Após expor crimes de guerra do governo dos Estados Unidos, o jornalista Julian Assange passou a ser perseguido de todas as formas pela maior economia do mundo.  Agora, Assange expõe mais uma vez que está sendo perseguido politicamente.

Em 5 de abril de 2010, o Wikileaks liderado por Julian Assange expôs um vídeo brutal mostrando um ataque de helicóptero norte-americano abrindo fogo contra cidadãos desarmados.

Pouco tempo depois, em julho de 2010, o Wikileaks soltou mais de 92 mil documentos relatando detalhes espúrios do governo dos EUA na guerra no Afeganistão.

Bitcoin chega ao resgate

No começo de outubro daquele ano, em uma ação reconhecida pelo judiciário norte-americano como ilegal, o governo dos EUA tentou destruir financeiramente o Wikileaks, bloqueando acesso a fundos e ameaçando bancos e instituições que aceitassem doações ao jornal.

Nessa época, o Wikileaks começou a aceitar doações em bitcoin para manter seus servidores, a criptomoeda valia apenas US$0,06.

Em 2012, o fundador do Wikileaks conseguiu asilo na embaixada do Equador e em 2019 foi expulso dela e preso por autoridades britânicas. Desde então, Julian Assange tem sido torturado psicologicamente, segundo Nils Melzer Relator Especial sobre tortura da ONU. 

 “A coisa realmente horripilante nesse caso é a ilegalidade que se desenvolveu: os poderosos podem matar sem medo de punição e o jornalismo se transforma em espionagem. Está se tornando um crime dizer a verdade”.

afirmou Nils Melzer.

Mesmo tendo autismo, o governo britânico faz questão de isolar o jornalista na prisão como se ele oferecesse risco máximo a sociedade.  Por suas publicações o governo dos EUA quer a extradição de Assange. Então chegamos a um dos julgamentos mais horripilantes de atualidade.

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Julian Assange e a “corte do canguru”

Em um julgamento que daria inveja a reis medievais, a corte britânica cometeu os piores abusos contra o jornalista.  

Primeiramente, Assange foi condenado por quebrar as condições de fiança a 50 semanas em prisão de segurança máxima, após um julgamento de apenas 15 minutos sem a possibilidade de preparar defesa.  Sendo que a maior parte das violações de fiança não passam de poucos dias na prisão e milhares não são nem seguidas pela polícia. 

Outro ponto importante e que mostra a parcialidade do processo se refere a quem está julgando.

A primeira juíza a pegar o caso foi exposta como esposa do ex-Ministro da Defesa James Arbuthnot, que teve documentos vazados pelo Wikileaks.

Como resultado, a juíza se recusou a abandonar o caso e apontou sua colega Vanessa Baraitser para julgar Assange sob sua supervisão como “magistrada chefe”. De acordo com as regras do tribunal do Reino Unido, o magistrado chefe é “responsável por apoiar e orientar os colegas juízes distritais”.

Segundo um jornalista que acompanha o caso, Vanessa praticamente admitiu que o julgamento de Assange é político.

“”Ao perguntar à defesa como o resultado da eleição presidencial dos EUA afetaria seu caso e ao indicar que ela esperava emitir uma decisão antes do dia das eleições … a juíza distrital Vanessa Baraitser reconheceu o que estava claro, mesmo antes de a primeira acusação contra Julian Assange ser revelada – que esta é uma acusação politicamente motivada”

afirmou o jornalista Kristinn Hrafnsson que acompanha de perto o caso Assange

Um julgamento enviesado, com poucas evidências e marcado para condernar o réu tem uma expressão muito específica em países de língua inglesa: “Kangaroo Court“. Acredita-se que a expressão se refere a bolsa do canguru, significando que o juiz está no bolso de alguém. 

Se esse for o acaso, quem é o canguru?