2022 será o ano em que as altcoins se tornarão menos correlacionadas com o bitcoin, de acordo com Chen LI, CEO da empresa de risco Youbit Capital.

Além disso, se, por sua vez, o próprio Bitcoin não está correlacionado com os ativos macro, cada vez mais os gestores de investimentos terão que observar de perto as altcoins para montar seus portfólios com a quantidade certa de diversificação.  

Bitcoin e ativos macro

Com 2021 quase no espelho retrovisor, é um bom momento para os gestores de investimentos reavaliarem a noção de que a criptomoeda ainda é uma classe de ativo de risco. Afinal, o risco das criptos ajudará a determinar como alocar ativos em 2022.

Para muitos investidores, a liquidação massiva de março de 2020 ainda está fresca na memória. Bitcoin e Ethereum, bem como quase todas as criptomoedas, despencaram como se estivessem acorrentados às ações e demais ativos macro que também retrocederam em rendimentos na mesma época. 

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Foi nessa época que começamos a ouvir o refrão de que as criptomoedas eram uma aposta muito arriscada, visto que seu bom desempenho estava relacionado com o sentimento ganancioso dos aventureiros do mundo cripto e o mau desempenho ao sentimento de nervosismo e “medo extremo” do mercado. 

É claro que o risco existe, já que essa é uma aposta no futuro das finanças. Contudo, se o dinheiro for realmente migrar para a blockchain, é necessário e comum observar as correlações entre as criptomoedas e os demais ativos macro.

gestores vão ter prestar atenção nas altcoins, como mostra aqui a correlação entre BTC e ativos macro é baixa.
Correlação entre Bitcoin e S&P500, Ouro, Títulos Públicos americanos, Commodities (90 dias) – Fonte: Coindesk

A linha preta mostra a correlação entre o bitcoin e o S&P 500, o índice que representa o mercado de ações dos EUA. Se as ações são geralmente uma aposta de risco (em comparação com títulos), então seria de se supor que o bitcoin estaria altamente correlacionado ao índice ou pelo menos se moveria nessa direção.

Mas não é isso que acontece. Em seu pico, há dois meses, o coeficiente de correlação de 90 dias entre o bitcoin e o S&P 500 atingiu o pico em torno de 0,31. Isso é uma correlação muito fraca. Em junho de 2021, o coeficiente foi de -0,04, o que significa que estatisticamente não havia relação entre os preços das ações dos EUA e do bitcoin. 

Semelhantemente, nenhuma correlação entre ouro e Bitcoin é percebida. A correlação de 90 dias entre bitcoin e ouro atingiu seu pico de 2021 no início de janeiro, em 0,30. Desde então, ele tem se debatido em torno da linha 0. Seu ponto mais baixo foi -0,18 em agosto e está em apenas 0,07. 

Por fim: a correlação do bitcoin com os títulos americanos é representada pelo ETF iShares 20+ Year Treasury Bond em amarelo. Comparada com as outras, essa linha está se fixando em 0. Isso também é válido para commodities (conforme representado em verde pelo iShares S&P GSCI Commodity-Indexed Trust). 

A desvantagem é que o mercado de criptomoedas ainda é bastante volátil – até mesmo a criptomoeda mais consolidada, bitcoin – tem registrado alto índice de volatilidade em comparação com os demais ativos citados acima.

bitcoin e ativos macro

Ainda assim, a percepção de que o bitcoin está correlacionado a outros ativos de risco ou ouro persiste, mas o que acontecer nos próximos dois trimestres testará essa tese, de acordo com Chen LI, CEO da empresa de risco Youbit Capital.

Bitcoin e altcoins 

Chen Li, conforme suas declarações para a Coindesk, espera que os ativos de risco retrocedam à medida que as taxas de juros subam com a redução do programa de compra de títulos pelo Fed (os rendimentos dos títulos aumentam quando os preços dos títulos caem, o que é antecipado, uma vez que o banco central não estará tão presente no mercado para comprar quanto antes).

“Vamos ver se o bitcoin pode aguentar a gravidade”, disse Li ao programa First Mover da CoinDesk.

O coeficiente de correlação de 90 dias entre o Bitcoin e o Ethereum, por exemplo, é alto, 0,80. 

Bitcoin e altcoins

No entanto, os coeficientes de correlação são um pouco mais baixos para os tokens nativos dos concorrentes do Ethereum. Chen Li adiciona que essas correlações cairão conforme as plataformas de contratos inteligentes crescem em adoção. 

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E há mais um fator contribuinte que ele vê, e que pode não ser tão intuitivo: é como os ativos são negociados. 

“Em exchanges centralizadas e descentralizadas (Dexes), estamos vendo mais volumes nos pares stablecoin em vez dos pares BTC ou Ethereum”, disse Li. “Porque [quando] tokens alternativos são negociados contra stablecoins, a correlação entre Ethereum [ou] bitcoin simplesmente cai.” 

Se uma criptomoeda for precificada contra outra criptomoeda, como o bitcoin, eles simplesmente se moverão juntos, explicou Li. 

Contudo, as negociações contra stablecoins, que muitas vezes são atreladas ao dólar americano, quebram a conexão dessas moedas com o bitcoin e o Ethereum, acrescentou ele. 

Talvez, então, 2022 seja o ano em que as altcoins se tornam menos correlacionadas com o bitcoin que, por sua vez, não está correlacionado com os ativos macro. 

Nesse caso, futuramente os gestores de investimentos tradicionais terão que prestar mais atenção nas altcoins para conseguir montar um portfólio verdadeiramente diversificado.

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