China Evergrande Group foi declarada oficialmente inadimplente pela primeira vez. Este marco no drama financeiro que já dura meses abre caminho para uma enorme reestruturação da incorporadora imobiliária mais endividada do mundo.

A Fitch Ratings rebaixou a classificação de risco da empresa para “default restrito” por não honrar dois pagamentos de cupom após um período de carência que terminou na segunda-feira (6), de acordo com um comunicado. 

Default restrito da Evergrande 

A agência de classificação de risco afirma que a Evergrande não respondeu ao pedido de confirmação dos pagamentos e presumiu que não foram efetuados. 

O anúncio representa o começo do fim do vasto império imobiliário iniciado há 25 anos pelo fundador Hui Ka Yan e deflagra a disputa dos credores pelas sobras. Também representa um desafio aos esforços do governo chinês para evitar que a crise de dívida no setor imobiliário se espalhe. 

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Além das dificuldades do setor imobiliário, que representa 25% de seu PIB, a China enfrenta o impacto da pandemia e as atuais dificuldades de abastecimento da cadeia de produção mundial.

No setor de construção, “os acontecimentos recentes evidenciaram os riscos persistentes no mercado imobiliário chinês, com potenciais efeitos importantes entre setores e além das fronteiras”, advertiu a OCDE, que destacou “o enfraquecimento do investimento imobiliário, um importante motor de crescimento”.

Alguns números vinculados a Evergrande provocam dores de cabeça: 300 bilhões de dólares de dívida, 200.000 funcionários, suspensão de pagamentos de 1,2 bilhão de dólares, de acordo com uma informação divulgada na quinta-feira pela agência de classificação Fitch.

“A desaceleração do setor imobiliário na China será importante, mas contida, devido ao reduzido nível de imóveis não vendidos, à possibilidade de flexibilização das políticas públicas, da urbanização e do crescimento significativo da receita”, afirmou a consultoria Oxford Economics, em suas projeções econômicas de novembro.

Devo me preocupar? 

Postulados macro e microeconômicos complicados entram em jogo quando se trata do impacto que as consequências potenciais da Evergrande podem ter sobre a economia mundial. As maiores preocupações eram com o contágio da crise imobiliária em outros setores da economia chinesa e nos mercados globais.  

Entretanto, o caso do Bitcoin com crises imobiliárias vêm de longa data. A criptomoeda surgiu após a crise imobiliária dos EUA de 2007-2008, crise que acabou afetando não apenas o setor imobiliário e os EUA, mas o mundo como um todo.

A chamada crise do subprime fez com que muitos países injetassem dinheiro na economia para evitar a falência de bancos “grades demais para falir” e aumentar a liquidez do mercado. 

Desta vez é a segunda maior economia do mundo que está preocupando o mundo e, embora o Bitcoin tenha caído 0,83% nas últimas 24 horas, o ativo digital continua resiliente às intervenções chinesas no mercado de criptomoedas .

O hashrate, por exemplo, é uma métrica importante para avaliar a força de uma rede blockchain diante de mais uma crise imobiliária – mais especificamente, sua segurança e descentralização. 

Após queda significativa, em julho deste ano, por conta da proibição do Partido Comunista da China contra as mineradoras chinesas, a hashrate do Bitcoin volta para máximas históricas, mostrando que os entulhos da demolição do setor imobiliário chinês não desestabilizaram o ativo.  

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