O diretor do Mercado Bitcoin, Fabrício Tota, afirmou que o maior equívoco cometido pelos entusiastas de criptomoedas foi o de “misturar com ideologia”, pois isso acabaria em um “caminho perigoso”.

No último vídeo da série “Preconceito”, do canal Spotniks, colocaram o entusiasta de cripto Fabrício Tota e o gestor de fundos Luiz Alves para conversar (sem que eles soubessem). Luiz é cético em relação ao bitcoin e demais criptomoedas.

Em uma dos temas do quadro, cada um deveria dizer qual seria o maior erro dos entusiastas e dos céticos das criptomoedas. Para Alves, o maior equívoco na opinião de Tota seria “tentar procurar o próximo bitcoin”.

O diretor da exchange brasileira então respondeu que o maior erro cometido é misturar com ideologia.

“‘Po, não tem que ter Estado’… ‘Imposto é roubo’… Put* cara, misturou com ideologia acho que daí dá uma complicada porque acho que aí a gente vai para um caminho perigoso e que acho que não tem conexão, tipo… você fica muito limitado na conversa que você consegue ter. Acho que essa mistura é perigosa.”

O criador do Bitcoin errou em misturar tecnologia com ideologia?

Como discutimos no artigo “Visões de Satoshi: o criador do Bitcoin era libertário?“, a conexão entre bitcoin e libertarianismo, criticada por Tota, vem desde os primórdios da criptomoeda.

Em novembro de 2008, ainda antes do lançamento da rede Bitcoin, Satoshi Nakamoto comentou com o criptógrafo Hal Finney que sua invenção seria muito atrativa para o ponto de vista libertário.

Isso era evidente, pois a maioria das tecnologias que permitiram o surgimento do Bitcoin foram criadas com cypherpunks, defensores do direito à privacidade e liberdade individual.

Os criptoanarquistas buscavam desenvolver formas de tornar a censura estatal impossível, e era assim que eles iriam conquistar sua soberania financeira, sem ter que pedir permissão. No fim das contas, é isso que o Bitcoin busca alcançar.

Como o entusiasta e pioneiro do Bitcoin no Brasil Daniel Fraga explicou, não importa as intenções de Satoshi, mas fato é que sua tecnologia é bem compatível com a filosofia anarcocapitalista.

A criptografia e o poder computacional do Bitcoin permitem que a rede seja resistente à censura, como aponta Tota. Somado a isso, a descentralização e o efeito de rede dificultam alterações na política monetária, já que esta só é possível se tiver amplo consenso.

Por estes motivos, o Bitcoin pode ser uma tecnologia neutra, mas é resistente a diferentes ideologias políticas. E esse é um ponto relevante da sua disrupção com o sistema monetário atual, pois, sem isso, ele não ofereceria nada de novo.

Veja o vídeo completo:

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