Após queda significativa, em julho deste ano, por conta da proibição do Partido Comunista da China contra as mineradoras chinesas, a hashrate do Bitcoin volta para máximas históricas, contando uma bela história de descentralização e resiliência.

O que é Hashrate e porque ela é importante?

“Hashrate” refere-se ao poder computacional combinado total que está sendo usado para minerar e processar transações em uma blockchain PoW – Proof of Work.

Os mineradores devem competir, usando suas máquinas para resolver um difícil problema matemático.

O hashrate é uma métrica importante para avaliar a força de uma rede blockchain – mais especificamente, sua segurança e descentralização.

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Quanto mais máquinas forem dedicadas por mineradores honestos para descobrir o próximo bloco, maior será o hashrate e mais difícil será para os agentes maliciosos causarem algum prejuízo.

​Um ataque de 51%, por exemplo, ocorre quando um único indivíduo – ou grupo de atacantes, compra ou aluga equipamento de mineração suficiente para controlar mais de 50% do hashrate de uma blockchain.

Como as blockchains são baseadas em um sistema de não-confiança ​​e obedecem a uma regra conhecida como “regra da cadeia mais longa”, uma pessoa ou grupo que controla a maioria do hashrate poderia, em teoria, bloquear ou reorganizar transações e até mesmo reverter seus próprios pagamentos.

Isso criaria problemas de gasto duplo que, por sua vez, minariam completamente a integridade dos blocos subjacentes.

O que aconteceu com a hashrate do bitcoin após a proibição da China?

Em junho deste ano, a China proibiu definitivamente as atividades de mineração no país – que era responsável por uma grande dominância da hashrate do Bitcoin.

Hashrate do Bitcoin em abril de 2021

Saindo de uma alta histórica de 198,5M TH/s em 14 de abril e alcançando mínimas nos últimos 2 anos de 58,4M TH/s, fazendo a rede perder ~70% de sua taxa de hashs geradas.

Hashrate do Bitcoin em julho de 2021

O evento não só prejudicou a segurança da rede baseada em prova de trabalho (PoW), como também afetou negativamente o subsistema geopolítico de descentralização.

O que significa que, a partir de agora, os mineradores têm “menos um” país (e por país me refiro à localização) para minerar.

Isso pode se tornar um problema quando outros países tomam a mesma decisão, atacando à rede através da proibição, e centralizando a hashrate em cada vez menos países, podendo tornar a rede cada vez mais dependente de decisões políticas localizadas.

Apesar de ser um ponto de atenção, a rede ainda continua muito descentralizada no fator de geolocalização.

Com a proibição, mineradores precisaram levantar acampamento e se mudar para outros países abertos à atividade. O que pode ter colaborado para a descentralização da hashrate, que antes tinha grande peso na China.

Alguns destes mineradores, inclusive, puderam ter sido responsáveis por uma pressão vendedora momentânea ligada ao evento – que pode ter ocasionado queda no preço do bitcoin, já que foi necessário levantamento de recursos para a logística e mudança dos equipamentos e restabelecimento em outros países.

Hashrate do Bitcoin recuperou altas históricas

A preocupação relacionada à sustentabilidade ambiental também levou os mineradores a se reinventarem e inovarem nas soluções de consumo de energia elétrica para mineração.

Isso colaborou ainda mais para uma pulverização geopolítica das mineradoras, vendo um crescimento da hashrate em países com menor dominância pré-proibição chinesa, colaborando com a descentralização da rede.

Temos casos também, como o de El Salvador, com a Bitcoin City, mineração institucional e uso de energia renovável alternativa para a atividade.

E depois de alguns meses, os números finalmente contam a história observável da recuperação da segurança da rede, medida pela hashrate, que voltou a atingir valores próximos à alta histórica de abril de 2021.

No dia 05 de dezembro foi observado uma taxa de hash de quase 191M TH/s.

Hashrate do Bitcoin em dezembro de 2021

Essa recuperação demonstra ao mercado o que muitos entusiastas já sabem.

O protocolo do Bitcoin é fundamentado em uma rede descentralizada, incensurável, resistente e altamente resiliente contra ataques de instituições centrais maliciosas.

Enquanto houver descentralização, a rede está segura. E qualquer tentativa de prejudicar o bitcoin, só tende a fortalecê-lo com o tempo, desde que os participantes honestos se mantenham fiéis aos princípios e às regras que envolvem a ideia do Bitcoin.

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