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O que esperar da economia brasileira com Bolsonaro e Paulo Guedes? Economia

O que esperar da economia brasileira com Bolsonaro e Paulo Guedes?

Bolsonaro terá Paulo Guedes em sua equipe para ajudá-lo em um 2019 que tem de tudo para ser um ano difícil. O que esperar?

Danilo Imbimbo
Danilo Imbimbo

O que esperar para a economia brasileira em 2019?

Assistimos à eleição mais polarizada na história do país. Apesar da grande convicção daqueles que elegeram Jair Bolsonaro (PSL), os desafios pelos próximos 4 anos não serão nada simples: a promessa de respeitar a Constituição Federal deverá ser levada até o final do mandato e há ainda a necessidade de reformas estruturais. O que esperar para a economia brasileira?

O novo governo deverá também aprender a fazer política, bem como lidar com as acusações de corrupção que já surgem antes do mandato se iniciar.

O impeachment da presidente Dilma Rouseff (PT), concluído em agosto de 2016, levou o mercado a acreditar que seu vice, Michel Temer (MDB), seria capaz de mitigar os efeitos da crise econômica que se iniciaram ainda no primeiro mandato do governo petista – com o fracasso da nova matriz econômica – e recolocar a economia brasileira em um novo eixo de crescimento, além de acabar com a crise política. Temer fora escolhido como a aposta do mercado, dos empresários e industriais para colocar em prática as reformas necessárias ao país.

Temer entregou menos do que deveria

Ao final de praticamente dois anos e meio de mandato, Temer entregou menos do que se esperava. As principais mudanças em termos econômicos foram a PEC do teto dos gastos com objetivo de conter os gastos públicos e incentivar um ajuste fiscal; uma controversa reforma trabalhista e a lei da terceirização, ambas com a justificativa de modernização e flexibilização das leis trabalhistas.

Além disso, o governo foi marcado por duas denúncias pela Procuradoria Geral da República (PGR) – desvio de recursos e obstrução de justiça – e diversos recuos ao longo do governo.

Olhando para os indicadores econômicos, o governo Temer termina com uma taxa de juros (Selic) de 6,5% ao ano, uma inflação abaixo da meta do Banco Central tanto em 2017 (2,9%) quanto em 2018 (3,34% até setembro de 2018) e uma taxa de desemprego ainda acima de dois dígitos (11,9% no terceiro trimestre), com a queda no emprego marcada principalmente pelo aumento do emprego sem carteira assinada.

Nessa linha, o que esperar de seu sucessor e sua equipe econômica?

O guru econômico escolhido pelo presidente eleito, Paulo Guedes, Ph.D. na Universidade de Chicago e um dos fundadores do BTG Pactual, pareceu ao longo da campanha demonstrar que o governo seria mais uma continuidade do que uma ruptura ao que vinha propondo o governo Temer. Caso queira conhecer melhor Paulo Guedes, veja o texto ao lado: Quem são os economistas dos presidenciáveis? 

Guedes provavelmente terá uma fonte de poderes quase inesgotável – digo quase, pois, o presidente tem plenos poderes para trocá-lo caso queira -, a criação do Ministério da Economia com a junção da Fazenda, Planejamento e Indústria lhe dará poder que talvez só Delfim Netto, ministro durante a ditadura militar (1967-1974), teve. Se você quiser conhecer melhor suas propostas, veja esse texto: O que esperar dos presidenciáveis na economia?

O ministro vem montando uma equipe com nomes alinhados a seu pensamento, como Mansueto Almeida (Tesouro), Joaquim Levy (BNDES), entre outros. A agenda liberal com privatizações e abertura comercial, pelo lado de Guedes, parece seguir em frente, apesar de sua já demonstração de falta de tato e conhecimento político que pode acabar criando dificuldades aos seus objetivos.

Mais do que isso, o time econômico de Paulo Guedes iniciará 2019 com problemas no orçamento: a pauta bomba aprovada pelo Congresso de reajuste salarial dos ministros do STF deve gerar um rombo próximo de R$4 bilhões nas contas públicas e dificultar ainda mais o orçamento, dado o teto dos gastos.

Uma nova forma de governar

Se a campanha foi cercada de ataques, críticas a Venezuela, PT, bolivarismo, agora chegará a hora de olhar para as reais demandas da população e para as necessidades da economia brasileira. O Partido Social Liberal (PSL) saiu como o grande vitorioso dessa eleição, tanto nas disputas estaduais, como federais emplacou uma boa base nas assembleias e no Congresso Nacional.

Dessa forma, é de se esperar um início de governo forte, que coloque em pauta e aprove boa parte de suas propostas; ao mesmo tempo, levantam-se dúvidas sobre, por exemplo, a capacidade de aprovação de uma reforma da previdência.

Bolsonaro já vem demonstrando uma forma diferente de governar: eleito sem uma coligação forte e grande, tem menos obrigações com relação a outros partidos e, desse modo, vem negociando os cargos sem a figura dos partidos, diretamente com as bancadas que lhe interessam.

Um novo presidencialismo de coalizão marcado principalmente pela ausência do MDB. Até que ponto as forças de centro, acostumados com o funcionamento do congresso, vão permitir ser deixadas de lado? Essa nova estrutura deve reduzir o capital político disponível pelo governo.

Alianças comerciais

Outro ponto relevante serão as alianças comerciais. Os movimentos iniciais do governo indicam possíveis rupturas no atual desenho da política comercial brasileira. Uma aproximação com os Estados Unidos (EUA) e um afastamento do Mercosul estão sendo sugeridos, bem como um afastamento da China, muito em função de questões ideológicas.

Quanto a isso, é importante um olhar além dessa esfera. O Mercosul e a China podem dar e tem dado ao Brasil retornos muito maiores para a economia brasileira do que os EUA em termos de troca. O governo ao norte da América, no comando de Donald Trump, é um governo que visa a hegemonia americana perante outros países, portanto, é necessária uma atenção aos novos arranjos comerciais, de forma que nossos interesses se sobressaiam aos interesses de outras nações.

E no âmbito social?

Por último, é preciso atenção para que retrocessos sociais não atinjam aqueles que realmente precisam do Estado. A redução da pobreza nos últimos 20 anos, a melhora da qualidade de vida da população, a evolução nos serviços de educação e saúde (SUS) e o aumento de oportunidades são importantes prioridades.

O governo atual deu a impressão de menor comprometimento com essas pautas do que os governos petistas e o presidente eleito ao mesmo tempo em que flerta com um Estado mínimo, não deixa de lado pensamentos que se encaixam mais com a ideia de um Estado mais enxuto.

Assim, parece que chegou a hora de o futuro governo encerrar a campanha eleitoral de fato e assumir a função de governo eleito. O governo Temer não foi capaz de encontrar uma direção saudável para o crescimento da economia brasileira e esse deverá ser o foco principal.

O presidente eleito e sua equipe, até o momento, vêm traçando um caminho que nos gera mais dúvidas do que certezas. Os desafios estão postos na mesa e as perspectivas ainda são um pouco nebulosas.. Qual a trajetória será seguida?

A opinião do autor não reflete a opinião do Cointimes como um todo.

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Danilo Imbimbo
Danilo Imbimbo

Estudante de Economia da FEA-USP, 23 anos, entusiasta de política e futebol.

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