Fernando Motolese, cantor de 38 anos conhecido pela música “Teoria da Conspiração“, quer transformar Jericoacoara na nova “Bitcoin Beach”, imitando o experimento de El Salvador com a criptomoeda.

El Salvador recentemente se tornou o primeiro país a tornar o Bitcoin moeda de curso forçado, mas nem sempre foi assim. A adoção do BTC teve início de forma orgânica no país da América Central através do projeto Bitcoin Beach, de El Zonte.

A ideia de Motolese é replicar o movimento no Brasil, com o objetivo de tornar a praia de “Jeri”, como é conhecida, um paraíso do Bitcoin. “Como dizem no Ceará, Bitcoin #VaiDarCerto”, tuitou ele. 

O projeto brasileiro começou com grandes ambições, a esperança é de que “o Brasil siga os passos de El Salvador para adotar o Bitcoin como moeda legal”, segundo o Twitter oficial do BitcoinBeachBR.

De acordo com Lucas Ferreira, evangelista da Lightning Labs, 40 pessoas já instalaram uma carteira de bitcoin e 8 estabelecimentos já começaram a aceitar pagamentos pela Lightning Network no local.

O BitcoinBeachBR oferece suporte para a comunidade da praia cearense e roda o próprio nó de Bitcoin e Lightning com capacidade de mais de 0,1 BTC (cerca de R$ 30 mil).

full node do BitcoinBeachBR
Nó completo de Bitcoin da BitcoinBeachBR. Reprodução/Instagram.

O full node pode se tornar um hub de liquidez para os usuários da praia cearense. “Estamos planejando cuidadosamente algumas rotas otimizadas na lightning para usuários da BitcoinBeachBR. Eles poderão aceitar pagamentos de todas as Carteiras Lightning com taxas muito baixas e poucos hops.”, esclareceu.

A rede Lightning é uma camada de canais de pagamentos integrados para aumentar a escalabilidade do Bitcoin. Nela, não é necessário ter um canal direto com o destinatário do pagamento, pois outros nós da rede servem como intermediários e o pagamento pula de nó em nó até encontrar o destino. Esses pulos são chamados de ‘hops’.

O nó completo foi instalado com ajuda de tutoriais do canal brasileiro Bitcoinheiros, segundo o idealizador do projeto. Inclusive, o nó do BitcoinBeachBR já está conectado ao nó do Bitcoinheiros.

“Estamos muito felizes fazendo isso, mudando a vida das pessoas. Eles [pessoas de Jericoacoara] adoram fazer transações usando BTC. Estamos planejando fazer um financiamento coletivo para dar R$ 100 [em bitcoin] para cada cidadão local para acelerar a adoção.”, disse Motolese.

Bitcoin Beach em Jericoacoara
Motolese comprando um bracelete do artesão Bob por 4198 satoshis nas ruas de Jericoacoara. Reprodução/Instagram.

Algumas dificuldades, porém, já foram experimentadas por Motolese. Nesta madrugada de quinta-feira, devido a várias quedas de energia, “o nobreak parou de funcionar e entrou em pânico: os dados do blockchain foram corrompidos.”, disse. “O backup de seed e canais está seguro e vamos começar a rodar nosso nó em um laptop, até que chegue um novo equipamento.”

No entanto, vale notar que ninguém foi afetado pelo problema. Com Bitcoin, cada usuário tem a custódia dos próprios fundos. E segundo Motolese, este nó tem apenas finalidades educacionais.

As principais dificuldades de executar um serviço na praia de Jericoacoara citadas por ele foram: 

  • Peças não estão facilmente disponíveis
  • O fornecimento de energia é ruim
  • Você precisa ser o melhor amigo do administrador do provedor de internet.

“Tudo leva mais tempo, precisa de mais paciência e nunca podemos desistir. Quem disse que seria fácil?”, concluiu.

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