Os Estados Unidos são reconhecidos por seu uso de simulações militares, conhecidas como “War Games” (jogos de guerra), como método de preparação e previsão de conflitos internos e externos do país. Nessa semana, um jogo vazado pelo The Intercept referenciava a “Geração Z” e o uso de Bitcoin para combater o sistema corrupto.

O jogo, que serve como simulação teórica para futuras possibilidades de revoltas na sociedade, centralizou-se na “Geração Z” (a partir de 1996) e no uso da criptomoeda Bitcoin.

O documento, obtido pelo Ato de Liberdade da Informação, é chamado de “Programa Especial Estratégico Conjunto Terrestre, Aéreo e Marítimo” ou JLASS 2018. O cenário, estimulado por descontentamento social generalizado, é chamado de “Zbelião” da América, e ocorreria em 2025.

2 Páginas do documento JLASS. Fonte: The Intercept

O documento acima apontado destaca como principais fatores as “rebeliões anti-capitalistas, grupos terroristas e extremistas da guerra cibernética”, ainda apontando que os conflitos tecnológicos poderão nivelar seus potenciais destrutivos com as tão conhecidas guerras bélicas e conflitos militares.

O programa, descrito em mais de 200 páginas, também aponta a crucialidade dos eventos do 11 de Setembro e da Grande Recessão (2007-2009), que teriam “fortemente alterado a visão da nova geração, esmagada por dívidas e desiludida por opções de emprego”.

Causa e Consequência

“11 de setembro e a Grande Recessão influenciaram muito as atitudes dessa geração nos Estados Unidos e resultaram em um sentimento de insegurança dentre a Geração Z. Embora os Millennials (80s – 2000s) tenham experimentado esses eventos durante a maioridade, a Geração Z viveu eles como parte de sua infância, afetando sua realidade e visão de mundo…

Muitos se viram presos a dívidas excessivas da faculdade quando descobriram que as opções de emprego não atendiam às suas expectativas. A geração Z é frequentemente descrita como “buscando independência e oportunidade”, mas também é uma das menos propensas a acreditar que exista algo como o “sonho americano” e que o “sistema é manipulado” contra eles.

Frequentemente se vendo como agentes da mudança social, eles desejam satisfação e entusiasmo em seu trabalho para ajudar a “levar o mundo adiante”. Apesar da proficiência tecnológica que possuem, a geração Z, na verdade, prefere o contato pessoa a pessoa em oposição à interação on-line. Eles se descrevem como envolvidos em suas comunidades virtuais e físicas e como tendo rejeitado o consumismo excessivo.”

Fonte: Documento da JLASS

A Zbelião se inicia, então, ganhando tração na Dark Web, no início de 2025. A cibercampanha de exposições das injustiças e medos da Geração Z, apoiada pelo Bitcoin (que foi popularizado na mesma rede), começa a gerar múltiplos protestos em parques, cafés, e outros.

Todo o sistema teria um suporte estruturado na criação de sites de doações com criptomoedas e distribuição de programas para “conversão de moedas nacionais em Bitcoin” irrastreáveis, além da proliferação de malwares que “colhem fundos de corporações, instituições financeiras e ONGs que ajudam ‘o estabelecimento'”.

O dinheiro seria convertido ao Bitcoin, onde seria redistribuído aos membros e grupos de destaque na Zbelião, incluindo líderes e outros que comprovem suas necessidades financeiras.

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Países epicentro da crise da Zbelião
Países epicentro da crise da Zbelião, incluindo o Rio de Janeiro. Fonte: Documento da JLASS

Medidas de contenção são suficientes?

Claramente tomando alguma base na situação atual que vivemos, com os “exposes” do Anonymous, os conflitos e protestos que alvejam a polícia estadunidense contra a “brutalidade policial e o racismo” também comprovam meias-verdades teorizadas fortemente no documento.

Em uma discussão sobre a situação dos protestos, e o despacho da Guarda Nacional para localizações de concentração, o Secretário de Defesa Mark Esper disse:

“Acho que quanto mais cedo você dominar e dominar o espaço de batalha, mais rápido isso se dissipa e podemos voltar ao normal”, disse Esper durante uma teleconferência.

Quanto tempo até chegarmos nisso?

Mesmo que o futuro distópico de conflitos intensos mundiais na disputa pelo poder e liberdade pareçam exagerados, a situação atual da pandemia pode ter nos mostrado leves detalhes de como isso poderia acontecer.

Desde vazamentos de informações da família Bolsonaro no Twitter, até a invasão e destruição de inúmeros estabelecimentos nos Estados Unidos, o conforto e conhecimento da nova geração combinada com a falta de segurança tecnológica disponível atualmente podem ser sinalizações do início de uma nova tendência, de um novo formato de dissuasão e subversão dos sistemas atualmente implementados no mundo.

A guerra e o conflito de poderes sempre se adapta: de brigas de bar a bombas nucleares, quanto mais as tecnologias avançam sem considerar riscos, maiores são as vulnerabilidades a que o povo é exposto.

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