Quais são os próximos e como estão os atuais “unicórnios” brasileiros? Um relatório da Fisher, com apoio do Estadão e outras empresas, tenta apontar algumas direções.

O que são unicórnios?

Os “unicórnios” são startups que atingiram o valor de mercado de um bilhão de dólares. São empresas que começaram com produtos inovadores, e logo atingiram grandes feitos.

O termo se origina de um artigo de 2013 da investidora Aileen Lee, “Bem-vindo ao clube dos unicórnios: aprendendo com as startups de um bilhão de dólares” e se refere a algo raro e mágico.

Segundo o relatório, existem 469 unicórnios de capital fechado ao redor do mundo, juntos acumulam US$ 1,38 trilhão. Quase metade deles se encontram nos EUA e 24% na China.

Das startups unicórnios que conversam com a criptoeconomia temos como exemplo a Ripple e as corretoras Coinbase e Robinhood.

Quais são os unicórnios brasileiros, e no que se destacam?

No Brasil nós temos apenas 12 startups avaliadas em pelo menos um bilhão de dólares.

Segundo o relatório, os unicórnios brasileiros são bichos diferentes, mais como camelos, fazendo alusão ao ambiente que vivem e a capacidade de sobreviver dias sem água e comida.

“Segundo Anderson Thees, fundador da Redpoint eVentures, os unicórnios brasileiros sempre foram camelos com um chifre na testa, dado que as startups brasileiras nunca contaram com a disponibilidade de capital vista nos mercados mais desenvolvidos“, afirma o relatório.

Quase todos os camelos de chifres nasceram em São Paulo, com exceção da fintech curitibana, EBANX e do grupo educacional cearense, Arco.

No ramo das fintechs também temos a Stone, PagSeguro, e Nubank. O relatório também adiciona a Quinto Andar com um misto de fintech e proptech, ao lado da Loft.

As unicórnios de mobilidade e delivery, que ganharam espaço durante a quarentena, são a 99, iFood e Loggi. Em outras categorias estão a Gympass e Wild Life.

O Nubank por exemplo, surgiu como um cartão de crédito simples e fácil de organizar os gastos das pessoas. Com a proposta de “devolver às pessoas o controle de suas vidas financeiras”, logo criaram a Nuconta, que facilmente substitui qualquer bancão tradicional, mesmo sem agências físicas.

Empregando 2449 pessoas, o Nubank chegou a contratar mais 100 pessoas durante a crise e foram o sexto maior banco, primeiro entre as fintechs, na distribuição do auxílio emergencial da Caixa, segundo o relatório.

A Stone, fintech fundada em 2012, começou com soluções de pagamento para maquininhas de cartão e depois ofereceram também uma conta digital não focando em pequenas e médias empresas. Com capital aberto, a Stone é negociada na importante bolsa americana NASDAQ.

A fintech conta com 2356 funcionários e “disponibilizou R$ 100 milhões em microcrédito para o varejo nos estados onde foram determinadas medidas de contenção à pandemia”, de acordo com o relatório.

Além disso, focaram em ações de apoio a pequenos empreendedores como a notável campanha “Compre Local, cuide de um pequeno negócio”.

Como exemplo de plataforma digital de entrega de comida, temos no Brasil o maior da América Latina, o iFood. Hoje atua também no ramo de pagamentos, “oferecendo maquininhas e pagamentos via QR Code dentro do próprio app”.

O iFood, que emprega atualmente 2888 pessoas, “foi uma das startups que viu seus números crescerem durante a crise”, de acordo com o relatório.

Quais serão os futuros unicórnios do Brasil?

Das empresas analisadas como possíveis competidores ao status de Unicórnio, o relatório aponta:

  • Creditas, uma fintech que fornece crédito a clientes com garantia imobiliária ou automotiva;

A Creditas já se aproxima de ser uma marca bilionária. Em julho de 2019, recebeu apoio do Softbank de US$ 231 milhões, que avaliou a startup em US$ 700 milhões. Ela já possui um montante captado de US$ 314 milhões.

  • Neon Pagamentos, fintech parceira do Banco Votorantim;

No final de 2019, recebeu apoio financeiro de R$ 400 milhões pela General Atlantic e pelo Banco Votorantim. Ela já possui um montante captado de US$ 128 milhões.

  • Guiabolso, aplicativo de controle financeiro pessoal e sincronização de contas bancárias;

Com mais de 4,5 milhões de usuários, também disponibilizou um serviço que dá acesso às empresas ao seu banco de dados financeiros. Já possui um montante captado de US$ 56 milhões.

  • Weel, uma fintech focada em capital de giro para pequenas e médias empresas através da antecipação de recebíveis;

Recebeu um aporte de R$ 80 milhões no começo deste ano, também pelo Banco Votorantim. Captou US$ 63 milhões.

  • CargoX, uma transportadora que conecta os caminhoneiros com capacidade ociosa à empresas que necessitam de frete;

Em 2017, cresceu 750%, enquanto cresceu 100% em 2019. Contando com investidores como o Goldman Sachs, Qualcomm Ventures e Oscar Salazar (cofundador do Uber). Foi eleita pioneira tecnológica pelo Fórum Econômico Mundial, e possui um montante captado de US$ 95 milhões.

  • Resultados Digitais, uma startup voltada para auxílio em Marketing Digital, com grande potencial de crescimento graças ao isolamento social;

O ramo de atuação da RD, que é o Marketing Digital, pode ver uma explosão exponencial de demanda considerando a massiva transição das propagandas físicas às virtuais durante a pandemia. Propagandas à parte, recebeu R$ 200 milhões em rodada de investimento de 2019, e já possui na lista de clientes mais de 13 mil empresas, além de ter arrecadado US$ 75 milhões.

  • Pier, uma insurtech que oferece seguro de celulares e automóveis através de uma plataforma digital.

Por fim, a insurance tech (insurtech) viu um crescimento impressionante. Desde sua fundação em 2018, aumentou seu faturamento de R$ 665 para R$ 600 mil, além de explorar uma oportunidade de mercado considerando as poucas alternativas aos seus serviços no mercado atual.

Dessas, podemos perceber de que há uma tendência forte de crescimento para fintechs e empresas compromissadas com o desenvolvimento tecnológico no país.

Por conta da pandemia, por exemplo, muitas dessas empresas estão focando ainda mais no digital.

Empresas como a CargoX, por exemplo, que se aproveitou das grandiosas necessidades do Brasil no transporte rodoviário para inovar em um sistema de conexão entre transportadoras e caminhoneiros e possíveis clientes.

A CargoX, ainda mais, apareceu em nosso texto ontem sobre empresas consideradas “pioneiras tecnológicas pelo Fórum Econômico Mundial”.

Você acha que alguma outra startup vai virar um “camelo com chifres”?