Passfolio

Em meio ao aumento do autoritarismo dos governos em relação às restrições de covid, algumas pessoas estão pensando em formas pacíficas de retaliar as repressões estatais. É o caso de Peter Todd, desenvolvedor do Bitcoin desde 2012, que sugeriu um boicote social contra políticos totalitários.

Curiosamente, a comunidade de Bitcoin está frequentemente tocando no tema da liberdade individual quando o assunto é a pandemia, tanto no Twitter quanto em outras redes sociais. O caso da Austrália é provavelmente o mais comentado, com figuras como Hodlonaut, PlanB e Tone Vays denunciando o autoritarismo estatal.

“Vários de meus amigos estão literalmente fugindo da tirania do Estado, que tirou sua liberdade de movimento e tornou a vacinação obrigatória sob a ameaça de multas pesadas e prisão. Eles tiveram que deixar seu país de origem, sua família e seus amigos. Esta é a realidade agora.”, escreveu o pseudônimo Hodlonaut, figura antiga na comunidade de Bitcoin. PlanB relatou a mesma coisa.

Uma evidência de que a comunidade de Bitcoin está engajada em pautas pró-liberdade ao redor do mundo foram as retiradas dos mandatos de vacinas e máscaras em El Salvador. O presidente Nayib Bukele quis aumentar o fluxo de bitcoiners para o país, mas as restrições foram vistas como um empecilho. Na maioria dos países, porém, os governos impõem cada vez mais medidas autoritárias.

Uma das medidas da Austrália foi impor campos de internamento de covid para os cidadãos. O jornalista americano Max Blumenthal relatou recentemente no Twitter o caso de Hayley Hodgson, uma australiana que testou negativo para o vírus e mesmo assim foi confinada em um destes campos por 14 dias.

O youtuber Monark, que sugeriu no podcast Inteligência Ltda que quem não tem bitcoin se daria mal no futuro, compartilhou o caso:

Um outro vídeo, dessa vez compartilhado por Peter Todd, supostamente mostra a polícia italiana checando o status de vacinação das pessoas para que possam utilizar o transporte público.

De forma similar a como fizeram na China, conforme mostra a matéria de título duvidoso do Globo, “Primeiro epicentro de Covid-19, Wuhan, na China, volta à vida normal“, publicada em fevereiro de 2021, os policiais checam os indivíduos por aplicativo, lendo códigos QR.

Para Todd, esta é uma enorme violação da privacidade, já que os QR Codes que eles estão digitalizando identificam cada pessoa de forma única. Dessa forma, a polícia pode começar a registrar os nomes e a localização de todas as pessoas que escanear permanentemente. “A primeira desculpa para fazer isso seria pegar o uso fraudulento.”, concluiu.

Resposta ao autoritarismo

Referenciando todos os casos de abuso de autoridade, um usuário no Twitter chamado de “Millhouse Van Houten” publicou uma enquete com a seguinte pergunta:

“Chegou a hora de (não violentamente) tornar a vida privada muito, muito, muito desconfortável para cada político e funcionário da saúde pública que desnecessariamente continua com este pesadelo?”

O resultado, com mais de 2223 votos, foi de 97,4% “sim”, no momento da escrita desta matéria. Pelo menos dentro de um público específico do Twitter, várias pessoas estão dispostas a se engajar em algum nível de boicote social. O programador Peter Todd deu um exemplo concreto:

“Podemos obter listas de políticos que apóiam passaportes de vacina e distribuir aplicativos de verificação de código QR que colocam esses políticos na lista negra para recusar a entrada em restaurantes, bares, etc.”

A ideia é usar a mesma estratégia de ostracismo social contra os políticos, para eles na pele aprenderem o quão difícil é ser boicotado pela sociedade.

O ostracismo social não é uma ideia nova, em Atenas era uma das punições severas para quem ameaçava as liberdades de todos os cidadãos. Mais recentemente em São Francisco – Califórnia USA, a comunidade LGBT fazia ostracismo comercial contra marcas homofóbicas na década de 80.

Leia mais:

Passfolio