Em meio a uma queda que chegou a 39% no Ibovespa e muito mais em outros índices, os investidores se perguntam quanto tempo vai demorar para as bolsas se recuperarem.

Então fomos atrás do aconteceu nas últimas grandes crises para buscar uma resposta.

Primeiramente precisamos saber o tempo que o mercado demorou para se recuperar de algumas crises passadas. Por que isso é importante? Para termos uma noção histórica e também uma visão de longo prazo nos nossos investimentos.

Historicamente, a recuperação de perdas absurdas como as que estamos vendo agora demoraram muitos meses.

Em 1987 os mercados mundiais sofreram a famosa “segunda-feira negra” na qual o Índice Dow Jones caiu 36%. E ele demorou 22 meses para voltar ao patamar anterior.

Enquanto após os ataques de 11 de setembro o declínio do Dow foi de -38% mas demorou mais do que o dobro para se recuperar, foram 48 meses. As incertezas quanto a efetividade da guerra ao terror e o débito massivo contraído pelo governo norte-americano ao adotar medidas extremas causaram medo no mercado.

O mesmo número de meses foi necessário para a recuperação da grande crise de 2008, conforme vemos nos gráficos abaixo:

recuperação da Dow
Fonte: Bloomberg

Já para o Ibovespa voltar atingir seu máximo antes da crise de 2008 foram necessários exatos 9 anos, 2 meses e 28 dias. Na época o Ibov caiu ~49%, despencando de 7 mil pontos para a faixa de 3 mil. Contudo, para voltar ao mesmo patamar dos 6 mil pontos , o Ibov demorou apenas 456 dias.

Ibovespa nos últimos anos recuperação da crise
Ibovespa tempo para volta da máxima antes da crise

Vale lembrar que a conjuntura brasileira era diferente, o país estava surfando em uma maré positiva advinda do crescimento do mercado de commodities e tinha boas reservas.

A situação agora é outra

Em 2007, ano anterior à quebra do Lehman Brothers, o PIB brasileiro tinha crescido 6,1%. Além do mais, nossa dívida praticamente triplicou, dando pouca manobra para mais endividamento.

dívida pública federal

Diferente do que aconteceu na última crise, agora a economia brasileira está fragilizada e se recuperando da sua pior recessão na história.

Conforme estudo da FGV (Fundação Getúlio Vagas), o coronavírus pode provocar uma perda de até 4,4% no PIB brasileiro de 2020. Se a previsão se confirmar, essa será a maior queda nominal do PIB desde 1962.

“As simulações sugerem que a economia brasileira dificilmente escapará de um crescimento próximo de zero em 2020. No melhor cenário, os efeitos negativos sobre a economia brasileira, em termos de crescimento, dissipar-se-ão a partir do final 2021. (…) No pior cenário, efeitos significativos ainda poderão ser sentidos em 2023”, afirma o estudo da FGV

Outros especialistas também alertam para os efeitos devastadores do vírus. Um deles é o virologista de Yale, Atila Iamarino, de acordo com o especialista, o ciclo do vírus pode durar até um ano.

“O que era para ser um negócio de 3 meses, para cada país novo que entra nesse ciclo, a duração dele estende… Então se o que a gente teve da SARS em 2013 durou 2 ou 3 meses, se o 11 de setembro durou alguns meses. Imagina agora que Europa vai entrar daqui alguns meses, Ásia deve entrar América do Sul vai entrar. Então a gente deve ter pelo menos um ano ou mais aí”, disse Iamarino

Em quanto tempo iremos nos recuperar?

Se extrapolarmos os números das crises anteriores poderemos demorar até 48 meses para voltar a um nível parecido com o de antes do vírus.

Contudo, diferente das outras crises, o coronavírus está fechando partes inteiras da economia como nunca vimos. Em recente vídeo sobre o tema, Iamarino afirma que poderemos ter até 1 milhão de mortos no Brasil se os devidos cuidados não forem tomados.

Em nenhuma das outras crises tivemos efeitos tão devastadores. Quarentenas, trabalho via homeoffice, nada disso estava presente anteriormente.

Então fica claro que os efeitos econômicos dessa pandemia podem piorar se as medidas corretas não forem tomadas. Por isso, é muito difícil fazer alguma predição de recuperação econômica quando os efeitos do vírus ainda estão por ser vistos.

Mas historicamente as recuperações demoram meses ou até mesmo anos e é isso que devemos esperar também dessa crise, principalmente no caso brasileiro.