O banco Morgan Stanley, que já vem se mostrando ativo em nosso ecossistema de criptomoedas, como noticiado em abril de 2021 e em julho de 2021 publicou na semana passada uma pesquisa com números interessantes que indicam que o mercado de Tokens Não-Fungíveis (Non-Fungible Tokens – NFT). e jogos no Metaverso podem representar 10% do mercado de luxo até 2030, com a possibilidade de gerar mais de 50 bilhões de euros em receita apenas para esse setor.

“NFTs e social gaming apresentam duas oportunidades de curto prazo para marcas de luxo, permitindo-lhes monetizar sua vasta propriedade intelectual construída ao longo de décadas”, afirma o relatório.

De avatares para redes sociais, à itens de jogos no metaverso, coleções do mercado de luxo e autenticidade de documentação. O que essa indústria pode revelar nos próximos anos?

Dolce & Gabbana no mercado NFT

A marca de luxo Dolce & Gabbana já realizou suas primeiras vendas de NFT através do site UNXD que se define como: “um mercado com curadoria para o melhor da cultura digital.”

O FIM DO REAL BANNER

A primeira campanha intitulada “Collezione Genesi continha 9 itens” que foram vendidos em sistema de leilão. A coleção foi desenhada pessoalmente por Domenico Dolce e Stefano Gabbana exclusivamente para UNXD. Possui itens de museu inteiramente feitos à mão em “Alta Moda” (mulheres), Alta Sartoria (homens) e Alta Gioielleria (jóias de luxo).

Coleção NFT Dolce & Gabbana no site UNXD

Todos os produtos possuem versão física e prazo de resgate de 1 ano que deve ser feito na unidade de Milão da empresa.

A venda dos itens variaram de 97.436 wETH para o “The Mosaic Impossible Jacket”até 423.500 wETH (aproximadamente 7 milhões de reais) para o “The Doge Crown”, que teve lance inicial de 150 wETH.

A marca arrecadou o proporcional a mais de 31 milhões de reais com a venda das peças digitais.

Muito além de apenas avatares de bichinhos

Existem muitos críticos do mercado de NFTs que o tratam como uma bolha muito próxima de explodir a qualquer momento.

A existência de uma bolha é sim possível, com algumas evidências de produtos desconhecidos sendo negociados por valores altíssimos em um momento de euforia de mercado.

Investidores e colecionadores participando de lances milionários com pouca ou nenhuma investigação sobre a origem, os criadores, os benefícios e as condições de armazenagem dos itens digitais.

Se fecharmos nossa visão apenas à coleções muito hypadas como Bored Ape Yacht Club, pinguins, ursos e outros animais que são utilizados como avatar nas redes sociais e trocados muitas vezes com a intenção de serem vendidos no curto prazo por um preço maior, poderíamos sim identificar uma tendência de um jogo especulativo – muito mais do que de colecionáveis, em que os últimos a entrar serão os grandes perdedores.

Mas também podemos entender que essa experiência é apenas uma demonstração do potencial da tecnologia de comercialização de Tokens Não-Fungíveis (Non-Fungible Tokens – NFT).

Um teste de mercado que pode servir para preparar o caminho para usos menos especulativos e mais voltado à comunidades, marketing, engajamento, aproximação e relacionamento com o público consumidor por parte de grandes marcas que possuem produtos “colecionáveis”.

E não que a especulação de mercado seja ruim, mas quando a especulação ocorre em produtos que o especulador não tem interesse em manter, mas apenas de comprar hoje com a esperança de que alguém decida pagar mais caro no futuro pelo mesmo motivo, pode ser indicador de uma bolha prestes a estourar.

A Jimmy Choo, por exemplo, seguiu o exemplo da Dolce & Gabbana e também já comercializou seus primeiros NFTs através da Binance NFT Marketplace.

A campanha encerrou no dia 25 de outubro e contou com a colaboração do artista nova-iorquino Eric Haze. Esta coleção celebrou o “glamour punk final onde o luxo envolve as imperfeições perfeitas da arte de rua”. Foram vendidas caixas misteriosas com produtos sortidos e ao final, um exclusivo par de sneakers pintado à mão de edição limitada.

Sneakers comercializados em NFT pela Jimmy Choo

Além desse caso, Rebecca Minkoff se tornou a primeira estilista americana a criar e exibir uma coleção da NFT durante a New York Fashion Week 2021.

Um grande potencial para o futuro

São casos como o da Dolce & Gabbana, Jimmy Choo e Rebecca Minkoff que mostram o enorme potencial para “bens de luxo virtuais e híbridos”. E fazem Morgan Stanley estimar que o mercado de NFT crescerá para cerca de US$300 bilhões em 2030.

Em 2030, as marcas de luxo podem expandir sua receita de mercado total endereçável (TAM) em mais de 10% e o EBIT da indústria em cerca de 25%. A demanda por colecionáveis ​​NFT levará a uma forte demanda por bens de luxo no médio prazo, disseram analistas liderados por Edward Stanley no relatório.

O banco observa que as marcas de luxo já estão explorando colaborações com plataformas de jogos e metaverso, com um número crescente de acordos de compartilhamento de receita, e isso poderia adicionar $10 bilhões – $20 bilhões ao TAM do setor de luxo.

Além do mercado de luxo, outras empresas estão demonstrando interesse no potencial dos NFTs para colecionáveis, como a UFC em parceria com a Crypto.com.

E além do case de colecionáveis, que se aplicam em todos esses exemplos anteriores, a tecnologia ainda é muito pouco explorada para usos cotidianos como o de documentação, por exemplo.

Ao entender que com a tecnologia NFT é possível armazenar produtos digitais com segurança, descentralização, auditabilidade, e portabilidade, podemos deixar nossa criatividade voar com as possibilidades de revolução de sistemas atuais centralizados, como os cartórios.

Uma escritura de imóvel pode ser assinada em smart contract dentro da blockchain. Ser protegido por criptografia e ter sua autenticidade validada através de consenso descentralizado pelas redes que buscam solucionar esses problemas.

O mesmo pode valer para diplomas e outros contratos ou documentos.

NFT e Metaverso ainda são indústrias muito novas, engatinhando em meio à um mercado altamente especulativo. Se descobrindo através de erros e acertos, mas já chamando a atenção de grandes empresas e investidores.

Qual será o próximo passo?

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