De acordo com a resolução 4661 da CMN (Conselho Monetário Nacional), as diretrizes de aplicação dos recursos garantidores dos planos administrados pelas entidades fechadas de previdência complementar ainda não admitem investimentos em bitcoin – o que acaba freando a adoção por parte dos institucionais. 

O Cointimes, então, foi atrás de explicações para este entrave. Segundo João Francisco Schuch Bastos, gerente de gestão de investimentos da CELOS (Fundação Celesc de Seguridade Social): “O investimento em Bitcoin/criptomoedas, na verdade, não pode ser utilizado como investimento na carteira pelas entidades de previdência”. 

Ele adiciona que “a resolução 4661 da CMN é uma resolução de 2018, mas na época, não havia definição técnica clara em referência às criptomoedas. Era um ambiente incipiente. Atualmente não existe a possibilidade na legislação para esse tipo de aplicação. Talvez na próxima alteração da lei, a tendência das criptomoedas se concretize, mas hoje não tem possibilidade”. 

De acordo com João Felipe Frandolozo, Head da Plug Investimentos, é normal essa tendência ser atrasada aqui no Brasil: “Os gestores que administram os regimes próprios de previdência municipal (constituído de contribuintes do município e funcionários públicos), recentemente começaram a investir e compreender o mercado de renda variável, pois até então concentravam seus investimentos em títulos públicos e demais ativos de renda fixa”.

Evolução do ciclo institucional

Primeiro chegaram as empresas de capital aberto, que se rendem ao Bitcoin e ainda fazem ativismo, como é o caso de Michael Saylor

No momento em que este artigo foi escrito, de acordo com o site de dados do mercado cripto CoinGecko, 27 empresas públicas (globalmente) possuíam Bitcoin em seus balanços, totalizando quase US$ 10 bilhões. 

Na América do Sul, por exemplo, empresas como o Mercado Livre e Globant já compraram Bitcoin também, mostrando que a adoção é mundial. E nacional também, já que ano passado uma startup brasileira se tornou a primeira empresa brasileira a investir 15% do caixa em Bitcoin.

institucionais públicos

De acordo com o Banco Mundial, em 2018, havia 43.342 empresas públicas no mundo. O que aconteceria com o preço do Bitcoin se apenas 1% delas comprasse o ativo?

Em seguida, se analisarmos o crescimento do mercado de futuros, perceberemos a segunda fase do ciclo institucional invadindo o BTC.  

No final de 2017, quando o preço do Bitcoin quase chegou a US$ 20.000 por unidade, havia muita expectativa sobre a estreia dos contratos futuros de Bitcoin na Chicago Mercantile Exchange (CME). Contudo, foi apenas em novembro de 2020, e especialmente em 2021, que houve um salto nos volumes de contratos futuros do Bitcoin – impulsionados por hedge funds e players institucionais.

O terceiro movimento institucional importante foi a chegada dos fundos de cripto. No momento em que este artigo foi escrito, mais de US$ 56 bilhões estavam sob custódia em fundos de ativos digitais em todo o mundo. A maior parte é gerenciada pela Grayscale Bitcoin Trust. 

No Brasil, segundo a empresa de dados de mercado Economatica, existem mais de R$ 2,3 bilhões em fundos administrados por empresas brasileiras, como Hashdex, BLP, QR Capital, BTG Pactual, Vitreo e outros.

institucionais em ouro - aqui não tem nada de previdência institucional

Pela primeira vez o Brasil sai na frente: já que os Estados Unidos ainda não aprovaram um ETF de Bitcoin, mas há uma pressão crescente sobre a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para fazê-lo. 

Por aqui, já foram aprovados dois ETFs de criptomoedas, dentre eles o HASH11 e o QBTC11 da QR Capital.

Por fim, parece haver um enorme apetite institucional e corporativo fluindo para o mercado de criptomoedas e ativos digitais. Além do que foi dito acima, existe ainda a parcela de fundos de previdência e empresas tradicionais que devem seguir a onda cripto. Resta saber se os investidores que recentemente começaram a investir e compreender o mercado de renda variável, vão entender o mercado bitcoin.

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