A maioria dos cibercriminosos envolvidos em atividades de lavagem de dinheiro prefere usar moeda fiduciária do que Bitcoin, apontou um recente relatório de pesquisa escrito pela empresa britânica de defesa e aeroespacial BAE Systems em nome do provedor global de serviços de mensagens financeiras SWIFT.

Dinheiro estatal é principal escolha dos criminosos

As atividades de lavagem de dinheiro por cibercriminosos continuam sendo uma séria ameaça global, causando um impacto considerável na economia global, diz o documento.

“As atividades de todos os cibercriminosos, seja trabalhando individualmente, como parte de uma pequena gangue, como grupos de crime organizado ou mesmo para um estado-nação, resultaram em uma receita total anual estimada de crimes cibernéticos em US$ 1,5 trilhão”.

Porém, ao contrário dos temores de que as moedas digitais sejam uma maneira mais fácil de os grupos do crime organizado movimentarem e liquidarem fundos roubados, SWIFT diz que o papel das criptos é minúsculo em comparação com o dinheiro tradicional.

“Os casos identificados de lavagem por meio de criptomoedas permanecem relativamente pequenos em comparação com os volumes de lavagem de dinheiro por meio de métodos tradicionais.”

Mas apesar do papel mínimo das criptos na lavagem de dinheiro, ainda há preocupações de que o desenvolvimento de recursos centrados na privacidade de alguns criptoativos ainda possa representar uma ameaça.

“A série de criptomoedas alternativas que oferecem maior anonimato, bem como serviços como misturadores (mixers) e tumblers que ajudam a obscurecer a fonte de fundos ao combinar saldos de criptomoedas potencialmente identificáveis ​​com grandes quantias de outras carteiras, poderia aumentar o apelo da criptomoeda para propósitos nefastos.”

A SWIFT destacou um grande grupo de crimes cibernéticos da Coréia do Norte, o Lazarus Group. Em junho de 2018, o grupo orquestrou um ataque cibernético massivo e lucrou US$ 30 milhões em criptoativos. Além disso, Lazarus transferiu 2.000 BTC para uma corretora em um período de quatro dias que envolveu 68 transações.

Bitcoin é reconhecido como dinheiro

Recentemente, o Bitcoin chegou até mesmo a ser reconhecido como dinheiro pelo Tribunal de Washington D.C. em um caso que envolveu a lavagem do equivalente a R$15 bilhões em bitcoin.

O reconhecimento foi necessário para que os crimes de lavagem de dinheiro e operação de um negócio de transmissão de dinheiro sem licença fossem imputados ao réu Larry Dean Harmor.

Harmor era dono dos sites Grams e Helix, e enquanto o Grams era conhecido como o “Google da Deep Web”, o Helix era anunciado como um misturador de bitcoins que servia para “lavar” dinheiro de cibercriminosos.