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Como o governo se financia fazendo seu dinheiro valer menos Economia

Como o governo se financia fazendo seu dinheiro valer menos

Saiba como o governo desvaloriza seu dinheiro para se financiar.

Felipe Trovão de Sá
Felipe Trovão de Sá

Inflação como transferência de recursos

Quando alguma instabilidade econômica se torna presente em nossa economia é muito comum que haja aumento de preços em diversos setores. Recentemente, com a greve dos caminhoneiros, vimos o preço do combustível e alimentos subir novamente.

Por esse aumento de preços no mercado costumamos culpar os fabricantes e varejo de propositalmente onerar o consumidor para garantirem a si próprios um lucro maior, para se protegerem do caos econômico. Será que é isso mesmo?

Primeiro, precisamos entender que o aumento de preços não é a causa ou a inflação em si, mas sim uma consequência de como o Banco Central está gerindo a economia. No site institucional do BC, encontramos a explicação do que é e o que faz a maior instituição financeira do Brasil[1]:  é o responsável pelo controle da inflação no país. Ele atua para regular a quantidade de moeda na economia que permita a estabilidade de preços.

A inflação é o aumento da quantidade de dinheiro que circula no mercado. Quanto mais dinheiro se permite circular, ou imprimir, maior será o aumento de preços. É simples: com muito dinheiro, sem aumento real de produção ou valor na sociedade, esse “papel” em excesso criado através de dívidas e/ou reservas fracionárias desvaloriza o poder de compra da moeda, causando consequentemente um aumento de preços generalizado.

Em outras palavras: inflação é o aumento da base monetária que produz o aumento de preços, ou seja, o dinheiro terá o menor valor. A situação se agrava pois os governos possuem o monopólio do controle e emissão da moeda.

Historicamente, todos os países com um Banco Central inflacionam sua moeda, causando aumento de preço (desvalorizando a moeda). O dólar tem uma inflação acumulada de 2446.93%[2], ou seja, se o governo dos Estados Unidos não tivesse criado mais dinheiro, um dólar compraria o equivalente a US$24,47 hoje.

Isso não é novo

Mas se olharmos para tempos mais longínquos veremos coisas piores. No ano de 1200, a moeda francesa livre tournois foi fixada em 98g de prata pura, porém, até 1600, o valor era de 11g. Como o governo pode fazer isso? Através do monopólio da cunhagem.

Para se financiar o estado começa a cunhar moedas cada vez mais leves, assim o governo consegue produzir mais moedas e pagar suas dívidas. Depois de algum tempo as pessoas passam a não querer receber as moedas e guardam as antigas pois elas tem mais metal precioso e o governo precisa fixar uma quantidade oficial mais baixa de prata para o dinheiro poder circular.

Em nossos tempos, não temos mais o dinheiro vinculado a um metal precioso e o governo não pode cunhar moedas para circular. Assim, ele faz uso da Casa da Moeda, ou de alguma gráfica licenciada pelo governo (como aconteceu recentemente) [3], para imprimir mais dinheiro e pagar suas dívidas, deixando o dinheiro em circulação nas mãos das pessoas com menos valor.

Alguns anos atrás as pessoas poderiam guardar a moeda mais valiosa e com mais metal. Hoje, carregamos a fome do governo por dinheiro nos nossos bolsos. Vimos isso acontecer na Venezuela, um caso gravíssimo desse abuso de poder.

Se o Brasil precisa de mais dinheiro, pois as contas públicas estão péssimas, poderemos voltar a situações como dos anos 90. Ou ainda podemos ver uma empresa estrangeira imprimindo nosso dinheiro sem qualquer controle.

Nosso Banco Central é responsável por definir uma meta de desvalorização do dinheiro (Metas de inflação), porém o controle é sempre de forma reativa analisando os índices de inflação feitos por terceiros pois não existe um índice oficial de inflação [5]. Na prática a base monetária pode ser aumentada e diminuída e somente no futuro o Banco Central saberá se a variação surtiu o efeito desejado.

Hoje essa transferência é muito mais voraz do que fora antigamente quando os governos cunhavam moedas com menos prata ou ouro, pois nessa época as pessoas conseguiam saber a quantidade de metal nelas, mas hoje a desvalorização é pouco percebida no dia a dia, ficando mais evidente apenas quando há alguma instabilidade econômica.

Será que o governo deveria mesmo controlar a emissão de dinheiro?

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Referências

[1] O que é e o que faz o Banco Central. BCB. <https://www.bcb.gov.br/pre/portalCidadao/bcb/bcFaz.asp?idpai=LAIINSTITUCIONAL>, Acesso em:  01 out. 2018

[2] U.S. Inflation Calculator. Official Data Foundation. <https://www.officialdata.org/1913-dollars-in-2018?amount=1> Acesso em:  01 out. 2018

[3] Rothbard, M.; O que o governo fez com nosso dinheiro: 1. ed. São Paulo: Instituto Mises Brasil, 2013

[4] Câmara aprova MP que quebra monopólio da Casa da Moeda na fabricação de dinheiro. Congresso em Foco. <https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/camara-aprova-mp-que-quebra-monopolio-da-casa-da-moeda-na-fabricacao-de-dinheiro/> Acesso em:  01 out. 2018

[5] Índices de inflação. BCB. <https://www.bcb.gov.br/pre/portalCidadao/indEcon/indice_inflacao.asp> Acesso em:  01 out. 2018

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Felipe Trovão de Sá
Felipe Trovão de Sá

Pós-graduado em Mercado de capitais pelo INPG e atua no mercado de ações e derivativos desde 2004. Empreendedor há mais de 13 anos e hoje é sócio-diretor da Foxbit. Atua na área de riscos, Negócios e parcerias Internacionais.

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