Investidores da ArbCrypto, esquema de pirâmide que tinha como embaixador o ex-jogador Cafu, foram fazer justiça com as próprias mãos. Ou melhor, com dois sprays espargidores, munições lacrimogêneas, elastômeros, carregadores para pistola .40 e um revólver calibre 38. 

Segundo o Jornal Ponte, o tiroteio contra o carro do empresário Eneas de Lima Tomaz, que tem um mandato de prisão em aberto desde dezembro de 2020 por crimes financeiros, ocorreu no domingo (08) – assim como a sua prisão – na cidade de Atibaia/SP.

Investidores da ArbCrypto perseguiram o criminoso por conta própria

Cansados de esperar pela justiça, os soldados Claudemir Bomfim Alves, 37, e Ricardo Botelho da Mota, 29, foram até o Hotel Tauá, onde estaria hospedado o empresário da ArbCrypto, para prendê-lo. 

Ao chegarem no Hotel, eles se identificaram como policiais e iniciaram uma perseguição atrás da BMW em que Eneas teria usado para fugir dali. 

Conforme consta no boletim de ocorrência, o grupo foi detido em flagrante pelos policiais militares rodoviários Rangel Gomes e Alessandro Rizzardi. Um funcionário do Hotel Tauá  que ligou para a polícia solicitando auxílio. Disse que na porta estaria um veículo Toyota Filder sem nenhuma caracterização de viatura cujos ocupantes se identificaram como policiais e que queriam entrar no estabelecimento para prender um hóspede.

Quando os verdadeiros policiais rodoviários encontraram a BMW baleada e os dois carros de Claudemir e Ricardo no meio da estrada, trataram de deter o grupo de 5 pessoas. Neste momento, o empresário já confirmou que realmente tinha um mandado de prisão aberto contra ele por crimes financeiros. 

Além de Claudemir e Ricardo, outros dois homens, também estavam no carro que perseguia o empresário e, então, foram levados à delegacia. 

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Felipe de Souza Torresi, 26, que teria se identificado como “delegado federal dos direitos humanos” e Felipe Alves de Jesus, 26, disseram, na Delegacia de Plantão de Atibaia, que foram vítimas do golpe financeiro praticado por Eneas e que teriam visto no Instagram que ele se hospedaria naquele hotel, tendo combinado de ir até o estabelecimento para monitorá-lo.

Eneas disse, segundo o boletim de ocorrência, que percebeu estar sendo monitorado e fotografado e que, por isso, decidiu deixar o hotel e encontrar a família em um restaurante próximo à rodovia, mas foi seguido pelos dois veículos e que teriam sido disparados mais de 22 tiros em direção a ele, mas acabou não sendo atingido porque sua BMW é blindada.

O delegado Sebastião Alves de Oliveira indiciou os quatro por tentativa de homicídio e falsa identidade. Na situação, Eneas, cumprindo o mandado de prisão, foi encaminhado junto com Torresi e Alves de Jesus, à Cadeia Pública de Piracaia, no município vizinho. Os soldados foram levados ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital. Os veículos foram periciados e encaminhados ao pátio municipal.

O fim da ArbCrypto

Em abril de 2020, o juiz Aureliano Albuquerque Amorim, da 4ª Vara Cível de GO, iniciou investigações contra a ArbCrypto que teria sido rotulada como um esquema de pirâmide financeira.

Eneas Tomaz e Alexandre Cesario Kwok, sócios da ArbCrypto e Cafú, ex-embaixador da ArbCrypto.
Eneas Tomaz e Alexandre Cesario Kwok, sócios da ArbCrypto e Cafú, ex-embaixador da ArbCrypto. 

A empresa começou se aproveitando da base de usuários brasileira de outra pirâmide, a FX Trading. 

Com a queda da Fx, Alex Kwok (ex-Prosperity Clube) lançou a ArbCrypto, que nada mais é do que um bot de arbitragem (mesmo esquema da Midas Trend, Atlas Quantum e outros golpes).

Para alavancar a empresa, o ex-capitão da seleção brasileira de futebol Cafu, foi contratado como embaixador.

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Apesar do endosso de Cafu, a empresa era extremamente suspeita. Com propostas de negócio fora da realidade e um bot nunca auditado, o melhor plano da empresa prometia lucros extraordinários de 2,5% ao dia.

Como esperado, ela parou de pagar os clientes e assim vieram todos os problemas judiciais. O fim da história desse golpe financeiro, recentemente, quase terminou com o assassinato de Eneas, o vilão desse filme de Velho Oeste Brasileiro. 


A reportagem foi publicada no jornal Ponte, que procurou as assessorias da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar a respeito do caso, mas ainda aguarda uma resposta.

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