Dados de uma pesquisa realizada pelo Conselho de Mineração de Bitcoin, sugerem que 59% do gasto energético utilizado na mineração de bitcoin vem de fontes renováveis. A informação tem sido compartilhada por entusiastas “combatendo o FUD ambientalista”, mas foi questionada pelos mais céticos, sob a máxima de “não confie, verifique”. Entenda a polêmica.

O que é o Bitcoin Mining Council e quem faz parte do conselho?

Antes de entrarmos na polêmica, é preciso entender como surgiu, o que é e quem faz parte do Bitcoin Mining Council (BMC) – ou Conselho de Mineração de Bitcoin, na tradução.

A formação de um Conselho de Mineradores veio a público inicialmente pelo Twitter, idealizada por Michael Saylor em parceria com Mike Novogratz e companhias de mineração de bitcoin dos Estados Unidos, após interesse de Elon Musk em discutir os gastos energéticos da atividade.

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A criação do conselho já foi protagonista de sua própria polêmica:

  • De um lado – alguns “maximalistas” de bitcoin querendo “combater o FUD ambientalista” contra a mineração, ou investidores apoiando a decisão estratégica da existência de um grupo destinado à relações públicas e organização conjunta.
  • De outro – bitcoiners e entusiastas se questionando sobre os interesses ou a necessidade da formação de um grupo com estes objetivos, além da preocupação com reuniões “a portas fechadas” por mineradores que participam do consenso na rede e poderiam até mesmo “conspirar” com a combinação de sua hashrate. Prejudicando a descentralização do Bitcoin.

Atualmente, o Bitcoin Mining Council (BMC) se define como sendo um:

“(…) fórum voluntário e aberto de mineradores de Bitcoin comprometidos com a rede e seus princípios fundamentais. Promovemos a transparência, compartilhamos as melhores práticas e educamos o público sobre os benefícios da mineração de Bitcoin”.

Os membros do Conselho de Mineração de Bitcoin são:

Logo de empresas: Argo, Core Scientific, Hive, Hut8, Marathon, MicroStrategy, Riot, GalaxyDigital
Fonte: Bitcoin Mining Council
  • Microstrategy; uma das empresas com maior capital próprio investido em BTC, tendo já uma grande parcela de seu patrimônio alocado no ativo e em empresas relacionadas, incluindo empresas de mineração membros do conselho. CEO: Michael Saylor.
  • Galaxy Digital; um fundo de investimento cripto que também possui capital em Bitcoin, empresas e projetos relacionados. Galaxy Digital ficou bastante conhecido ao ser identificado como um dos credores da Three Arrows Capital (3AC). Além disso, seu CEO Mike Novogratz ganhou os holofotes com sua tatuagem da Terra (LUNA) e outra dúzia de projetos falidos marcados no corpo.

Os demais membros do Conselho de Mineração de Bitcoin são as empresas de mineração sediadas nos Estados Unidos:

Algumas delas, presentes neste relatório sobre a saúde financeira de mineradores de bitcoin que possuem informação pública de caixa e balanço.

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Polêmica sobre pesquisa e uso de energia renovável

As polêmicas relacionadas ao alto consumo energético e baixa eficiência energética por parte da rede do Bitcoin é recorrente na grande mídia, nas redes sociais, no mercado corporativo, nos âmbitos políticos e também nas comunidades cripto. Com defensores dos dois lados, em cada um destes focos de discussão.

Recentemente, o Partido dos Democratas nos Estados Unidos realizou um estudo que mostra o alto consumo energético apenas pelas sete maiores mineradoras de bitcoin do país, equivalente a todo o consumo energético de Houston, Texas.

Saiba mais: Apenas 7 mineradores têm o mesmo consumo de energia de cidade de 2 milhões de habitantes

Quase como em resposta direta à divulgação deste estudo, o Bitcoin Mining Council publicou um press release informando que foi realizada uma pesquisa entre alguns mineradores que permitiram a BMC estimar que cerca de 59,5% de toda a rede de mineradores do Bitcoin utiliza energias renováveis para alimentar suas ASICs de mineração.

AUSTIN, TEXAS – July 19, 2022 — The Bitcoin Mining Council (BMC), a voluntary global forum of Bitcoin mining companies and other companies in the Bitcoin industry, announced the findings of its second quarter 2022 (“Q2”) survey focused on three metrics: electricity consumption, technological efficiency and sustainable power mix. 

The BMC has now collected data from over 50% of the global Bitcoin Network, representing 107.7 exahash (EH), as of June 30, 2022, in its latest voluntary sector survey. The results of this survey show that the members of the BMC and participants in the survey are currently utilizing electricity with a 66.8% sustainable power mix. Based on this data it is estimated that the global bitcoin mining industry’s sustainable electricity mix is now 59.5% or had increased approximately 6% year-on-year, from Q2 2021 to Q2 2022, making it one of the most sustainable industries globally. Additionally, year-on-year it is estimated that the global Bitcoin Network’s technological efficiency grew by 46%, from 14.4 EH per gigawatt (GW) in Q2 2021 to 21.1 EH per GW in Q2 2022. This efficiency gain reaffirms the fact that as the Bitcoin Network continues to grow, it will become even more efficient over time.
Fonte: Bitcoin Mining Council PR 19/07/2022

Segundo informado pelo Conselho, essa porcentagem diz respeito à hashrate gerada a partir deste tipo de energia (sustentável) e a pesquisa foi realizada com entidades responsáveis por metade (50%) de toda a hashrate gerada.

O primeiro ponto de preocupação que surge, é o fato de que foi possível identificar e contatar com exatidão os responsáveis por metade do consenso da blockchain do Bitcoin. O que sem dúvidas é um fator de preocupação sobre segurança da rede, descentralização e privacidade.

Mas outros pontos também foram levantados por usuários do Twitter, referentes à credibilidade da pesquisa, cujas informações foram coletadas sob declaração voluntária dos participantes, sem nenhuma evidência material, o que abre a possibilidade de alguns terem mentido, ou apenas se confundido com a definição de energia renovável.

Levando em consideração uma provável existência de conflito de interesse pelos envolvidos, a declaração voluntária deve ser encarada com “uma pitada de sal”.

Já a confusão, é possível não só por parte dos mineradores que responderam voluntariamente à pesquisa, mas também por parte de qualquer um que leia o relatório, já que em nenhum momento é especificado o que o Conselho de Mineração de Bitcoin entende (e considera) como energia renovável ou poder mixado sustentável.

A falta de clareza neste ponto abre margem para interpretações dúbias e falta de exatidão do próprio resultado da pesquisa, bem como das conclusões que podem ser tiradas a partir dela, colocando em xeque, mais uma vez, sua credibilidade.

Os usuários que questionaram estes pontos, até o momento, de redação desta matéria, exatamente 24 horas após o compartilhamento de Saylor, ainda não obtiveram uma resposta e esclarecimento. Seja por parte do Bitcoin Mining Council, ou de Michael Saylor.

É importante ressaltar que os questionamentos e o ceticismo não vem apenas de pessoas que já são “normalmente críticas” do Bitcoin, mas também de uma grande parte da comunidade bitcoiner e até mesmo de alguns mineradores independentes.

Entre os críticos mais antigos e já conhecidos, está a página DigiEconomist, que oferece dados sobre consumo energético de redes como Bitcoin, Ethereum e Dogecoin.

Em um tweet a página satirizou a comunicação da notícia por portais especializados:

URGENTE: contrariando qualquer outra pesquisa independente, a própria indústria de mineração de Bitcoin está relatando uma parcela surpreendentemente alta de uso de energia renovável. A descoberta é baseada em uma nova abordagem chamada “confie em mim, mano” e inova principalmente por não fornecer nenhum dado de apoio sério.”

Tweet do DigiEconomist criticando o Conselho de Mineração de Bitcoin
Fonte: Twitter (@DigiEconomist)

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