A criação de uma rede de pagamentos internacionais para moedas digitais do banco central (CBDC) pode economizar para as empresas quase US$ 100 bilhões (R$ 566 bi) por ano em custos de transação, de acordo com um relatório que as empresas J.P. Morgan e Oliver Wyman divulgaram nesta quarta-feira (03).

O relatório destaca o potencial impacto positivo das moedas digitais do banco central, à medida que os bancos centrais de todo o mundo exploram sua viabilidade. 

Atualmente, as instituições financeiras contam com bancos correspondentes e outros intermediários para processar transferências internacionais de dinheiro. Isso resulta em pesadas taxas de transação e geralmente consome muito tempo, pois os bancos processam os pagamentos em diferentes fusos horários. 

Um dos maiores beneficiários de uma rede CBDC internacional, por exemplo, poderia ser a Associação das Nações do Sudeste Asiático, onde as empresas operam em 10 moedas e enfrentam altos custos de transação. 

O relatório observa que a região é responsável por 7% do comércio global e “é o lar de milhares de [empresas multinacionais] europeias, asiáticas e norte-americanas”.

Uma transferência de 100.000 baht tailandeses (US$ 2.950) de uma empresa na Tailândia para uma na Indonésia pode passar por seis bancos e gerar taxas de transação de US$ 40, excluindo os custos de câmbio estrangeiro. Uma rede CBDC economizaria para o cliente até US$ 35 dos US $ 40, de acordo com os autores.

Globalmente, os autores estimam que as empresas estão perdendo US$ 120 bilhões em custos de transação por ano em US$ 23,5 trilhões em transferências de dinheiro internacionais. 

Relatório aponta que CBDCs podem economizar R$ 566 bilhões por ano - 80 % de economia como está mostrando no gráfico de barras
Custo de transações internacionais: US$ 120 bilhões; Custo de transações com mCBDC: US$ 20 bilhões – Fonte: J. P. Morgan e Oliver Wyman

Ao mesmo tempo que desafia o sistema bancário tradicional, as moedas digitais também provêm oportunidades aos bancos, aos liquidantes e também aos terceirizados. Contanto que tenhamos claras as diferenças entre sistemas monetários centralizados e descentralizados, a tecnologia, como um todo, pode deixar pelo menos as transações mais baratas, como mostra o relatório.

China não quer saber de Bitcoin, o negócio dela é CBDC

Para quem não quer usar Bitcoin, como a China deixou claro em diversos banimentos, a alternativa é criar sua própria moeda digital. A principal motivação, por vezes, não é nem o avanço da tecnologia, mas fundamentalmente a procura por alternativas à hegemonia do dólar.

O relatório diz que a criação de uma “rede de corredor” que facilita as transações em vários CBDCs pode eliminar algumas etapas, como ter que converter moedas em dólares americanos, em bancos intermediários.

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Versões desse esquema, baseadas no que está sendo apelidado de moeda digital multimoeda do banco central, ou mCBDC, já estão sendo testadas em alguns países. 

Os bancos centrais da Austrália, Cingapura, Malásia e África do Sul estão testando os pagamentos internacionais usando diferentes moedas digitais do banco central. China, Hong Kong, Tailândia e Emirados Árabes Unidos estão conduzindo um projeto separado. Testes bilaterais também estão sendo realizados.  

A China está testando um yuan digital e espera começar a emiti-lo oficialmente antes das Olimpíadas de Pequim, em fevereiro. Ela foi usada para conduzir 62 bilhões de yuans (US$ 9,7 bilhões) em transações até o final de outubro.

Mu Changchun, diretor-geral do instituto de moeda digital do banco central da China, disse hoje (03) na conferência Fintech Week de Hong Kong que mais de 1,5 milhão de comerciantes poderiam aceitar pagamentos usando carteiras eCNY. 

Além disso, 10 milhões de contas corporativas foram criadas, informou a Bloomberg. 

Não há data oficial de lançamento para o CBDC chinês, disse Mu. 

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