Imagine que você vivesse em um sistema socialista, sem novas tecnologias e sobrevivendo na miséria. De repente, seu país se abre para o capitalismo, mas o sonho de um padrão de vida melhor vira pesadelo com golpes que engolem a economia do país.

Essa foi a situação da Albânia, um belo país voltado para o mediterrâneo que provou do pior do socialismo e da democracia.


Resumo da matéria:

  • Socialismo e a mistura perfeita;
  • Metade do PIB investido em pirâmides;
  • Guerra civil e 2 mil mortos;
  • Brasil não está longe.

Por séculos a Albânia foi um país esquecido e fechado. Entretanto, a partir de 1945 até 1985 a situação ficou ainda pior, o ditador Enver Hoxha chegou ao poder e resolveu eliminar qualquer tipo de propriedade privada, além de limitar qualquer fonte externa de informação.


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Enver Hoxha, ditador da Albânia
Enver Hoxha

Após 40 anos da ditadura socialista de Enver, finalmente no começo dos anos 90, a população albanesa estava transacionando para uma economia de livre mercado.

Certamente, eleições democráticas iriam levar o país para um novo patamar e as maravilhas capitalistas como novos carros e comida abundante iriam fazer o país crescer como nunca.

Como resultado dos anos sem experiência com o livre mercado, com fontes de informação reduzidas e grandes esperanças, os albaneses foram presas fáceis para um golpe sem precedentes na história.

Metade do PIB investido em pirâmides

Em 1993, as primeiras pirâmides albanesas surgiram prometendo lucros gordos com o pretexto de serem empresas capitalistas que iriam mudar o país.

A Vefa foi uma dessas pirâmides, além de prometer grandes lucros, ela investia em hotéis, postos de gasolina e até mercados. A Vefa atingiu mais de 59 mil pessoas no seu auge. Para um país com pouco mais de 2 milhões de habitantes, isso representava uma parcela significativa da população.

E essa era apenas uma das dezenas de pirâmides, Sudja, Gjallica, People’s Democracy-Xhaferri e a Populli também estavam entre as maiores. A competição entre pirâmides e ponzis era tão grande que eles começaram a rivalizar taxas de retornos cada vez mais absurdas.

Consequentemente, muitas pessoas queimaram as economias das suas vidas, vendendo bois, terras, maquinário e tudo que estivesse ao seu alcance. Com isso, o Fundo Monetário Internacional calcula que metade do PIB da Albânia foi investido em esquemas de pirâmide na época.

“O clima é vividamente capturado por um morador que disse que, no outono de 1996, Tirana cheirava e parecia um matadouro, enquanto os fazendeiros levavam seus animais ao mercado para investir os recursos nos esquemas das pirâmides.”

matéria do IMF sobre o tema

Certamente os golpes não iriam tão longe sem o apoio de agentes governamentais. Políticos recém-eleitos garantiam que o Estado iria pagar os investidores se algo ocorresse, o que não era verdade.

Com promessa de retorno individualizado e prejuízo socializado, os albaneses estavam se sentindo como banqueiros.

Duas mil mortes e uma guerra civil

Mas a sensação de banqueiros é para poucos e a população albanesa não tinha essa sorte. Enquanto os cidadãos investiam, as pirâmides simplesmente consumiam os recursos e o governo assistia parado, apesar de avisos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Contudo, uma hora a casa caiu para os piramideiros e infelizmente foi da pior maneira possível para a população.

Em 1997, os 6 maiores esquemas de pirâmide, que totalizavam 132.487 pessoas, declararam falência um atrás do outro. Primeiramente em janeiro de 97 os esquemas Sude e Gjallica declararam falência, o governo então resolveu agir. Apenas com as pirâmides Xhafferi e Populli, o governo conseguiu confiscar US$250 milhões ou 5% do PIB.

Já em março, o país estava em um completo caos. Muitos integrantes das forças armadas desertaram e roubaram as armas dos quartéis, pois eles próprios tinham investido nas pirâmides – mais de 1 milhão de armas foram roubadas.

Como resultado dos protestos, revoltas e confrontos, mais de 2 mil pessoas morreram nesse período violento. O evento ficou conhecido como a Revolta das Pirâmides. Para controlar a situação foi necessária uma nova eleição, apontamento de um governo interino de crise e ajuda internacional.

A realidade brasileira não está distante

Enquanto o exemplo da Albânia pode parecer distante e de outra época, a verdade é que o Brasil é um terreno fértil para ações de pirâmides.

Recentemente tivemos o caso da Unick Forex, que movimentou mais de R$ 28 bilhões até agosto de 2019 e deve R$ 12 bi, segundo o MPF.

Entretanto, a Unick está longe de ser a pirâmide financeira que o brasileiro mais deve se preocupar e sim com a Previdência Social. Similarmente aos outros esquemas de pirâmide, a Previdência depende de mais pessoas entrando para pagar as que entraram antes.

“O espírito do sistema é o seguinte: o trabalhador de hoje paga pela aposentadoria do aposentado atual para que, quando ele se aposente, o trabalhador do futuro pague por sua aposentadoria.”

Mises Brasil

Portanto, é importante além de fazer uma previdência privada (antevendo o colapso do INSS), também se educar para não cair em golpes. Para não cair em fraudes ouça nosso podcast sobre golpes, pirâmides e ponzis:


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