Investidores que perderam dinheiro com UST e LUNA abriram processo coletivo criminal contra a Binance.US e isso pode abrir um precedente no que tange a responsabilização por decisões individuais de um mercado ainda muito imaturo e oportunista.

Abertura de processo coletivo

O processo coletivo está sendo liderado pela empresa de advocacia norte-americana Roche Freedman. Um dos sócios-fundadores, Kyle Roche, vem incentivando que mais compradores de LUNA e UST se juntem para abrir novos processos, não só contra a Binance.US, mas contra todas as exchanges dos Estados Unidos que venderam os ativos.

O interesse da firma de advocacia é muito claro, já que o processo envolve o pagamento de indenização aos prejudicados e uma bela porcentagem do valor total seria dedicado à Roche Freedman no caso de ganhar judicialmente.

Os advogados falam em nome das vítimas que perderam dinheiro com a compra de UST e LUNA e culpam, não a Luna Foundation Guard e Do Kwon, que são os responsáveis pela fraude financeira cometida, mas sim empresas que serviram como intermediárias para a negociação por livro de ofertas de pessoas que queriam vender, para pessoas que queriam comprar os ativos.

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De quem é a culpa?

Existem muitas evidências de que realmente ocorreu uma fraude financeira e os investidores foram enganados por Do Kwon e a empresa por trás da blockchain Terra (LUNA). Eticamente falando, a fraude deveria ser punida, inclusive com restituição dos danos.

O problema é que processar os verdadeiros culpados seria mais trabalhoso, já que a empresa é registrada em outro país, fora dos Estados Unidos, além da possibilidade de surtir pouco resultado financeiro, já que aparentemente os fraudadores parecem ter perdido uma grande parte do dinheiro. Não existe pagamento de indenização por quem não tem dinheiro, certo?

É por isso que, em uma jogada de oportunismo, alguns dos investidores estão querendo delegar a culpa de suas próprias decisões e do verdadeiro crime para outros alvos – no caso recente, Binance.US.

A Binance.US é uma plataforma de negociação de criptomoedas que disponibiliza contas e um livro de ofertas onde traders podem criar ordens de compra e venda que são executadas por outros traders. É um serviço de intermediação.

Existe uma discussão muito válida sobre a responsabilidade moral destas empresas em relação aos ativos que elas listam na plataforma e deixam disponíveis para negociar. É compreensível que elas sejam “condenadas” pela opinião pública, percam credibilidade e sejam questionadas sobre a legitimidade dos produtos disponíveis, mas o “julgamento” neste caso deveria ficar a cargo do próprio livre mercado.

Ao levar para o âmbito jurídico, o que parece é realmente uma tentativa desesperada de todos aqueles que tomaram uma má decisão de sair com algo de dinheiro desta grande falha financeira. O que eles querem é “alguém para culpar” ou um “boi de piranha”, que poderia criar um precedente muito ruim sobre quem são os verdadeiros culpados em um caso de fraude.

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