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Euro digital avança na Europa e mostra que o debate sobre o Drex nunca foi apenas sobre tecnologia      

 A aprovação do euro digital pela Comissão de Assuntos Econômicos do Parlamento Europeu revela uma das grandes ironias da transformação financeira em curso. Ao mesmo tempo em que governos e bancos centrais defendem moedas digitais como ferramentas capazes de aumentar a eficiência econômica, reduzir custos operacionais e dificultar fraudes, cresce entre cidadãos, investidores e defensores da privacidade o receio de que essas mesmas tecnologias ampliem a capacidade de monitoramento estatal sobre a vida financeira das pessoas.

A discussão não acontece apenas na Europa. Ela também está presente no Brasil desde que o Banco Central iniciou o desenvolvimento do Drex. E talvez essa seja a principal razão pela qual o debate em torno das moedas digitais emitidas por bancos centrais tenha se tornado tão intenso. Afinal, poucas tecnologias conseguem reunir simultaneamente promessas de modernização, preocupações com liberdade individual, interesses geopolíticos e disputas sobre o futuro do dinheiro.

No caso europeu, a justificativa oficial ajuda a compreender por que o projeto ganhou força. Atualmente, uma parcela significativa dos pagamentos digitais realizados na zona do euro depende de poucas empresas americanas que controlam as principais bandeiras de cartão. À medida que a economia se torna cada vez mais digital, cresce também a percepção de que a infraestrutura financeira passou a ter importância estratégica semelhante à de setores como energia, telecomunicações ou logística.

Imagine um país cuja principal malha ferroviária, seus portos ou suas redes de comunicação estivessem sob controle de empresas estrangeiras. Ainda que funcionassem perfeitamente, dificilmente deixariam de ser vistos como pontos de vulnerabilidade. Com os pagamentos digitais acontece algo semelhante. Quem controla as redes pelas quais o dinheiro circula exerce influência sobre uma das engrenagens mais importantes da economia.

Por trás da aprovação do euro digital existe, portanto, uma questão de soberania. A Europa deseja reduzir dependências externas em uma área considerada cada vez mais sensível. E, nesse aspecto, não está sozinha.

e existe algo que a decisão do Parlamento Europeu ajuda a demonstrar é que o debate sobre moedas digitais emitidas por bancos centrais deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se transformar em uma tendência global. A China já realiza testes em larga escala com o yuan digital há vários anos. Índia, Reino Unido e Brasil possuem projetos avançados. Bahamas, Jamaica e Nigéria já colocaram versões digitais de suas moedas em circulação. Mesmo nos Estados Unidos, onde existe maior resistência política à criação de uma CBDC, o tema passou a ocupar espaço relevante nas discussões sobre política monetária e soberania financeira.

O mais interessante é que os objetivos variam de país para país. Algumas economias buscam ampliar a inclusão financeira. Outras procuram redu 

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