O ministro da Economia Paulo Guedes disse que o país poderia caminhar rapidamente para se tornar uma Venezuela ou uma Argentina se continuasse aumentando as dívidas.

Em entrevista para o Primocast, Guedes disse em um primeiro momento que levaria apenas 6 meses para o Brasil virar uma Argentina e um ano e meio de decisões erradas virar uma Venezuela, mas depois se corrigiu afirmando: “Nós estamos falando para muita gente, vamos… eu to exagerando, é bem mais moderado. Leva uns 3 anos para virar Argentina e uns 5 ou 6 anos para virar Venezuela.

Guedes criticou principalmente os gastos governamentais e o aumento da dívida pública. “A minha geração falhou com a sua”, disse ele para o youtuber Primo Rico. “Nós não poderíamos deixar uma dívida tão grande, foi uma geração que não teve coragem de enfrentar seus problemas e preferiu empurrar com a barriga para frente.”

Para ele, o Brasil só aprendeu a fazer política monetária após o Plano Real, que controlou a inflação do país. Mas a nova moeda não atacou a raiz do problema, o gasto público descontrolado.


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“O Plano Real travou a moeda, mas não travou os gastos. Se eu continuo gastando e agora em vez de emitir moeda e causar inflação, o que eu faço? Emite dívida. E aí os juros sobem.”. Os juros só caem quando você trava os gastos, disse o ministro defendendo a redução de gastos de previdência, por exemplo.

Ao comentar sobre a crise do covid-19, Guedes afirmou que a reforma da previdência salvou o Brasil de um abismo.

“A dívida subiu, mas o tempo inteiro nós tentamos não empurrar tanto o custo para as gerações futuras. A geração que enfrenta uma guerra tem que ter coragem de pagar pela guerra, ela não pode empurrar o custo para frente. Isso nós conseguimos parcialmente fazer. Dizia-se quando começou o covid que a dívida iria para 100% do PIB, ficou em 89.”

De acordo com ele, as medidas emergenciais foram responsáveis pela maior redução da miséria em 40 anos no país. Em parte porque o auxílio emergencial entregou dinheiro diretamente para os pobres, evitando intermediários.

“O caminho da miséria”

No entanto, o ‘deficit’ do ano passado apenas devido à doença foi por volta de R$ 800 bilhões, e quando você considera as dívidas públicas e outros gastos o deficit de 2020 foi superior a 1 trilhão de reais. Ao ser perguntado sobre o que aconteceria se não houver reformas e a dívida continuar subindo para mais de 100% do PIB, Guedes responde que esse é o caminho da miséria.

“Para construir uma nação forte, você leva décadas. Para construir um desastre econômico são alguns meses no pior das hipóteses…”

Enquanto, com decisões erradas o Brasil poderia chegar próximo de uma Argentina ou Venezuela, de acordo com Guedes nós demoraríamos pelo menos 10 anos para alcançarmos a riqueza do Japão ou Estados Unidos, se formos na direção certa.

A Argentina, que já foi o sexto país com maior renda per capita do mundo, segundo ele, está agora caindo há 100 anos devido a uma utopia.

“E o nosso governo não é muito distante, o que aconteceu nas últimas décadas foi que nós partimos para essa ideia de que ‘vamos botar todo mundo igual, vamos dar oportunidade para todo mundo e tal’. Não tem nada de errado com esse desejo de dar oportunidades iguais… agora há diferenças que são as vezes até de chances… O importante é a filosofia de cada um ser responsável pelo seu destino.”

Por conta dos excessos de gastos e impressão de moeda, o Brasil já chegou a hiperinflação duas vezes. Mas hoje, segundo Guedes, o país aprendeu a lidar com o fenômeno monetário e agora “foge para o futuro”.

“Endividamento em bola de neve, você continua gastando muito, mas em vez de gastar com moeda já que você levou duas hiperinflações na cabeça, você aprendeu que não, eu não vou emitir moeda para fazer essa inflação. Como é que eu vou fazer? Vou emitir dívida, aí você na verdade faz endividamento em bola de neve.”

Logo, o maior problema do Brasil vai ficar para a próxima geração, segundo diz Paulo Guedes. Afinal, de acordo com um levantamento do Cointimes, cada novo brasileiro já nasce devendo R$30 mil ao governo.

“Filhos e netos nossos vão ter impostos muito altos no futuro para pagar essa falta de coragem de uma geração de enfrentar os seus problemas.”, concluiu ele.

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