A AB InBev, multinacional formada pela fusão da belga Interbrew e da brasileira Ambev, desenvolveu um sistema usando blockchain para ajudar pequenos agricultores a provar que são fornecedores da gigante das bebidas – permitindo que eles abram contas bancárias e desenvolvam uma linha de crédito.

Depois de decidir que a AB InBev deveria usar fornecedores locais em vez de importar grandes quantidades de cevada e malte para países da África, a empresa percebeu que, em alguns casos, as fazendas eram tão pequenas que não tinham a documentação necessária para provar sua renda.

“Mesmo quando o rendimento triplicou ou quadruplicou, eles continuam muito pequenos”, disse Carlos Brito, CEO da AB InBev, no Fórum Econômico Mundial, na terça-feira.

“Precisamos de intermediários para consolidar essa carga e enviar para nossas cervejarias por caminhões. E esse intermediário não estava necessariamente repassando o dinheiro que estávamos pagando a ele ou a ela [ao fazendeiro].”

Em parceria com o BanQu, a AB InBev desenvolveu um sistema de contabilidade distribuído usando blockchain para aumentar a transparência na cadeia de suprimentos.

Como o livro usa blockchain, os bancos podem verificar para confiar nos livros.

“E agora essa agricultora, que nunca foi bancarizada – porque ela não conseguia comprovar renda de nenhuma fonte, não tinha relatórios, material ou papelada – agora em um telefone flip, ela tem a prova blockchain de que é fornecedora da AB InBev, uma empresa global.”

“E agora ela é bancarizada. Agora ela pode abrir uma conta bancária. E agora ela pode ter uma linha de crédito para desenvolver o negócio.”

“Muitas dessas coisas se espalharam com a idéia de ‘somos locais – precisamos fazer o que é bom para os caras locais'”, disse ele.

“Essa é a ideia do consumo também beneficiando partes interessadas e comunidades”.

A AB InBev mudou-se para um negócio mais orientado localmente, solicitando aos governos incentivos fiscais, sinalizando que investiria em comunidades, fornecedores locais e incentivaria os agricultores de subsistência a migrar para a agricultura comercial.

“Eles se tornam agricultores comerciais e todos ganham. Os consumidores são mais seguros e criamos empregos mais formais. O governo cobra impostos.”

“Em vez de enviar o dinheiro para a Europa, Austrália ou Canadá comprando cevada ou malte, mantemos o dinheiro lá”.

O produto BanQu foi implementado com milhares de agricultores em países como Uganda e Índia.

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