troca universal foi necessário para facilitá-lo. Moedas feitas de metais (preciosos) cumpriram esse propósito por séculos.

Mas, com o desenvolvimento do comércio internacional, as moedas tornaram-se cada vez mais impraticáveis porque são difíceis de armazenar e transportar em grandes volumes.

Isso levou à próxima fase na evolução do dinheiro durante os tempos medievais até o final da Idade Média e o início dos tempos modernos. Os desenvolvimentos incluíram o advento das notas de crédito dos Templários na França, giro bancário privado na Itália, letras de câmbio e notas promissórias e os primeiros predecessores do papel-moeda.”

Pulando as trocas indiretas, que fez com que a sociedade voluntariamente selecionasse os bens mais comerciáveis da economia como sal, grãos, cevada… até ouro e prata, Lagarde faz um bom resumo. E, de fato, ainda haviam problemas como a transportabilidade de grandes quantidades de dinheiro, então inevitavelmente veio o papel-moeda com lastro em dinheiro de verdade.

Mas, sem citar a quebra do acordo de Bretton Woods, que aconteceu em 1971, que marcou o maior calote de todos os tempos, a presidente do BCE explica o surgimento de moedas fiduciárias.

“Nas economias modernas de hoje, incluindo na área do euro, o dinheiro não é mais conversível em, ou lastreado por, qualquer mercadoria. A moeda fiduciária, como é conhecida, tem curso legal por decreto do governo ou mesmo por legislação constitucional.

O valor do dinheiro é baseado na confiança dos cidadãos em ser geralmente aceito em todas as formas de troca econômica e na capacidade dos bancos centrais de manter seu poder de compra por meio da política monetária. A independência institucional dos bancos centrais também aumenta sua capacidade de manter a confiança no dinheiro.”

O futuro do dinheiro (e por que não bitcoin?)

Ao comentar sobre o avanço tecnológico e a digitalização do dinheiro, Lagarde cita a pandemia de covid-19 que acelerou esse processo. “Os participantes do mercado esperam que os pagamentos sejam o serviço financeiro que será mais afetado pela inovação tecnológica e pela competição nos próximos cinco anos, de acordo com uma pesquisa realizada em 2019”, disse.

Segundo ela, o euro digital deve ser a melhor forma de europeus transacionarem no futuro, pois o banco central deve garantir a estabilidade da moeda:

“O dinheiro do banco central é único. Ele fornece às pessoas acesso irrestrito a um meio de pagamento simples, essencialmente livre de riscos e confiável que podem ser usados para qualquer transação básica.”

“Mas e quanto ao bitcoin e outros criptoativos?”, Lagarde afirma que tecnologias de ledger distribuídos como blockchain trouxeram inovações, mas também riscos.

Argumentando que depender da confiança seria uma coisa boa, ela afirma que “o principal [risco] é depender completamente da tecnologia e no conceito falho de que não há um emissor identificado.”

Por fim, se critica a baixa liquidez, alta volatilidade e a especulação em torno do bitcoin e outras criptomoedas. “Não cumprem todas as funções de dinheiro”, finaliza.

Veja também: Uma antiga grande desvantagem do Bitcoin continua em queda


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