A criação do Plano Real em 1994 trouxe significativas mudanças positivas para a saúde do dinheiro brasileiro, livrando o país da hiperinflação que sufocava a economia desde 1960. Os gastos crescentes do governo que eram pagos com a impressão direta de papel moeda, passaram a ser financiados com mais impostos e emissão de dívida.

Entre 1995 e 1996, por incrível que pareça, o real chegou o real chegou a ser mais valorizado que o dólar. Nesse período, o dólar oscilou em torno dos 90 centavos de real. Desde então, a moeda brasileira foi continuamente depreciada com impressão de dinheiro. E o cenário hoje é completamente diferente. Mas por que isso aconteceu? E por que isso deve ser uma tendência?

Impressão de dinheiro

Com o fim do acordo de Bretton Woods após a segunda guerra, as moedas fiduciárias (euro, real, dólar…) perderam o seu lastro com o ouro. Desde então, os bancos centrais se viram livres para imprimir quanto dinheiro eles quisessem. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos imprimiram muita moeda desde que isso ocorreu, com o Brasil tendo pisado no freio monetário em 1994. Porém, a emissão das moedas permaneceu mais ou menos semelhante nos últimos 20 anos.

Impressão de dinheiro no Brasil pelo Banco Central. Fonte: Trading Economics.
Impressão de dinheiro nos Estados Unidos pelo Federal Reserve. Fonte: Trading Economics.

Como a impressão de moeda de ambos os países foram muito semelhantes no últimos 20 anos, outros fatores estão influenciando a tendência de alta do dólar em comparação ao real. 

Juros e guerras

Um importante motivo para o dólar ter permanecido em um valor baixo nos últimos 15 anos foram as constantes intromissões dos EUA em guerras no Oriente Médio. Países em guerra tendem a ter suas moedas desvalorizadas por conta dos riscos e gastos que conflitos bélicos trazem.

O fator mais relevante para a desvalorização do real certamente é a taxa de juros -Selic-.. Os bancos centrais do mundo tem jogado a taxa de juros para baixo a fim de ‘aquecer’ a economia e diminuir o valor pago para a rolagem das dívidas públicas. E o Brasil adotou medidas semelhantes, mais especificamente no ano de 2019 com a mudança de governo.

Com uma taxa de juros menor, muitos investidores saíram do Brasil simplesmente por que os seus investimentos não rendiam o mesmo que antes. Se tornou mais interessante para eles investirem em outros países que têm taxas semelhantes, porém que não possuem tantos riscos quanto o Brasil. 

Com essa repentina mudança, sem os dólares do capital especulativo, o real brasileiro mostrou seu verdadeiro valor perante o dólar. A pandemia também intensificou a fuga de capital, pois em momentos de incerteza, os investidores procuram por lugares com menores riscos.

Por conta dessa aparente falta de controle na impressão de moeda, diversas pessoas estão migrando para ativos escassos como o ouro e o bitcoin, sendo os dois ativos com as maiores valorizações esse ano.


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