O Marrocos, país localizado no norte da África, proibiu o uso de Bitcoin e criptomoedas ainda em 2017, contudo a medida tomada pelo governo não obteve o resultado esperado. A plataforma de negociação LocalBitcoins está registrando altas de todos os tempos neste ano no país.

Fevereiro de 2021 foi o “melhor mês de todos os tempos” da plataforma no Marrocos em termos de volume de negociação, de acordo com o Diretor de Marketing da LocalBitcoins, Jukka Blomberg, ele afirmou que aproximadamente US$900 milhões em bitcoins foram negociados na plataforma durante o mês. LocalBitcoins também viu um aumento de 30% nos registros de usuários entre 2019 e 2020, disse Jukka.

As compras de bitcoins estão aumentando, apesar da proibição de criptomoedas no país. Em novembro de 2017, o Foreign Exchange Office de Marrocos informou ao público em geral que as transações em moeda virtual constituíam uma violação dos regulamentos cambiais e estavam sujeitas a sanções e multas. Os reguladores financeiros continuam a ver as criptomoedas com ceticismo, mesmo enquanto o banco central do país estuda os benefícios de uma moeda digital nacional emitida pelo governo (CBDC). 

Volume semanal de Bitcoin – LocalBitcoins. Fonte: Coindesk.

Apesar da proibição, o comércio em plataformas como a LocalBitcoin cresceu continuamente ao longo dos anos. De novembro de 2017 a fevereiro de 2021, os volumes de negociação na plataforma tiveram um aumento acentuado de 215%.

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No Marrocos, uma combinação de curiosidade, desejo e autonomia por liberdade financeira está levando os marroquinos a comprar criptomoedas, de acordo com Isaf Nori, gerente de comunidade do Oriente Médio da criptomoeda Decred.

Alguns traders querem apenas ganhos rápidos com as criptomoedas. Alguns deles querem liberdade financeira porque não usam bancos, disse Nori.

O Bitcoin e os desbancarizados

Uma pesquisa do Banco Mundial de 2019 mostrou que apenas 29% dos adultos marroquinos têm acesso a contas bancárias, o que é consideravelmente menor do que a média regional do Oriente Médio e Norte da África (MENA) de 44%.

Eu acho que são apenas pessoas empregadas que usam os bancos. Se estiverem desempregados ou autônomos, querem apenas estocar o dinheiro em casa. Eles simplesmente não usam o banco, disse Nori. 

Em um artigo de 2015 publicado no Guardian, um funcionário bancário marroquino Ismail Douiri descreveu a reação das pessoas de baixa renda a um programa de serviços financeiros de baixo custo criado pensando neles. A maioria foi intimidada pelos bancos e também pelas taxas. 

Essas eram todas as preocupações que poderíamos ter previsto. O que não esperávamos era que nossos novos clientes em potencial dissessem que o que mais valorizavam era a privacidade e confidencialidade.

Nori disse que a liberdade e a confidencialidade inerentes às criptomoedas podem estar alimentando a curiosidade sobre bitcoin no país. 

Com a proibição e com as dificuldades impostas pelo governo local, os marroquinos precisam procurar por soluções alternativas para a compra do ativo. Muitos utilizam transferências em negociações feitas em plataformas de mídia social.

Os marroquinos podem também comprar criptomoedas em exchanges através de cartões de créditos internacionais, embora não tenham permissão para converter suas compras em dirham (a moeda local), de acordo com Nori.

No geral, parece que a tendência positiva do bitcoin e a crescente demanda não foram afetadas no Marrocos. E olhando para 2021 e além, há vários motivos para estarmos muito otimistas sobre o potencial de crescimento , acrescentou Jukka Blomberg. 

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