Liderados por um minerador chave, que apoiou o fork do Ethereum Classic (ETC) no passado, alguns mineradores pretendem fazer novo fork contra o ETH 2.0, chamado ETH POW.

ETH POW pretende manter a mineração no Ethereum

Há muitos meses o debate sobre o “The Merge”, que irá criar a rede Ethereum 2.0 através da fusão da Beacon Chain (em proof-of-stake) com a Mainnet (em proof-of-work), vem se intensificando com a aproximação da atualização.

Muitos mineradores já vêm se mostrando insatisfeitos com a mudança e, na semana passada, o Ethereum Classic (ETC), um antigo fork de Ethereum que data de 2016, começou a ganhar valor de mercado com a especulação de que alguns mineradores poderiam começar a migrar para esta rede.

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Também na semana passada, o conhecido investidor e minerador Chandler Guo, compartilhou um vídeo de uma conversa em mandarim, em um tweet dizendo que “ethpow está chegando”.

Chandler Guo foi um dos principais apoiadores do fork ETC no passado, mas por algum motivo ele parece estar insatisfeito com a versão que apoiou e se mostra determinado a conseguir dividir a rede novamente, para manter o atual sistema de mineração.

Fonte: Twitter/ChandlerGuo

“Eu forkei o ethereum uma vez, eu vou forkar ele de novo”.

Desde o fork do Ethereum Classic, o código e o ecossistema do Ethereum (ETH) evoluíram muito, passando por muitas mudanças e se tornando a blockchain de primeira camada principal para a construção de aplicativos descentralizados e contratos inteligentes que criaram o universo DeFi e de DAOs que conhecemos hoje.

Diferente de projetos como o Bitcoin, Bitcoin Cash, Monero, Nano, Dash, XRP, etc… O principal valor de mercado do Ethereum está em seu ecossistema e em sua capacidade de servir como fundação para o desenvolvimento de outras redes, tokens e projetos. Fazendo com que o “efeito de rede” tenha um peso gigantesco em seu desenvolvimento.

Guo não deixa claro os motivos de porquê decidiu criar o ETH POW, ao invés de simplesmente migrar para o ETC, como muitos mineradores e investidores já vêm fazendo, mas ele parece estar falando sério em sua intenção de seguir adiante com o fork e já vem conquistando apoiadores entre as pools de mineração.

Como seria o fork para o ethpow?

No caso de um fork, o mais provável é que o código e o estado atual da rede sejam duplicados, criando tokens equivalentes em endereços idênticos que rodem na nova rede, ethpow.

O problema aqui é que estes tokens só terão valor de mercado, caso pessoas queiram comprá-los, e ele só ganhará tração se exchanges centralizadas (CEX) e descentralizadas (DEX) listarem o token ETH POW, que entraria em um momento de “descoberta de preço”, sem a garantia de que o mercado o avalie da mesma forma que o ETH 2.0.

É possível que alguns especuladores demonstrem interesse, mas nada é garantido e tudo vai depender da força com que a divisão ocorra. Muitas CEX e DEX já têm demonstrado apoio ao “The Merge” que dará vida ao Ethereum 2.0, então é pouco provável que exista muito apoio para a empreitada de Chandler Guo com o ethpow.

Vale lembrar que a grande maioria dos dApps, projetos, plataformas e grandes stakeholders também vêm apoiando a migração para PoS, então o ecossistema precisaria ser reconstruído em ETH POW, podendo se tornar algo completamente diferente do que existe hoje dentro do universo de Ethereum.

Mineradores não querem perder a vaca leiteira

A realidade é que a mineração é uma atividade empresarial muito lucrativa e a mineração de Ethereum foi uma das mais rentáveis dos últimos anos, com a possibilidade de minerar com simples GPUs, de forma mais acessível para pequenos mineradores, diferente do Bitcoin cuja mineração é feita com ASICs, que são equipamentos mais caros, com maior consumo de energia e mais concentrado na mão de grandes fazendas de mineração, com pouco espaço de rentabilidade para os pequenos mineradores domésticos.

Isso trouxe grande popularidade para a criação de uma “renda passiva” ao se investir em placas de vídeo e equipamentos mais simples, com a formação de pools de mineração, que são plataformas cooperativas de pequenos mineradores com redistribuição do lucro.

Este negócio extremamente rentável, que recompensa os validadores da rede através da inflação dos tokens nativos, ether (ETH), pode estar acabando. E com seu fim, muitos investimentos feitos em servidores, equipamentos e plataformas também irão parar de dar retorno.

A inflação é bastante atrativa para aqueles que se beneficiam dela, apesar de punir os holders e outros stakeholders no longo prazo, em um sistema econômico com forte pressão do lado da oferta. E é daí onde deve surgir o apoio de outros mineradores para o ETH POW, que manterá a atividade funcionando e o pagamento de recompensas em token ethpow para os mineradores que se recusarem a fazer a fusão.

A questão é que para a mineração continuar sendo lucrativa, esses mineradores precisarão conseguir trocar seus tokens criados com a recompensa de blocos por outras moedas. Seja dólar (USD), ether (ETH), bitcoin (BTC) ou qualquer outra.

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