A Venezuela entrou com um processo de US$ 1 bilhão contra o Banco da Inglaterra (BoE) por sua recusa em liberar ouro guardado em seus cofres, enquanto o governo de Nicolás Maduro luta por fundos para aliviar uma profunda crise econômica e de saúde.

Caracas usa o BoE há décadas para armazenar barras que fazem parte de suas reservas do banco central. Houve uma tentativa de resgatar esse ouro no final de 2018, mas a Inglaterra recusou.

Inglaterra não reconhece Maduro como líder legítimo do país

O governo britânico, juntamente com outros 60 governos em todo o mundo, não reconhece Maduro como líder legítimo da Venezuela, argumentando que ele fraudou a última eleição presidencial há dois anos.

Em sua última tentativa, o Banco Central da Venezuela (BCV) mudou de estratégia, dizendo que os recursos provenientes da venda do ouro seriam direcionados para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para ajudar no combate ao coronavírus.

O banco central do Reino Unido possui cerca de 400.000 barras de ouro no valor de 200 bilhões de libras e é o segundo maior custodiante de ouro do mundo depois do Federal Reserve de Nova York, segundo o site do BoE.

Venezuela contrata advogados que já ganharam da Inglaterra uma vez

A ONU identificou a Venezuela como um “país prioritário” em sua resposta global ao Covid-19 porque seu sistema de saúde é frágil. Muitos hospitais carecem de equipamento básico ou até de água corrente.

A questão das reservas de ouro se tornou mais urgente porque o FMI recusou recentemente o pedido de Maduro por um empréstimo de US$ 5 bilhões para lidar com o Covid-19.

O produto interno bruto (PIB) da Venezuela encolheu cerca de 60% desde que Maduro chegou ao poder sete anos atrás, enquanto a produção de petróleo, o principal pilar da economia, caiu para níveis nunca vistos desde os anos 1940.

A grave crise econômica ainda foi exacerbada por sanções americanas cada vez mais rigorosas.

O BCV contratou Tim Lord QC e Zaiwalla & Co, o escritório de advocacia que no ano passado garantiu um acordo não revelado para o Bank Mellat, o banco iraniano.

Mellat havia apresentado um pedido de indenização de 1,3 bilhão de libras contra o governo do Reino Unido por sanções impostas em 2009, que foram posteriormente consideradas pela Suprema Corte como ilegais.

Sarosh Zaiwalla, sócio da Zaiwalla & Co, afirmou que o “arrastar dos pés” do BoE estava prejudicando os esforços da Venezuela para combater o surto viral.

“O Banco da Inglaterra tem um imperativo moral de permitir que a Venezuela venda o ouro do país para permitir que o PNUD ajude efetivamente a população venezuelana na luta contra o Covid-19”, disse ele.

Fonte: Financial Times.