Desde alguns meses atrás, milhares de mineradores de Bitcoin (principalmente grandes empresas mineradoras) se viram para resolver um grande problema: com a proibição da mineração pelo governo chinês, agora eles tinham que descobrir como tirar milhões de computadores do país.

Entre fundamentos sobre a energia do Texas ao Cazaquistão, a indústria de mineração de Bitcoin busca se reinventar, de maneira à sair mais forte e sólida dessa questão temporária.

Tudo sob o medo de que uma corrida desenfreada para novos mercados aumentaria os custos de todos eles.

Entre a comunidade de mineradores, um slogan até surgiu desse processo: “Mantenham-se juntos para ter calor, digam não à competição cruel”, em referência ao calor emitido pelas máquinas de mineração.

Os mineradores chineses, forçados a deixar para trás a eletricidade barata do país (proveniente do carvão abundante e dos rios), foram lançados para o mundo.

Assim como os mineiros correram em direção aos campos de ouro na Califórnia e no Alasca, há mais de um século, os mineradores de Bitcoin agora estão correndo em direção a qualquer fonte de energia confiável e barata que possam encontrar. 

O que mais importa para a viabilidade da mineração?

Normalmente, os computadores que realizam a mineração de Bitcoin ficam empilhados em prateleiras em grandes armazéns, geralmente com enormes ventiladores de refrigeração a água.

Na China, os armazéns geralmente ficavam situados perto de suas fontes de energia, como usinas hidrelétricas e termelétricas.

A eletricidade é responsável por cerca de 80% do custo operacional de uma mineradora, de acordo com Tyler Page, diretor executivo da Cipher Mining Technologies Inc.

Os atributos físicos de um local também são importantes: temperaturas extremas e um ambiente excessivamente seco e arenoso, por exemplo, podem reduzir bastante o tempo de vida das máquinas.

Fontes renováveis

Para algumas empresas mineradoras, a decisão de se mudar da China também é uma oportunidade para limpar seu fornecimento de energia.

É difícil dizer o quão limpa é a mineração de Bitcoin em geral, já que cada local tem sua fonte de fornecimento de energia. Embora parte dessa energia seja verde, a maior parte da eletricidade do mundo ainda vem da queima de combustíveis fósseis.

Fontes de energia renováveis, ​​como vento e sol, podem ser abundantes às vezes, mas a demanda por elas tende a aumentar à medida que carros, aquecimento doméstico e indústrias pesadas mudam cada vez mais para eletricidade. 

A região nórdica, que há muito é um local popular de mineração de Bitcoin por causa de sua ampla energia hidrelétrica, começou a ficar sem eletricidade em excesso no início deste ano, à medida que os as indústrias aumentaram sua produção.

Preocupações regulatórias

Os mineradores também precisam da confiança de que não vão acordar numa manhã com a notícia de que seu negócio foi novamente proibido.

Mesmo dentro dos Estados Unidos, existem diferenças regulatórias entre os estados. O Texas é o único estado com uma rede elétrica desregulamentada, Ohio possui preços baratos de energia e energia mais limpa. Já um estado como Nova York, onde os legisladores propuseram anteriormente um projeto de lei que limitaria a mineração de cripto no estado, não parece tão atraente.

Cazaquistão

Para se usar como exemplo, pode-se observar o Cazaquistão, um dos destinos preferidos dos mineradores recentemente. O país o vizinho à China também é frio o suficiente para que os data centers não exijam nenhum ar-condicionado para evitar o superaquecimento, o que poderia adicionar até 30% a mais no consumo de energia.

Mas há um limite para o potencial do Cazaquistão: sua rede elétrica adicionou apenas um pouco mais de 3 GW de capacidade nos últimos 20 anos, e essa limitação está abrindo pouco espaço para o aumento das máquinas de mineração no local.

Além disso, há uma questão temporária envolvida: o transporte do maquinário vindo da China por via terrestre seria mais barato, mas os caminhões poderiam ficar presos na fronteira por semanas. Como solução, esse transporte poderá ser feito por via aérea, o que aumenta ainda mais o custo do deslocamento.

Futuro

Como em qualquer mercado livre, a estabilidade naturalmente (em algum momento) deverá ser atingida.

Embora as restrições da China tenham estrangulado a indústria de mineração de Bitcoin por enquanto, o problema mais parece algo temporário.

Com o aumento da capacidade em lugares como os EUA, o BitOoda estima que a quantidade de capacidade de computação usada para mineração voltará ao nível anterior à repressão no início de 2023 e continuará crescendo pelo resto da década.

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