No sábado (17), cerca de 104 bitcoins associados à falida corretora QuadrigaCX foram movimentados pela primeira vez desde 2018.
A QuadrigaCX foi uma corretora de criptomoedas canadense que faliu em 2018, após o falecimento bastante suspeito do seu fundador, Gerry Cotten.
Só tem um problema: Gerry Cotten era o único que possuía as chaves privadas das carteiras onde a corretora armazenava seus ativos sob custódia. Com sua morte, esses ativos haviam sido perdidos para sempre. Jennifer Robertson, sua esposa, garantiu que todos os dispositivos de Cotten eram criptografados.
A descoberta foi feita por ZachXBT, um especialista em investigação on-chain. Ele conseguiu os endereços supostamente pertencentes a Cotten a partir de um artigo da época. Segundo ele, dois dos cinco endereços conhecidos do falecido possivelmente fizeram transações através da Wasabi, uma carteira de software conhecida pelo seu serviço de CoinJoin, que é uma técnica utilizada para dificultar o rastreamento de bitcoins.
Estaríamos diante de um Lázaro 2.0 ou de um golpista que forjou a própria morte para surrupiar o que representava, à época, cerca de 190 milhões de dólares? Segundo os clientes lesados pela corretora, trata-se da segunda opção.
O documentário Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda (2022), da Netflix, sugere que Cotten havia planejado tudo. Ele escreveu seu testamento apenas 12 dias antes de morrer, morreu — numa viagem à Índia — de uma doença pouco letal e era o único detentor das chaves privadas das carteiras da corretora, o que seria de um amadorismo inacreditável para um empresário que operava no ramo desde 2013.
Em fevereiro, um co-fundador da corretora de Cotten lavou mais de 14 milhões de reais em ETH num único dia. 0xSifu, além de ter envolvimento com o escândalo da QuadrigaCX, já havia confessado a prática de fraude bancária e de crédito em 2005, além de roubo, furto e fraude de computador em 2007.
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