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Seria fácil acreditar que a narrativa sobre o “pico da inflação” está morta, principalmente depois dos resultados do índice de preços no consumidor, mas não está.

O Índice de preços no consumidor (consumer price index, CPI), técnica usada para observar tendências de inflação, é calculado com base no preço médio necessário para comprar um conjunto de bens de consumo e serviços comparando com períodos anteriores.

Nos EUA, o CPI subiu 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado, demonstrando uma alta de 40 anos. 

Com a temporada de ganhos começando, período durante o qual um grande número de empresas de capital aberto divulga seus relatórios trimestrais de ganho, os investidores estão esperando ouvir muitos comentários corporativos cautelosos sobre custos mais altos, taxas crescentes e um consumidor em desaceleração.

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No entanto, grandes nomes da área como Jim Cramer, Jeremy Siegel e Wharton School ainda insistem que o pico da inflação está, de fato, se aproximando. Segundo eles, os preços de mercadorias e fretes caíram substancialmente, e os preços de casas e aluguéis (um grande impulsionador do CPI) também vão cair em breve.

A narrativa dominante ainda é pessimista: A inflação está de fato fora de controle e persistirá nestes níveis por muitos meses, forçando o Banco Central dos EUA (FED) a ser ainda mais agressivo. As empresas serão forçadas a aumentar os preços, mesmo em face de uma demanda mais fraca. 

Como resultado disso, as expectativas de lucros vão cair de 10% a 20%, e os múltiplos (índice Preço/Lucro) se vão se contrair ainda mais.

Os otimistas não querem fixar o preço neste cenário terrível por acreditarem que os sinais já estão mostrando uma economia lenta, e não em colapso. Mas, ainda assim, acreditam que o crescimento será moderado, e até mesmo admitem que os EUA poderão passar por uma recessão leve. 

Mas o desemprego no país norte-americano está agora em 3,6%, em uma recessão esse nível invariavelmente vai muito além dos 6%, e isso ainda parece improvável. 

Binky Chada, do Deutsche Bank, insiste que o mercado já fixou esse preço e, em nota aos clientes disse: “Achamos improvável que o mercado passe por ainda mais liquidações apenas com ganhos mais fracos ou cortes de orientação, visto que estes são agora amplamente esperados.” 

“O mercado normalmente se recupera durante a temporada de ganhos,” disse Chada, “especialmente após liquidações e quando o posicionamento do investidor é muito baixo ao entrar na temporada de ganhos, como é o caso atualmente.”

Os comerciantes ativos também apontam para a estabilização em nomes de tecnologia especulativa, como a Ark Innovation ETF (ARKK), que parou de cair. Eles também apontam que as ações de commodities (energia e metais) caíram muito nas últimas seis semanas, e que ninguém está se interessando por ações defensivas dos consumidores com preços excessivos, como a Procter & Gamble.

Há uma explicação mais simples para o porquê de estarmos em uma faixa de comercialização nas últimas semanas: fadiga. Os volumes de negociação têm sido leves recentemente, e a intensidade de venda que vimos em junho diminuiu. Não há apenas fadiga de venda, há fadiga de inflação.

A venda pode ter diminuído, mas há muito pessimismo para ver qualquer compra significativa. É por isso que não se observa dias com grande volume. Se observa aumentos na cotação de ativos após quedas apenas para que ela volte a cair.

E isso não seria uma atividade saudável no mercado de altas.

Não cair tanto com as más notícias é um bom sinal, mas um fundo de mercado precisará de muito mais do que isso. Seria necessário um catalisador muito melhor, um motivo para começar a comprar. 

“O que, em nossa opinião, poderia impulsionar uma venda no mercado são sinais de aversão ao risco corporativo, em particular, grandes medidas de redução de custos ou mudanças nos planos de gastos de capital,” disse Chada, em tentativa de fazer aquilo que todos estão fazendo: se protegendo. 

Texto adaptado da publicação da CNBC Pro.

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