Se a história servir de exemplo, 2020 será um precursor de uma profunda depressão econômica em uma miríade de países ao redor do mundo. Durante o ano passado, economistas e analistas têm discutido como especificamente a economia dos Estados Unidos e o dólar americano tem perdido dominância global rapidamente. Enquanto alguns analistas acreditam que isso só acontece em países subdesenvolvidos, muitos outros esperam uma hiperinflação devastadora para os EUA e muitos outros países poderosos.

Estímulos econômicos e suas consequências

O surto de coronavírus foi uma ótima desculpa para o cartel bancário mundial cunhar mais notas promissórias do que em qualquer outro momento da história. Nos EUA, os americanos viram US$ 9 trilhões em injeções de estímulo. As estimativas dizem que, somente em 2020, os EUA criaram 22% de todos os dólares americanos emitidos desde o nascimento da nação.

Além disso, os norte-americanos não são os únicos a vêrem grandes quantidades de pacotes de estímulo relacionados à Covid-19, já que países como Japão, China e Brasil seguiram o mesmo caminho. Essa enorme quantidade de dinheiro criado levou economistas a acreditarem que tais medidas levariam a um desastre econômico.

Arrecadação vs Despesas do governo americano. Fonte: FRED

Recentemente, um analista da lookingalpha.com disse acreditar sinceramente que os EUA estão caminhando para a hiperinflação. “A proporção entre déficit e despesas chega a 60%, acima do limite hiperinflacionário de 40%”, escreveu o analista há três semanas.

O PIB do segundo trimestre de 2020 encolheu 31,7%, mas vai melhorar no terceiro trimestre de 2020. A inadimplência está aumentando devido ao recorde da dívida corporativa. E o dólar americano perderá valor devido às taxas de juros ultrabaixas e ao Quantitative Easing (QE)”, acrescentou. O autor também considera o ouro como “o único porto seguro.

O colaborador do Balance, Kimberly Amadeo, publicou um editorial sobre um possível colapso do dólar e “o que fazer se isso realmente ocorrer”. Amadeo insiste que se o valor do dólar despencar significativamente, “qualquer pessoa que detém ativos denominados em dólares os venderá a qualquer custo”.

Isso inclui governos estrangeiros que possuem títulos do Tesouro dos EUA. Também afeta os comerciantes de futuros de câmbio. Por último, mas não menos importante, ele atingirá os investidores individuais, ressaltou Amadeo. O redator do Balance continuou:

“Duas condições devem estar em vigor antes que o dólar entre em colapso. Deve haver uma fraqueza subjacente no valor do dólar americano e deve haver uma alternativa viável. Em outras palavras, deve haver uma razão para as pessoas estarem fugindo do dólar e deve haver um lugar para elas irem. Caso contrário, o dólar continuará a ser a moeda global do mundo. A maioria dos contratos internacionais exige pagamento em dólares, o que também contribui para sua estabilidade.”

A história se repete

Muitas pessoas acreditam que os Estados Unidos estão seguindo um caminho semelhante ao do Império Romano, séculos atrás. Durante o século III aC, já na época do Império, os oficiais romanos descobriram como diminuir a pureza das moedas cunhadas. Ao fazer as moedas valerem muito menos, o governo romano foi autorizado a gastar mais.

Os bancos centrais modernos e o Federal Reserve dos EUA criaram um processo que torna a desvalorização da pureza menos óbvia para o cidadão comum. No entanto, muitos outros países ao longo da história mostram que o esquema não vai durar para sempre e, eventualmente, o jogo fiat vai acabar mal.

Steve Hanke, professor de economia aplicada da Universidade Johns Hopkins, observou que a definição de hiperinflação é essencialmente uma taxa de inflação acima de 50% por um período de um mês ou mais.

Ademais, por conta do surto de Covid-19, políticos em vários países emitiram controles de aluguel e despejo. Isso significa que se você mora em uma região com controle de aluguel, os proprietários não podem aumentar o aluguel dos inquilinos e, em alguns casos, também existe a proibição de despejo.

Diversos exemplos da história mostram que a combinação de controles de aluguel e hiperinflação foram desastrosas para muitas economias em todo o mundo. Por exemplo, no início dos anos 20 na Alemanha de Weimar, o controle dos aluguéis e a hiperinflação causaram estragos no papiermark alemão, a moeda da República de Weimar.

Durante 1992 e todo o caminho até 1994, a Iugoslávia viu os níveis de inflação subirem e destruirem o poder de compra. O país teve a maior taxa de inflação de todos os tempos, que subiu para 313.000.000% durante um período de 30 dias.

Avance rapidamente para os meses de primavera de 2007 no Zimbábue até novembro de 2008, quando o dólar zimbabweano experimentou hiperinflação. O país não foi o mesmo desde então, pois o dólar zimbabuense foi abandonado em abril de 2009 e desmonetizado em 2015. Atualmente, a hiperinflação também está causando estragos na Venezuela, já que a desvalorização monetária para o bolívar arruinou a moeda.

A hiperinflação começou na Venezuela em 2016 e ultrapassou mais de 1.000.000% em 2018. No ano seguinte, o bolívar estava sendo pesado na balança em vez de contado e a inflação atingiu 10 milhões por cento. Dados do Banco Central da Venezuela (BCV) indicam que, entre 2016 e 2019, a taxa de inflação dos bolívares foi de 53.798.500%.

Claro, vários outros países sul-americanos também estão sentindo as dores da crise econômica de 2020. Ao lado da Venezuela, países como Brasil, Nicarágua, Peru, Argentina e Bolívia também enfrentam terríveis consequências econômicas neste ano.

Além do ouro, muitas pessoas pensam que moedas digitais como o Bitcoin irão prosperar durante a possível queda econômica. Esta semana, a avaliação de mercado do criptoativo ultrapassou a capitalização de mercado dos maiores gigantes bancários do mundo. O marketcap do bitcoin (BTC) ultrapassou a faixa de US$ 350 bilhões, tornando-o maior do que bancos como JPMorgan Chase, ICBC China, BAC USA e CCB China.

“Hiperbitconização”

Como a autora de Balance, Kimberly Amadeo, afirma que deve haver uma alternativa viável, os defensores da criptomoeda acham que o bitcoin pode cumprir esse papel.

A hiperbitcoinização é uma transição voluntária de uma moeda inferior para uma superior, e sua adoção depende de uma série de atos individuais de empreendedorismo, em vez de um único monopolista que engana o sistema, explicou o criador do termo ‘hiperbitcoinização’ Daniel Krawisz em março 2014.

Ninguém pode ter certeza de que um evento como a hiperbitcoinização acontecerá, mas o bitcoin (BTC) tem sido o ativo de melhor desempenho na última década, ultrapassando todas as ações e commodities. Mesmo em 2020, enquanto a economia global estremecia, o BTC e várias criptomoedas alternativas tiveram novamente um desempenho melhor do que qualquer coisa que o mundo tem a oferecer em termos de desempenho de investimento.

O BTC ganhou 154% em relação ao dólar americano durante os últimos 12 meses e o ethereum (ETH) ganhou 356% nesse período. Apenas nos últimos 30 dias, o BTC saltou mais de 40%, enquanto o ETH aumentou 44%. Com mais de 7.000 criptoativos existentes e um valor de mais de US$ 536 bilhões hoje, é bastante perceptível que, em comparação com as moedas fiduciárias, as criptomoedas têm sido uma alternativa viável.

Apesar desses fatos, os editores da Balance alertam que é “improvável que o bitcoin substitua o dólar como a nova moeda mundial”. O editorial de Amadeo discute noções sobre como investir em ações e títulos mútuos estrangeiros, ter ativos líquidos em mãos e comprar ouro e metais preciosos se o dólar dos EUA estivesse dando sinais de colapso.

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